• Jefferson Puff, BBC Brasil
  • 01 Abril 2016

Aos 41 anos, a advogada Janaína Paschoal vive momentos de celebridade: "Me param muito para tirar selfies na rua. No mercado, na feira, no elevador, em todo lugar. Recebi muitas cartas, até de brasileiros que vivem no exterior", conta.

Professora livre docente da Faculdade de Direito da USP, onde entrou como aluna aos 17 anos, ela é uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff em tramitação na Câmara. A recepção calorosa pelos defensores do afastamento da presidente, opina, tem motivo: "Acho que as pessoas estavam com isso engasgado".

Com um perfil conservador, Janaína se define como uma "canceriana romântica" que espera poder "mudar o mundo". Diz ser politicamente liberal, mas contra a legalização do aborto e das drogas, e a favor das cotas para negros nas universidades.

Em entrevista à BBC Brasil, ela falou sobre a crise política, o relacionamento com petistas e o que vê como o desfecho ideal para o atual impasse. "É um momento de passar o país a limpo, caia quem tiver que cair, doa a quem doer, inclusive se for do PSDB, do PMDB e de todos os outros partidos", afirma.

Ela defende todos os argumentos do pedido de impeachment, assinado com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. Confira os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - O que a levou a redigir o pedido de impeachment?
Janaína Paschoal - Foi uma ideia que passou por um processo demorado de maturação. Entre a primeira intenção e a conversa com o Hélio Bicudo foram três meses, depois de falar com muita gente. Falei sobre o tema na OAB de São Paulo, onde sou conselheira, e também com professores de direito e colegas advogados. Até o PSDB eu procurei, mas ninguém se habilitava. Muitos temiam que suas carreiras ou escritórios fossem prejudicados. Nas manifestações antigoverno eu via uma frustração muito grande. Ficava muito triste ao ver que não davam em nada, e comecei a perceber a população desanimada. Em agosto do ano passado houve um protesto em que me convidaram a subir num carro do (movimento) Vem Pra Rua, e acabei fazendo um discurso. E aí tudo aconteceu em uma semana. Me apresentaram ao Hélio Bicudo dias depois e ele foi o primeiro a realmente acreditar em mim. Quando penso neste dia tenho vontade de chorar, porque os outros me olhavam como se eu fosse louca, mas com ele foi um encontro de almas. O Miguel Reale Jr. já tinha feito pareceres a respeito, havia sido meu orientador na USP, e também nos ajudou.

A senhora entrou na Faculdade de Direito da USP, a tradicional São Francisco, com 17 anos. Como tem sido a convivência com professores e alunos com perfil de esquerda na instituição?
O Largo São Francisco é a minha casa. Na graduação não tive problemas, mas, assim que eu entrei como professora, sim. Me sinto como um peixe fora d'água, e não só nas questões político-partidárias. É uma mentalidade muito diferente, como um todo. É quase verdade absoluta lá que você tem que legalizar todas as drogas. Também acham que temos que legalizar o aborto e a exploração da prostituição. Eu não concordo com nada disso. Sou o que a gente pode chamar de liberal, no sentido inglês, e lá é um espaço muito marxista.

A senhora diz ter muitos amigos petistas. Como tem sido a convivência com eles?
Tenho vários amigos petistas. Não toco no assunto com eles, porque não aguentam. Muitos falam "e o PSDB?". E aí eu digo: o que eu tenho a ver com isso? Eu não sou do PSDB. Se eles devem, que paguem. Até agora não houve rompimento de relações com ninguém, mas no começo foi muito difícil. Tive dificuldades com alguns parentes, mas acho que agora já conseguimos superar. A verdade é que o petista não tem liberdade de pensamento. Para eles o Lula é Deus. É intocável e está acima da lei. Não vou endeusar ninguém. Eles acreditam que, pela história dele, ele pode tudo, e infelizmente ele também acreditou nisso, e a presidente também.

Como vê as acusações de que o governo está sendo vítima de um golpe, que o impeachment é mais baseado em posições políticas do que em evidências de irregularidades?
Estou tão cansada de repetir a mesma coisa. Está tudo escrito no pedido. Os documentos estão lá, todo o processo do Tribunal de Contas da União, todas as delações do petrolão. Perto do que vemos hoje, o Collor era brincadeira. Essa acusação de golpe é chavão, é discurso de petista.

Por essa lógica, podemos dizer então que os gritos de "Fora Dilma, Fora PT" também são chavões? Não seria a mesma coisa?
Não gosto de chavão, mas é "Fora PT" mesmo, eu quero que saia mesmo. Agora, por que é golpe? Por que eles não explicam? Por que não entram no mérito, nos detalhes das coisas?

