Cel. João Batista Pinheiro
Às vezes ficamos andando a esmo pelos mistérios da vida, sem acreditar no que está acontecendo ao redor de nós. Aos 92, já enxergando a linha de chegada, a nossa estiagem de vida parece que foi uma mentira. Tudo o que nós aprendemos nesse longo caminho não serviu para nada. Cada dia que passa, um absurdo desponta no horizonte de nossa virtude do não saber nada. Será que ainda estamos vivos ou já morremos e não sabemos?
Em um país que enfrentou tantos perigos nos últimos quatro anos e subsistiu bravamente com alguns arranhões, fica difícil acreditar que o órgão máximo da nossa Justiça STF, coadjuvante do Poder Central, fosse buscar no cárcere para presidir o Brasil, um indivíduo desagradável, velho, doente, semianalfabeto, julgado e condenado a mais de onze anos de reclusão por crime contra o patrimônio financeiro nacional. Ficamos de queixo caído ao meditar como pode acontecer tanta incoerência e insensatez nas hostes da política brasileira.
Nessa última eleição para presidente da nossa República, seria normal qualquer brasileiro derrotar o candidato da situação presidente Bolsonaro. O que seria anormal foi constatar que o inelegível, incompetente e desagradável Lula da Silva fosse derrotar todos os candidatos. Não gostaríamos de ver os mesmos fantasmas de um passado esquecido, voltar ao picadeiro do circo da vida para dar cambalhotas no ar e receber os apupos da plateia entorpecida.
A nossa insistência em retornar ao mesmo assunto da eleição do Lula à presidência do Brasil é para lembrar que somos uma população de 215 milhões de brasileiros, habitando um dos países mais ricos do mundo em tudo, povo ordeiro e generoso, clima, solo, vegetação, posição geográfica com 9.200 km de extensão de costa em um mar manso e belo.
Não apreciamos o retorno do inelegível Lula da Silva ao poder, portador de uma ficha pessoal sempre sujíssima, especialista em corromper consciências, despedaçar novamente o Brasil, como o fez no passado, em dezesseis anos consecutivos. Este país colossal não merece mais uma vez ser vilipendiado e estagnado por um mentiroso picareta, pouco afeito às salas de aula das escolas, ser alçado ao maior alto cargo do poder civil, em detrimento a muitos brasileiros ilustres, sob o manto protetor do órgão máximo da nossa Justiça, representada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os demais brasileiros que frequentaram escolas regulares em todos os níveis, estão se sentindo diminuídos e injustiçados. Perdemos os melhores momentos da nossa mocidade, dos 17 aos 22 anos de idade, trancafiados entre os muros das escolas militares do Exército, levando trotes e estudando feito uns loucos, para colocar uma singela estrela de 2º tenente nos ombros. Estamos arrependidos? Não, estamos ressentidos. Nunca imaginamos assistir a tanto retrocesso na vida política do nosso país.
Sempre almejamos deixar para os nossos descendentes um Brasil em desenvolvimento, governado por mãos competentes, com futuro garantido. Vamos ter mais quatro anos de estagnação. Grande tristeza para quem está vislumbrando o manto protetor da eternidade.
* José Batista Pinheiro Cel EB Ref, articulista do jornal Inconfidência (Rio de Janeiro, 13.11.2022)
Roberto Rachewsky
A diversidade que realmente deveria receber destaque, e ser levada à última instância, não se refere a homens, mulheres, gays ou lésbicas. Nem a negros, brancos, amarelos ou vermelhos. Nem a judeus, muçulmanos, cristãos ou ateus.
Diversidade de verdade, universal, é aquela que inclui indivíduos com nome e sobrenome, com corpo e alma, propósitos, vitórias e derrotas, seres humanos que acordam, criam valor e dormem para reiniciar de novo a construção dos seus caminhos em direção ao destino que escolheram na vida.
O que importa para os seres humanos não aparece perante nossos olhos, por isso não julgue antes de saber o que tem guardado naquele corpo, naquela mente.
Características congênitas como cor, sexo, nacionalidade, nos identificam e distinguem, mas isso não deveria nos separar. Há outros critérios ainda: altura, peso, largura, comprimento do todo e das partes, velocidade, força, inteligência, feiura e beleza. Tudo isso nos identifica e nos distingue, mas não nos separa.
