(Reproduzido de http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino)
Se você quiser saber quem tem privilégios em uma sociedade, vá atrás da raiva.
Há pessoas nos EUA que podem expressar a raiva com segurança. E há pessoas que não podem. Se você está com raiva porque Trump venceu, sua raiva é socialmente aceitável. Se você está com raiva porque Obama venceu, ela não é.
A raiva de James Hodgkinson era socialmente aceitável. Ela continuou sendo socialmente aceitável até ele extrapolar e chegar ao homicídio. E ele não está só. Existe Micah Xavier Johnson, o assassino de policial do Black Lives Matter de Dallas, e Gavin Long, o assassino de policiais do Black Lives Matter em Baton Rouge. Se você é negro e sente raiva da polícia, sua raiva é festejada. Se você é branco e sente raiva pelo bloqueio de viagens do Terror, pela rejeição ao tratado do clima de Paris, ou por qualquer causa da esquerda, você está do lado dos anjos raivosos.
Mas se você é branco e sente raiva porque seu emprego está indo para a China ou por ter escapado por um triz de ser morto por um muçulmano suicida com bombas, sua raiva é inaceitável.
Se você é um esquerdista raivoso, seu líder partidário, Tom Perez, vai gritar e xingar ao microfone, e sua aspirante a candidata à presidência, Kirsten Gillibrand, vai xingar junto, para canalizar a raiva da base. Mas se você é um conservador raivoso, então Trump canalizar sua raiva é “perigoso” porque você não tem permissão para sentir raiva.
Nem toda raiva é igual. Alguma raiva é raiva privilegiada.
A boa raiva consegue uma boquinha de comentarista na CNN. A má raiva faz você ser expulso do seu emprego. A boa raiva não é, de forma alguma, descrita como raiva. Em vez disso, ela é linguisticamente transformada em “passional” ou “corajosa”. A má raiva, entretanto, é “preocupante” e “perigosa”. Os militantes esquerdistas raivosos “clamam”; os militantes de direita raivosos “ameaçam”. A boa raiva é de esquerda. A má raiva é de direita.
Demonstrações de raiva socialmente aceitáveis, do Occupy Wall Street aos distúrbios do Black Lives Matter até as marchas contra Trump e os furiosos protestos nos campus universitários, são invariavelmente esquerdistas.
A raiva da esquerda pela eleição de Bush e de Trump foi santificada. A indignação da direita pela vitória de Obama foi demonizada. Agora, a raiva da esquerda levou um voluntário de Bernie Sanders a abrir fogo em um evento beneficente republicano, um treino de beisebol. E a mídia hesita em admitir que talvez os dois lados devam moderar a retórica. Antes de listar exemplos que tenham tendência à direita como o “Prende ela”.
Por que slogans como o “Prende ela” são desmedidos, mas os gritos de “o chefe na cadeia” da era Bush não são? Por que os comícios do Tea Party eram “ameaçadores”, mas a última marcha “Nós Odiamos Trump” é corajosa? Por que matar Trump no palco é a forma mais maneira de encenar Shakespeare enquanto um palhaço de rodeio que usou uma máscara de Obama foi massacrado por todos, do vice-governador do Missouri até a NAACP?
Nem toda raiva é igual. A raiva, como qualquer outra coisa, é ideologicamente codificada. A raiva esquerdista é boa porque os fundamentos ideológicos são bons. A raiva da direita é má porque a ideologia é má.
O que torna a raiva boa ou má não é o nível, a intensidade ou a natureza ameaçadora.
E é por isso que a esquerda recorre à violência com tanta facilidade. Todos os fins ideológicos dela são bons. Portanto, significa que desde fome maciça, gulags, distúrbios e tirania, tudo tem de ser bom. Se eu furar seus pneus por causa do seu adesivo favorável ao Obama, eu sou um monstro. Mas se você arranhar o meu carro por causa do meu adesivo favorável ao Trump, você está combatendo o racismo e o machismo. Suas táticas podem ser equivocadas, mas seu ponto de vista não é.
Não há padrões universais de comportamento. A civilidade, como tudo o mais, é limitada ideologicamente.
A teoria interseccional não desaprova a expectativa de comportamento civilizado vinda de manifestantes “oprimidos”. Pedir que os estridentes manifestantes dos campus não berrem ameaças na sua cara é “policiamento de tom”. A filha de um afro-americano milionário em Yale está lutando pela própria “existência”, diferente de um mineiro de carvão da Pensilvânia, do oficial de polícia de Baltimore e da florista cristã cujas existências estão realmente ameaçadas.