Como avalia a participação de grupos que defendem a intervenção militar nos protestos antigoverno?
Acho que é falta de perceber que, de todos os regimes, o melhor é a democracia, e que defender uma ditadura é uma visão estreita. Não gosto de ditadura, nem de direita e nem de esquerda, nem militar nem civil. Não é um discurso que me agrada, assim como não me agrada o discurso marxista de querer também fechar aqui, e virar uma Cuba. Defendo o direito de as pessoas falarem o que quiserem. Não é porque não concordo que vou condenar.

Grupos e até juristas que apoiam o governo dizem que não houve comprovação de crime de responsabilidade em nenhum dos elementos elencados no pedido de impeachment e na Lava Jato. Como a senhora responde?
Ou as pessoas não estão acompanhando o que está acontecendo no país, ou não sei mais o que é necessário, porque ter responsabilidade implica em tomar providências para fazer a situação cessar e responsabilizar subalternos pelas irregularidades, mas a presidente simplesmente nega os fatos com relação a isso. Todo esse pessoal que está preso ou esteve preso era próximo a ela. Ela era avisada de que as coisas não estavam bem. E o que ela fazia? Subia no palanque e dizia que era tudo armação, que era golpe, que era mentira, e que a Petrobras estava maravilhosa. Isso não é um comportamento condigno com o cargo de presidente.

As pessoas confundem corrupção com crime de responsabilidade. Em nenhum lugar eu escrevi que a presidente pegou dinheiro para ela. O que eu escrevi é que ela não tomou as providências inerentes ao
cargo. Disseram que Edinho Silva fez negociações e abrem um inquérito. Ela põe o homem como ministro (da Secretaria de Comunicação Social). O Lula está sendo investigado, e ela põe o homem como ministro.

O Nestor Cerveró foi ela quem indicou e todo mundo sabe que ele operava tudo aquilo ali. O Paulo Roberto Costa foi até no casamento da filha dela, e, apesar de todos os indícios vindo à tona, ela seguia negando e não afastava as pessoas. Crime de responsabilidade não está ligado necessariamente a pegar dinheiro para si. Ela tem responsabilidade de zelar pela gestão, pela coisa pública, e afastar quem está sendo investigado, ou quando já há elementos suficientes, mudar diretores. Ela não fez nada disso. Não é negligência, é dolo mesmo. Houve intenção. Ela se omitiu dolosamente. Ela sabia, e o senador Delcídio do Amaral acabou de falar na delação premiada que ela sabia.

Como vê o fato de a Comissão Especial ter retirado a delação do Delcídio do pedido de impeachment?
A delação confirmou tudo que a gente escreveu no pedido. É apenas uma prova a mais de que a gente estava com a razão lá atrás. Acho que estão sobrando elementos para esse impeachment. Se ele vai ocorrer ou não, é outra história. Mas, do ponto de vista técnico jurídico, digo que tem que sair. Anexei a delação do Delcídio como prova, mas ela foi desanexada a pedido dos deputados, inclusive da oposição. Não consigo entender.

Também há críticas quanto às pedaladas fiscais. A imprensa relatou que elas foram utilizadas nos municípios e Estados, e que se o Brasil destituir uma presidente com base nisso, ao menos 16 governadores também poderiam ter o mesmo fim.
Sobre isso há documento que não acaba mais. Foram muitos anos. Isso ocorreu em 2013, 2014 e 2015, pegando dinheiro dos bancos públicos sem contabilizar, e não só para programas sociais, mas também para passar para empresários, quebrando os bancos públicos, fazendo uma contabilidade fictícia, de fachada, dizendo que nós tínhamos superavit quando na verdade estávamos com um rombo bilionário.
Sobre os governadores, que tirem, que saiam todos, chega.

A senhora diz que outro motivo forte para a queda do governo são os indícios de uma corrupção sistemática, que permeia o Executivo, congressistas e estatais. Como avalia as acusações, em delações premiadas, de que a República vem funcionando assim há décadas, incluindo governos anteriores?
Eu acho que o PT abraçou a corrupção como um método de governo. Vejo uma diferença entre o PT e os governos anteriores. Isso significa que as corrupções anteriores tenham que ficar impunes? Não. Todos devem ser punidos. Mas houve um salto no PT em termos de valores. Não vou pôr a mão no fogo e dizer que não aconteceu (antes), mas não acho que era um método, como os petistas têm, com esquemas desenhados e estruturados.