Somos todos seres humanos dotados de aparência que se herda e de caráter que se constrói. O caráter é essencial e a aparência é acessória. Não é à toa que dizem que o amor é cego. Que seja cego para o corpo, mas não para o caráter.
Gilberto Simões Pires
FACHADA
Por incrível que possa parecer, muitos brasileiros ainda não perceberam que no nosso Brasil tanto o ESTADO DE DIREITO quanto o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO não passam de FACHADA. Esta grande verdade está mais do que clara por conta do flagrante DESRESPEITO a tudo que prega o “Parágrafo único do Artigo 1º da Constituição Federal, que escancara, sem a menor necessidade de interpretação, que: - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
O QUE O POVO QUER
Mesmo admitindo que tudo aquilo que é óbvio não precisa ser explicado, volto a insistir com o termo -FACHADA- aproveitando a lógica expressada pelo constitucionalista Paulo Bonavides (já falecido), que diz o seguinte -“Na democracia representativa tudo se passa como se o povo realmente governasse; há, portanto, a presunção ou ficção de que a vontade representativa é a mesma vontade popular, ou seja, aquilo que os representantes querem vem a ser legitimamente aquilo que o povo haveria de querer, se pudesse governar pessoalmente, materialmente, com as próprias mãos". Como se percebe, infelizmente, nada disso acontece no nosso Brasil.
ESTADO DE DIREITO E ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Vale observar que o ESTADO -DE DIREITO- é uma organização destinada a manter, pela aplicação do DIREITO, as condições universais de ordem social. O DIREITO, portanto, é o conjunto das condições existenciais da sociedade, que ao ESTADO cumpre assegurar. Já o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, como dispõe a CF, é a divisão do ESTADO em TRÊS PODERES INDEPENDENTES -EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO- sendo que as LEIS PROMULGADAS pelo LEGISLATIVO DEVEM SER OBEDECIDAS pelos TRÊS PODERES E PELOS CIDADÃOS. Perceberam, enfim, que ambos não passam, infelizmente, de FACHADA?
ESTADO DE NÃO-DIREITO
O que mais leva à revolta e à indignação é que o ESTADO DE DIREITO deu lugar, com enorme e flagrante visibilidade, ao -ESTADO DE NÃO-DIREITO- onde imperam LEIS ARBITRÁRIAS, CRUÉIS E DESUMANAS que submetem os cidadãos a viver sob as vontades de um ESTADO AUTORITÁRIO onde deixam de existir os DIREITOS FUNDAMENTAIS, como o DIREITO À VIDA, À LIBERDADE, À SEGURANÇA E À PROPRIEDADE. OU seja, já vivemos um período de ABSOLUTISMO.
Dartagnan Zanela
Nós não estamos no fim da história. Esse momento turbulento, que agora testemunhamos, é apenas um capítulo de uma jornada que está muito longe de terminar. Penso que é imprescindível que não nos esqueçamos disso.
A jornada humana não é linear, como um documentário cafona, nem retilínea, como um livro de história escrito com letras deselegantes. O traçado da mestra da vida é sinuoso, com avanços rápidos e regressos abruptos e repentinos. Ou, dito de forma lacônica e entojada: o devir humano através do tempo é dialético.
É importante nunca esquecermos que a história é forjada por tensões, boleiras de tensões. Ignorar a presença delas é a receita mais do que perfeita para não compreendermos as correntezas que movem a vida em sociedade.
Para captarmos essas tensões e compreendê-las é imprescindível que sejamos capazes de enxergar a realidade histórica não apenas por meio de nossos olhos, mas também, através do olhar do outro, por meio das razões contrárias às nossas.
Dentro das tensões que a movem e forjam a história, nós podemos vislumbrar as possibilidades que estão se desenhando em uma conjuntura e as probabilidades latentes num dado momento.
Diante do exposto, vejamos essa sequência de fatos: (1) surgiu um relatório questionando a integridade do pleito. (2) O deputado mais votado do país pede que o assunto seja investigado. (3) O deputado é silenciado. (4) Os dados do pleito ficam fora do ar.
Frente a esses fatos, podemos perguntar: não. Não podemos perguntar.
Pois é. E se voltarmos os nossos olhos para os regimes políticos que são incensados por aqueles que consideram o ato de levantar uma dúvida como sendo um crime imperdoável, veremos, com clareza apolínea, para que direção os [supostos] defensores da democracia querem empurrar todos nós e, pela audácia e petulância expressa recentemente, tudo indica que será um tremendo de um empurrão ladeira abaixo.