O policiamento de tom é o que protege a raiva dos esquerdistas privilegiados, enquanto a frustração das vítimas deles é suprimida. A existência do policiamento de tom como um termo específico de proteção das demonstrações de raiva da esquerda exibe o colapso da civilidade sugada pelo privilégio da raiva. A civilidade foi substituída por uma prerrogativa política à raiva.
A esquerda se orgulha de ter uma superioridade moral não conquistada (“Quando eles descem, nós subimos”) reforçada pela própria câmara de eco enquanto ela se torna incapaz de controlar os próprios acessos de raiva. O chilique nacional depois da vitória de Trump quase conseguiu calar o governo, transformou todos os veículos de mídia em alimento inesgotável de teorias de conspiração e disparou protestos que logo chegaram à violência urbana.
Mas a Síndrome da Irracionalidade de Trump é um sintoma de um problema da esquerda que existia desde antes de ele nascer. A esquerda é um movimento raivoso. Ela é animada por uma indignação pomposa cuja superioridade moral se desdobra em desumanização. E o maquinário cultural da esquerda dá glamour a essa raiva. A mídia enfeita a raiva borbulhante de modo a que a esquerda nunca tenha de encarar o próprio Hodgkinson no espelho.
A esquerda está mais raivosa do que nunca. Os distúrbios nos campus e os atentados contra políticos republicanos não são nenhuma novidade. O que está mudando é que os adversários estão começando a se igualar em raiva. A esquerda ainda se agarra à mesma raiva que tinha quando era um movimento teórico com planos, mas pouco impacto no país. A indignação contra a esquerda não é mais ideológica. Há milhões de pessoas cujos planos de saúde foram destruídos pelo Obamacare, cujo direito à livre expressão foi retirado, cuja terra foi confiscada, cujos filhos foram doutrinados contra eles e cujos meios de vida foram destruídos.
A esquerda raivosa ganhou muito poder. Ela usou esse poder para destroçar vidas. Ela está conspirando ansiosamente para privar cerca de 63 milhões de pessoas de seus votos pelo uso de seu poder entrincheirado no governo, da mídia e do terceiro setor. E ela está blindada demais pela própria raiva pelo resultado da eleição para reconhecer a raiva dos próprios abusos de poder no atacado e nos chiliques privilegiados.
Mas o monopólio da raiva só funciona em estados totalitários. Em uma sociedade livre, espera-se que os dois lados controlem a raiva e encontrem termos nos quais possam debater e resolver as questões. A esquerda rejeita a civilidade e se recusa a controlar a raiva. O único termo que ela vai aceitar é o poder absoluto. Se uma eleição não dá um resultado que lhe agrade, ela vai derrubar o resultado. Se alguém a ofende, tem de ser punido. Ou haverá raiva.
A esquerda raivosa exige que todos reconheçam a absoluta retidão da sua raiva como base do seu poder. Esse privilégio da raiva, como o policiamento de tom, é frequentemente apresentado em termos de grupos oprimidos. Mas a raiva da esquerda não desafia a opressão, ela busca a opressão.
O privilégio da raiva é usado para silenciar a oposição, para fazer cumprir postura ilegais e para tomar o poder. Mas o monopólio da raiva da esquerda é cultural, não político. A indústria do entretenimento e a mídia podem fazer cumprir as normas do privilégio da raiva através da humilhação pública, mas a difamação não pode deter as consequências do colapso da civilidade na vida pública. Não existe monopólio de emoção.
Quando a raiva se torna a base do poder politico, ela não vai parar com Howard Dean ou Bernie Sanders. Foi isso o que a esquerda descobriu na última eleição. O falso horror da esquerda foi uma reação às consequências da própria destruição da civilidade. A reação da esquerda à demonstração de raiva dos conservadores e dos independentes foi o agravamento do conflito. Em vez de se apresentar como oposição, a esquerda se tornou a “resistência”. Trump se tornou simultaneamente Hitler e traidor. Os republicanos se tornaram feras malignas.
James Hodgkinson absorveu tudo isso. A esquerda alimentou a raiva dele. E, finalmente, ele surtou.
A raiva tem de escoar.