Como a senhora avalia a decisão, do juiz Sergio Moro de divulgar o grampo da conversa entre Lula e Dilma? Na sua visão, o diálogo configura tentativa de obstrução da Justiça?
O Moro não é da oposição. Ele é um juiz independente e sério, que está fazendo um trabalho pelo país merecedor de uma medalha, e não esse monte de pedidos para ele ser preso. Sobre a retirada do sigilo, eu particularmente não vejo nenhuma ilegalidade. Ninguém está falando, por enquanto, que a presidente cometeu um crime ali, naquele fato. Ele poderia ter sido mais cauteloso e perguntar (ao Supremo Tribunal Federal)? Talvez. Mas talvez tenha pensado que, se demorasse, o fato iria se concretizar e Lula viraria ministro. Sobre o diálogo, entendi a mesma coisa que todo mundo entendeu. Vai ter que ter uma investigação, claro, mas para mim ela estava dando um salvo-conduto para que, se viessem prendê-lo, ele pudesse dizer que já era ministro. Não quero entrar no mérito se trata-se de obstrução da Justiça, mas creio que no mínimo é uma imoralidade.

Como vê a possibilidade de o vice-presidente Michel Temer ser implicado devido ao processo que tramita no TSE, relacionado ao financiamento da campanha de 2014, e as acusações e o pedido de cassação que pairam sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, respectivamente segundo e terceiro na linha de sucessão?
Veja, a situação do país é complicada. Mas agora por isso vou deixar no cargo alguém que não tem condições de permanecer? Acho que a gente precisa começa a enfrentar essa situação, porque não dá mais para jogar a sujeira para baixo do tapete.

Como imagina um Brasil pós-impeachment, e como acha que seu nome será lembrado no futuro?
Imagino um Brasil onde as crianças realmente vejam que vale a pena ser correto, ser honesto e fazer o bem. Preferiria que o vice assumisse e terminasse o mandato e que a eleição acontecesse no momento adequado, que é 2018. Acho que para o país isso é melhor. E não é porque eu ame o Temer, é porque é questão institucional, acho que é melhor que a eleição aconteça na data certa. Sobre o meu nome, não sei. De verdade eu não sei. A história pertence aos homens, e o meu compromisso é com Deus, apesar de não ter uma religião específica. O meu compromisso é com o que eu acho que é justo. Como a história vai escrever, se é que vai escrever, não me pertence.
 

Continue lendo
  • Arnaldo Jabor
  • 01 Abril 2016

(A atualidade de um texto antigo dá o testemunho do tempo sobre nossa tolerância com o intolerável.)


Ai de ti, Brasil, eu te mandei o sinal, e não recebeste. Eu te avisei e me ignoraste, displicente e conivente com teus malfeitos e erros. Ai de ti, eu te analisei com fervor romântico durante os últimos 20 anos, e riste de mim. Ai de ti, Brasil! Eu já vejo os sinais de tua perdição nos albores de uma tragédia anunciada para o presente do século XXI, que não terá mais futuro. Ai de ti, Brasil – já vejo também as sarças de fogo onde queimarás para sempre! Ai de ti, Brasil, que não fizeste reforma alguma e que deixaste os corruptos usarem a democracia para destruí-la. Malditos os laranjas e as firmas sem porta.

Ai de ti, Miami, para onde fogem os ladrões que nadam em vossas piscinas em forma de vagina e corcoveiam em "jet skis", gargalhando de impunidade. Malditas as bermudas cor-de-rosa, barrigas arrogantes e carrões que valem o preço de uma escola. Maldita a cabeleira do Renan, os olhos cobiçosos de Cunha, malditos vós que ostentais cabelos acaju, gravatas de bolinhas e jaquetões cobertos de teflon, onde nada cola. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Brasília? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?

Ai de vós, celebridades cafajestes, que viveis como se estivésseis na Corte de Luís XIV, entre bolsas Chanel, gargantilhas de pérola, tapetes de zebra e elefantes de prata. Portais em vosso peito diamantes em que se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis. Ai de vós, pois os miseráveis se desentocarão, e seus trapos vão brilhar mais que vossos Rolex de ouro. Ai de ti, cascata de camarões!

Tu não viste o sinal, Brasil. Estás perdido e cego no meio da iniquidade dos partidos que te assolam e que contemplas com medo e tolerância?

Cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras, e deste risadas ébrias e vãs no seio do Planalto. Ai de vós, intelectuais, porque tudo sabeis e nada denunciais, por medo ou vaidade. Ai de vós, acadêmicos que quereis manter a miséria "in vitro" para legitimar vossas teorias. Ai de vós, "bolivarianos" de galinheiro, que financiais países escrotos com juros baixos, mesmo sem grana para financiar reformas estruturais aqui dentro. Ai de ti, Brasil, porque os que se diziam a favor da moralidade desmancham hoje as tuas instituições, diante de nossos olhos impotentes. Ai de ti, que toleraste uma velha esquerda travestida de moderna. Malditos sejais, radicais de cervejaria, de enfermaria e de estrebaria – os bêbados, os loucos e os burros –, que vos queixais do país e tomais vossos chopinhos com "boa consciência". Ai de vós, "amantes do povo" – malditos os que usam esse falso "amor" para justificar suas apropriações indébitas e seus desfalques "revolucionários".

Ai de vós, que dizeis que nada vistes e nada sabeis, com os crimes explodindo em vossas caras.

Ai de ti, que ignoraste meus sinais de perigo e só agora descobriste que há cartéis de empresas que predam o dinheiro público, com a conivência do próprio poder. Malditas sejam as empresas-fantasma em terrenos baldios, que fazem viadutos no ar, pontes para o nada, esgotos a céu aberto e rapinam os mínimos picuás dos miseráveis.

Malditos os fundos de pensão intocáveis e intocados, com bilhões perdidos na Bolsa, de propósito, para ocultar seus esbulhos e defraudações. Malditos também empresários das sombras. Malditos também os que acham que, quanto pior, melhor.

A grande punição está a caminho. Ai de ti, Brasil, pois acreditaste no narcisismo deslumbrado de um demagogo que renegou tudo que falava antes, que destruiu a herança bendita que recebeu e que se esconde nas crises, para voltar um dia como "pai da pátria". Maldito esse homem nefasto, que te fez andar de marcha à ré.

Ai de ti Brasil, porque sempre te achaste à beira do abismo ou que tua vaca fora para o brejo. Esse pessimismo endêmico é uma armadilha em que caíste e que te paralisa, como disse alguém: és um país "com anestesia, mas sem cirurgia".

Ai de vós, advogados do diabo que conseguis liminares em chicanas que liberam criminosos ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões. Maldita seja a crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos. Malditos os compradiços juízes, repulsivos desembargadores, vendilhões de sentenças para proteger sórdidos interesses políticos. Malditos sejam os que levam dólares nas meias e nas cuecas e mais ainda aqueles que levam os dólares para as Bahamas. Ai de vós! A ira de Deus não vai tardar...

Sei que não adianta vos amaldiçoar, pois nunca mudareis a não ser pela morte, guerra ou catástrofe social que pode estar mais perto do que pensais. Mas, mesmo assim, vos amaldiçoo. Ai de ti, Brasil!

Já vejo as torres brancas de Brasília apontando sobre o mar de lama que inundará o Cerrado. Já vejo São Paulo invadida pelas periferias, que cobrarão pedágio sobre vossas Mercedes. Escondidos atrás de cercas elétricas ou fugindo para Paris, vereis então o que fizestes com o país, com vossa persistente falta de vergonha. Malditos sejais, ó mentirosos, vigaristas, intrujões, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente. Ai de ti, Brasil, o dia final se aproxima.

Se vossos canalhas prevalecerem, virá a hidra de sete cabeças e dez chifres em cada cabeça e voltará o dragão da Inflação. E a prostituta do Atraso virá montada nele, segurando uma taça cheia de abominações. E ela estará bêbada com o sangue dos pobres, e em sua testa estará escrito: "Mãe de todas as meretrizes e mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país". Ai de ti, Brasil! Canta tua última canção na boquinha da garrafa.
 

Continue lendo
  • Bernardo Santoro
  • 31 Março 2016

 

(Publicado originalmente em http://www.institutoliberal.org.br/)

Um dos frames políticos que mais está em voga no momento é o “argumento do golpismo”. De acordo com a esquerda, mais precisamente o Governo, embora tal ideia esteja mesmo sendo propaganda é pela rede de blogs petistas, abastecida por dinheiro público, as manifestações maciças do povo brasileiro são parte de um movimento ilegítimo promovido pela elite. Nada mais falso.

Em diversos locais, jornalísticos ou acadêmicos, especialistas de todos os lados do espectro político já afirmaram que, com a decisão do STF acerca do rito legal a ser utilizado em um processo de impeachment, e dado que esse instituto jurídico encontra-se amparado na Constituição, bem como o crime de responsabilidade e sua regulamentação, criar a pecha de ilegitimidade ou ilegalidade sobre tal procedimento é uma tentativa pueril de combater instituições com retórica rasteira.