E quando chegarmos lá no fundo, os vencidos serão calados e não mais poderão escrever a lauda da história que lhes caberia, porque serão considerados "cristofascistas" e "anti-democráticos".
Rodrigo Mezzomo
Admitindo-se que a votação em si foi lícita (o Barroso garante que é inviolável), a grande fraude começou muito antes, quando liberaram um ladrão para concorrer nas eleições presidenciais.
Foram quatro anos em que todo o mecanismo conspirou e massacrou o presidente Bolsonaro.
Nunca a mídia foi tão canalha e mentirosa de modo tão sistemático.
Lembram das manchetes? A economia “despiora”, o desemprego caiu, “mas…”
A oposição parlamentar foi virulenta e votou contra todas as boas iniciativas.
Lembram de Marcelo Freixo dizendo que Bolsonaro deveria ser “destruído”?
O STF obstruiu de modo bizarro a governabilidade e rasgou a Constituição inúmeras vezes.
A Corte promoveu ativismo judicial e interveio no que cabia a outros poderes, chegando ao cúmulo de ordenar ao Senado abrir uma CPI.
De modo inconstitucional o presidente foi impedido de nomear o diretor da PF. Lembra?
O STF cassou poderes do presidente durante a pandemia e autorizou que prefeitos cometessem arbitrariedades que só seriam possíveis em “estado de sítio”!
Abriram inquéritos ilegais, perseguiram e condenaram pessoas, censuraram redes sociais…
Tudo piorou ainda mais com Alexandre e o TSE.
Além da grotesca censura prévia aos apoiadores do presidente, o tribunal literalmente permitiu que Bolsonaro fosse chamado de genocida, enquanto proibiu que se dissesse que Lula foi condenado em três instâncias.
O TSE se tornou o ministério da verdade.
Agora a corda arrebentou e a ditadura vai se expandir.
Você, liberal ou conservador “limpinho”, está satisfeito?
Gostou do resultado, seu isentão de m…
*O autor é advogado.
**O texto foi reproduzido da página do autor no Facebook
Gilberto Simões Pires
EXERCÍCIO MENTAL
Neste momento, por força do claro e imenso sentimento de frustração que atinge metade dos eleitores do nosso imenso Brasil, é muito provável que muita gente ainda vai precisar de algum tempo até que possa recuperar a necessária capacidade para desenvolver o raciocínio lógico. Ainda assim, com o propósito de dar início ao exercício do processo que leva ao discernimento, é importante que fique bem claro que a DERROTA sofrida por JAIR BOLSONARO não significa, em hipótese alguma, uma ELIMINAÇÃO DEFINITIVA.
COMPETIÇÕES ESPORTIVAS
Vejam, por exemplo, que nas competições esportivas, onde o regulamento determina que os vencedores seguem na competição e os vencidos são eliminados apenas daquela competição, nunca da modalidade esportiva. Isto significa, portanto, que os derrotados, se assim desejarem, voltem a treinar para tentar obter um melhor desempenho na próxima edição do campeonato ou torneio. Ou seja, a ELIMINAÇÃO não passa de um ADIAMENTO para tentar novas e possíveis CONQUISTAS.
POLÍTICA
Uma coisa é mais do que certa: no nosso imenso Brasil já é notório o aumento do interesse de milhões de brasileiros pela POLÍTICA. As manifestações do povo nas ruas é uma prova significativa deste sentimento. Como tal, mais do que nunca, é preciso dar seguimento a este movimento. Assim, as derrotas devem ser bem analisadas e avaliadas para que os erros não se repitam nas próximas eleições, que se repetem -sempre- a cada quatro anos.
ADIAMENTO DAS CONQUISTAS
De novo: eleitor inteligente é aquele que avalia e coteja, com a mesma ênfase e cuidado, o caráter do candidato de sua preferência com aquilo que está descrito no seu PLANO DE GOVERNO. É a partir daí que os cidadãos se engajam nas campanhas político-eleitorais. Mais do que nunca, meus caros e bravos leitores, não vejam nem aceitem a DERROTA DE JAIR BOLSONARO como uma ELIMINAÇÃO, mas como um ADIAMENTO das conquistas que galhardamente defendemos até aqui.