Mesmo fazendo um papel ridículo, a esquerda ligada ao Governo continua a insistir em tal tese. No entanto, dada a absoluta falta de argumentos jurídicos contra o presente processo de impeachment, agora tenta se buscar a ilegitimidade do grande beneficiário político do desfecho positivo desse processo, que é o Vice-Presidente Michel Temer.

De acordo com os blogs petistas, em caso de impeachment, Michel Temer não teria legitimidade para assumir o mandato por não ter sido eleito para essa finalidade. Certamente o leitor desse blog já deve ter lido manifestações da esquerda radical exigindo novas eleições para se restaurar a “verdade democrática” das urnas. Se Dilma cair, segundo tais manifestantes, Temer deveria passar pelo crivo das urnas para assumir.

Mas o procedimento do impeachment não modifica ou quebra a verdade democrática. Nos termos da nossa legislação eleitoral, quando um eleitor vota em um candidato a Presidente, ele está também votando no seu Vice. Isso ocorre porque o eleitor não vota em uma pessoa, e sim em uma chapa.

É verdade que o eleitor médio brasileiro, ao votar em uma chapa de eleição majoritária, não costuma pesquisar acerca dos Vice-Presidentes, Vice-Governadores ou Vice-Prefeitos, mas deveriam, já que existe sempre a possibilidade de tais suplentes assumirem o mandato, seja em definitivo, seja em curta duração. Nos últimos 25 anos, apenas no Estado do Rio, tivemos 2 renúncias de Governadores faltando 9 meses para o fim do mandato (Brizola em 94 e Garotinho em 2002). Vice-Governadores assumiram também por motivo de doença, como o caso de Francisco Dornelles recentemente. Em âmbito nacional, em 1992 um Vice-Presidente assumiu definitivamente o cargo. Podemos estar vendo esse fenômeno ocorrer novamente.

Essa questão se torna ainda mais dramática ao falarmos de Senadores. O cargo de Senador é ocupado através de eleições majoritárias em chapa, onde o eleitor escolhe um candidato titular e dois suplentes. Esses suplentes assumem com muita frequência o cargo. É raro algum carioca ter ouvido falar em Regis Fichtner, Paulo Duque, Eduardo Lopes, Nilo Teixeira Campos, Geraldo Cândido ou Abdias Nascimento. Todos eles foram Senadores pelo Rio de Janeiro somente nos últimos 20 anos. O primeiro suplente do Senador Romário é um obscuro membro do PCdoB.

Se esquerdistas estão tão contrariados com a iminente ascensão de Michel Temer à Presidência da República, eles só podem apontar para um culpado: o eleitor da chapa PT/PMDB. Foi esse eleitor, não o revoltado oposicionista que foi pra rua nos últimos dois anos, o responsável por tal fato. Foram os esquerdistas que elegeram Temer, não a direita, e agora é dever deles admitirem isso para conviverem com a realidade onde o sufrágio universal democrático legitimará sim uma eventual presidência de Temer e do PMDB.

Em todo caso, a única coisa certa nesse processo é que a culpa, certamente, não é minha, afinal, eu não votei no Temer. Aquele que pariu Michel que o embale.
 

Continue lendo
  • Gilberto Simões Pires
  • 31 Março 2016

(Publicado originalmente em pontocritico.com)

PASSO IMPORTANTE
Ontem, como já era esperado com extrema ansiedade pelo povo brasileiro, o PMDB deu um passo importante para, em breve, livrar o país do PT.

ENORME ATRASO
Ainda que o PMDB tenha agido com enorme atraso, não é oportuno ficar lamentando. Sabe-se no entanto, que se tal decisão tivesse sido tomada dez anos atrás é bem provável que a situação do país, mesmo longe de ser o que os pensantes almejam, até porque o PMDB não é nenhuma -Brastemp- estaria menos traumatizada.

A SOLUÇÃO PASSA PELO IMPEACHMENT
Volto a repetir: antes de tudo a saída de cena de Dilma, do PT e de Lula, não acaba com os graves problemas que o nosso pobre país vive. Entretanto, qualquer solução que precisa ser tomada com urgência, passa, indiscutivelmente, pela saída definitiva daqueles que levaram o país ao caos.

AUMENTO DO ESTRAGO
Como o comando da Nação continua nas mãos sujas do PT, com Dilma-Mentirosa-Rousseff à frente, na medida em que vai se extinguindo o prazo para o afastamento da presidente (como esperamos com todas as nossas forças) os estragos nas contas públicas devem aumentar, de forma exponencial.

ROMBO AINDA MAIOR
Vale observar que antes do fechamento do primeiro trimestre de 2016, que acontece amanhã, o governo admitiu, provisoriamente, que o país fechará o ano com um ROMBO DE QUASE R$ 100 BILHÕES nas Contas Públicas.
Pois, para obter apoio contra o Impeachment, Dilma acenou aos interessados com verba de R$ 50 bilhões. Ou seja, como não há recursos, este valor vai para o aumento do ROMBO, que, por enquanto, deve ultrapassar R$ 150 BILHÕES. Que tal?

CRIMES HEDIONDOS
Portanto, para que jamais seja esquecido, além de promover os maiores atos de corrupção jamais vistos no mundo todo, o PT ainda é responsável por outros dois crimes igualmente hediondos:
1- pela destruição, intencional, da economia brasileira; e,
2- pela infecção generalizada da ideologia do atraso nos cérebros de milhões de brasileiros.

CONTRA TUDO E CONTRA TODOS

Para concluir, eis aí um importante levantamento -oficial- feito pelo Instituto Endireita Brasil, sobre o comportamento do PT. Vejam com quem estamos tratando, desde 1985:
1985 -
O PT É CONTRA A ELEIÇÃO DE TANCREDO NEVES E EXPULSA OS
DEPUTADOS QUE VOTARAM NELE.
1988 -
O PT VOTA CONTRA A NOVA CONSTITUIÇÃO QUE MUDOU O RUMO DO BRASIL.
1989 -
O PT DEFENDE O NÃO PAGAMENTO DA DÍVIDA BRASILEIRA, O QUE
TRANSFORMARIA O BRASIL NUM CALOTEIRO MUNDIAL.
1993 -
PRESIDENTE ITAMAR FRANCO, CONVOCA TODOS OS PARTIDOS PARA UM GOVERNO DE COALIZÃO PELO BEM DO PAÍS. O PT FOI CONTRA E NÃO PARTICIPOU.
1994 -
O PT VOTA CONTRA O PLANO REAL E DIZ QUE A MEDIDA É ELEITOREIRA.
1996 -
O PT VOTA CONTRA A REELEIÇÃO. (HOJE DEFENDE).
1998 -
O PT VOTA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA TELEFONIA, MEDIDA QUE HOJE NOS PERMITE TER ACESSO A INTERNET E MAIS DE 150 MILHÕES DE LINHAS TELEFÔNICAS.
1999 -
O PT VOTA CONTRA A ADOÇÃO DO CÂMBIO FLUTUANTE.
1999 -
O PT VOTA CONTRA A ADOÇÃO DAS METAS DE INFLAÇÃO.
2000 -
O PT LUTA FEROZMENTE CONTRA A CRIAÇÃO DA LEI DA RESPONSABILIDADE FISCAL, QUE OBRIGA OS GOVERNANTES A GASTAREM APENAS O
QUE ARRECADAREM, OU SEJA, O ÓBVIO QUE NÃO ERA FEITO NO BRASIL.
POR QUE SERÁ?
2001 -
O PT VOTA CONTRA A CRIAÇÃO DOS PROGRAMAS SOCIAIS NO GOVERNO
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO:
BOLSA ESCOLA, VALE ALIMENTAÇÃO, VALE GÁS,
PETI E OUTRAS... BOLSAS SÃO CLASSIFICADAS COMO ESMOLAS ELEITOREIRAS E
INSUFICIENTES.
QUASE TODA ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA DO BRASIL, FOI CONSTRUÍDA NO PERÍODO LISTADO ACIMA. O PT FOI CONTRA TUDO E CONTRA TODOS.
HOJE ROUBAM TODOS OS AVANÇOS QUE OS OUTROS PARTIDOS PROMOVERAM, E POSAM COMO OS ÚNICOS CONSTRUTORES DE UM PAÍS DEMOCRÁTICO.
JÁ QUE O PT FOI CONTRA TUDO E CONTRA TODOS DESDE A SUA FUNDAÇÃO, FICA UMA PERGUNTA PARA QUE OS LEITORES RESPONDAM:
EM 13 ANOS DE GOVERNO, QUAIS AS REFORMAS QUE O PT PROMOVEU NO BRASIL
PARA MUDAR O QUE OS SEUS ANTECESSORES DEIXARAM?

 

Continue lendo
  • Décio Antônio Damin
  • 31 Março 2016

           

Somos homens comuns! Não gosto desta classificação. Políticos, juízes, ministros, autoridades, transformados em “pop stars”, dizem estar falando de maneira acessível ao dirigir-se a nós e colocando-se em outro patamar. Dividem os brasileiros e as suas cabeças, em “coroadas e ilustradas” (as deles) e “não coroadas e limitadas” (as nossas). Tal divisão me provoca indignação, pois, comumente não se percebe autoridade intelectual e por vezes, nem moral, nos que fazem esta discriminação! Dá assim para entender as afirmações de Dostoiévski nas suas “Notas do Subsolo” quando diz que “o homem culto, inteligente, deve tornar-se uma pessoa sem caráter, se quiser se tornar alguém”, explico eu, crescer na vida política, enriquecer, “tornar-se enfim importante”. Deveria para isto, e esta é a beleza da afirmação, se soltar das amarras éticas que o prendem, mas, como não o faz dá chance aos outros sem princípios a respeitar, de lhe tomarem a frente e passarem a ditar regras e fazer leis que regerão a vida de todos. Dostoiévski adota, neste momento, a “filosofia da preguiça” como um meio ideal para viver. É um preguiçoso porque quer e não por incapacidade ou distúrbio de conduta. É diferente do preguiçoso que nada faz porque é incapaz ou indolente! É uma filosofia de vida perigosa e desaconselhável até, e acredito que quando ele a externou deveria estar deprimido, refugiando-se em seu “subsolo”. “Fazer o quê, por que e para quê?”deve ter se perguntado ao ver que nada muda!

Erudição é apenas uma parte do intelecto e da inteligência que tem outros componentes. Não ler, não reviver as experiências de outros, que as perenizaram, é ignorar o porquê dos conhecimentos que nos trouxeram até aqui. Equivaleria a ter que redescobrir tudo!

No Brasil em que vemos semi-analfabetos (e até analfabetos) ocupando cargos importantes dirigir-se a nós numa linguagem inculta que apenas lembra a “Última Flor do Lácio”, tratando-nos como mentecaptos, orgulhando-se (e servindo de mau exemplo) de nunca terem lido um livro sequer, é que nos sentimos agredidos ao sermos rotulados de “comuns”, até com um certo desdém. Afinal, quem são os homens comuns? Seremos todos nós, os anônimos que levantam cedo para trabalhar, estudam, esforçam-se, ganham pouco, pagam impostos, criam os filhos como podem e ensinam o que sabem? Serão os analfabetos, os doutores, os endividados, os que votam acreditando em promessas e são enganados, assaltados, que não tem planos de saúde ou até os tem, os que estão nas filas do SUS e em outras, ou amontoados numa emergência, que riem, choram, perdem o sono, se desesperam, esperam, esperam... , vão para a cadeia sem maiores recursos..., e jamais serão prioridade? Nem serão “consultores” de qualquer coisa para ganhar milhões de clientes cujos nomes não poderão declarar? É tempo de parar com isso, e sermos apenas homens iguais e conquistando o que for possível pelo mérito, pela dedicação e pelo suor. Talvez assim, como Dostoiévski, não precisemos mais nos refugiar no “nosso subsolo” e curtir a nossa desesperança!

* Médico 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

Continue lendo
  • Fernanda Barth
  • 31 Março 2016

(Publicado originalmente em www.fernandabarth.com.br)

Tivemos informações de que hoje pela manhã os líderes do Movimento dos Sem Terra, José Stédile, e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, estiveram reunidos a portas fechadas dentro do palácio do Planalto, tendo como álibi o lançamento do programa Minha Casa Minha Vida 3. O motivo seria o planejamento da resistência contra o impeachment de Dilma e a possível prisão do ex-presidente Lula. A convocação aos movimentos seria a partir de amanhã, dia 31/03 e iria até a votação do impedimento da presidente.

Eu acho incrível mesmo que após quase 14 anos de governo Lulopetista ainda existam sem terra e que estes ainda apoiem o PT. Foram 14 anos podendo fazer a reforma agrária tão prometida, mas que em números não saiu do papel. Em compensação ONGs ligadas ao MST de Stédile receberam, só no governo Lula, mais de R$ 152 milhões de reais. E tem mais, quem "manda" no Ministério da Defesa é a Secretária Maria Cella, mulher do Chicão, subcomandante do MST, a mesma que Dilma escalou como ministra interina na Casa Civil, no lugar de Lula.

Já Boulos (MTST), após duras críticas ao Minha Casa Minha Vida em 2014 e 2015, onde ameaçou romper com o governo, conseguiu liberar mais de R$ 89 milhões de reais junto ao Ministério das Cidades, engrossando a adesão ao movimento e ajudando a direcionar os recursos para simpatizantes do partido, competindo por moradia com os outros movimentos que não são ligados ao PT.

De abril de 2008 a abril de 2015, o governo federal repassou R$ 1 bilhão para centrais, sindicatos e confederações de empresários e trabalhadores no Brasil. Em um período de de 7 anos, seis centrais (cinco entre 2012 e 2014) receberam, ao todo, um bilhão de reais do governo federal. Nenhum centavo desse volume foi fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pois em abril de 2008 o ex-presidente Lula vetou o artigo da Lei 11.648, que previa a fiscalização dos recursos pelo TCU. A CUT sozinha já abocanhou mais de R$ 340 milhões desde 2008, só da Petrobrás teriam vindo R$ 26 milhões de reais.

Estes movimentos, pagos com verbas públicas, são os sustentáculos que sobraram para o atual governo.
Há sete dias atrás Boulos fez uma ameaça terrorista ao País, pregando o ódio e incentivando a violência. Vejam o que ele afirmou:

"Não haverá um dia de paz do Brasil. Podem querer derrubar o governo, podem prender arbitrariamente o Lula ou quem quer que seja, podem querer criminalizar os movimentos populares, mas achar que vão fazer isso e depois vai reinar o silêncio e a paz de cemitério é uma ilusão de quem não conhece a história de movimento popular neste país. Não será assim. Há setores do mercado que acham que vão tirar Dilma e vão fazer as "reformas estruturais" que se precisa para a sociedade brasileira. O escambau. Este país vai ser incendiado por greves, por ocupações, mobilizações, travamentos. Se forem até as últimas consequências nisso não vai haver um dia de paz no Brasil', completou, em entrevista coletiva junto aos coordenadores da Frente Povo Sem Medo.

Pergunto aos meus leitores, este homem reclama da criminalização dos movimentos mas....o que ele mesmo está fazendo? Não é crime fomentar o ódio, disseminar o medo e incentivar a violência? Se a lei antiterrorismo brasileira não tivesse sido destruída, para favorecer bandidos sob bandeiras políticas, ele poderia ser penalizado legalmente por estas afirmações.

Estão circulando no facebook e no whatsapp informações sobre ofícios que estariam circulando com a convocação paga de militantes que receberiam de R$ 100,00 a R$ 300,00 reais para se deslocarem para Brasília e lá ficarem até a votação do impeachment. A meta seria 100 mil pessoas durante aproximadamente 15 dias. Se cada um destes for a um custo médio de R$ 150,00 e custar R$ 30 reais por dia, durante 15 dias, isto daria R$ 15.000.000,00 (quinze milhões para deslocamento) mais R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões em comida), totalizando, por baixo, R$ 60 milhões de reais (sessenta milhões). Me pergunto, de onde sai tanto dinheiro??? Ora, é só ler os dados acima que teremos a resposta.

Um governo moribundo que não consegue por gente na rua de forma legítima, só consegue na base do pagamento ou do toma-lá-da-cá. Líderes de movimentos que vivem as custas do governo, com recursos oriundos da Caixa Econômica Federal, Petrobrás e BNDES. É o último suspiro do Lulopetismo, que não diferencia o público do privado, e que se apropria do estado em causa própria, para favorecer os seus, se perpetuar no poder e enriquecer.

Vejo esta "resistência" contratada que estaria sendo planejada como mais uma provocação deste governo que torce pela explosão do conflito físico em Brasília, para arranjar justificativas para o que eles chamariam de "contra-golpe". O negocio é desnudarmos isto antes de acontecer. E vamos sempre questionar: quem paga a conta destas mobilizações que estariam sendo orquestradas? A quem interessa isto? Quem estes grupos realmente representam?

Saiba mais sobre os recursos que irrigam o MTST e o MST:

http://noticias.terra.com.br/brasil/ongs-ligadas-ao-mst-lideram-arrecadacao-de-verba-federal,b62a3e232cb4b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/minha-casa-minha-vida-financia-luta-socialista-do-movimento-sem-teto-7909p3b5d817udr4pxrrl8j1x
http://extra.globo.com/noticias/brasil/mtst-recebeu-89-milhoes-do-minha-casa-minha-vida-11271217.html
http://economia.estadao.com.br/blogs/joao-villaverde/caixa-preta-dos-repasses-federais/
 

Continue lendo