A esquerda gosta de pensar que a própria raiva é boa raiva porque é raiva contra as tribulações de estrangeiros ilegais, terroristas muçulmanos, banheiros transgêneros, a falta de aborto na Carolina do Sul, o salário mínimo no Taco Bell, os cortes de orçamento, os cortes tributários, as prisões pela polícia, os ataques com drones e todos os outros modos em que a realidade seja diferente da utopia. Mas tanta raiva não leva a um mundo melhor, mas leva ao ódio e à violência.
Milhões de esquerdistas como Hodgkinson ouvem todo dia que os republicanos são responsáveis por tudo de errado na vida deles, no país e no planeta. Apesar de tudo o que eles fazem, de todas as petições que eles assinam, das marchas a que comparecem, dos donativos, das cartas raivosas, das arengas nas mídias sociais, os republicanos continuam a existir e até são eleitos para cargos públicos. Pra onde vai tanta raiva?
Ou nós temos um sistema politico baseado nas leis em vigor e nas normas de civilidade, ou teremos um baseado em golpes e na raiva populista da esquerda. E eles já existem aos montes ao sul das nossas fronteiras.
A raiva da esquerda é uma bolha privilegiada de arrogância que estoura eleição sim, eleição não. A opção é tentar entender o resto do país ou intimidar, censurar e oprimir, chegando, enfim, a matar os outros.
James Hodgkinson escolheu a segunda opção. A revolução esquerdista pessoal dele acabou, como todas as outras revoluções esquerdistas acabam, em sangue e violência. A esquerda pode se desfazer do próprio privilégio à raiva e examinar a própria arrogância.
Ou a violência que vem dela será o nosso futuro.
* Publicado originalmente no FrontPage Magazine, em tradução livre de Claudia Costa.
Enquanto o Brasil do SETOR PRIVADO, que realmente produz e faz com que a nossa economia siga respirando, ainda que por aparelhos, um outro Brasil, GOVERNAMENTAL, ou SETOR PÚBLICO, que além de não produzir coisa alguma ainda precisa ser alimentado, de forma descomunal e obrigatória pela escorraçada sociedade PAGADORA DE IMPOSTOS.
SUFOCO
Ora, diante do peso excessivo, confirmado pelo avantajado tamanho do SETOR PÚBLICO, todos aqueles que produzem e consomem (pagadores de impostos) se veem obrigados a RENUNCIAR a muitos de seus desejos, tanto de consumo quanto de investimentos, para satisfazer a insaciável fome GOVERNAMENTAL.
PROVA DAS CONTAS PÚBLICAS
O grande e inquestionável atestado desta fome insaciável do SETOR PÚBLICO, que não demonstra mínima vontade de fazer qualquer regime de emagrecimento, está estampado, com absoluta transparência e clareza, nas ALTAMENTE DEFICITÁRIAS CONTAS PÚBLICAS, não só do país como de vários Estados e Municípios.
PROVA DO PIB
Já no que diz respeito a real, espetacular e preocupante renúncia do consumo e, consequentemente, de investimentos na produção, está registrada através do péssimo desempenho do PIB brasileiro, que nos últimos anos só experimentou quedas pra lá de lamentáveis.
CORRUPÇÃO
Como se este quadro de incompetência -propositada- já não bastasse para levar, literalmente, o Brasil para dentro do abismo, sem saber se o buraco tem fundo ou se trata de algo infinito, a CORRUPÇÃO ganhou proporção incomensurável e tudo indica que levará muito tempo para ser desvendada.
SETOR PÚBLICO
Pois, diante deste quadro complicado e de difícil solução vê-se, claramente, dois tipos de comportamento:
1- grande parte do SETOR PÚBLICO, bafejado pelas forças sindicais, não aceita, em hipótese alguma, a perda de privilégios, a realização de reformas e a necessária diminuição da elevada taxa de desemprego. Para tanto rejeitam as reformas que poderiam estimular algum crescimento econômico, ainda que tímido.
SETOR PRIVADO
2- o SETOR PRIVADO, por sua vez, ao invés de entrar em campo para apoiar e/ou exigir as reformas que levem a uma abertura do caminho e da confiança para produzir e consumir de acordo com a sua vontade e interesse, só tem se apresentado para lamentar. Com isto, as corporações, que sequer são ameaçadas, vêm colhendo vitórias em cima de vitórias.
(Publicado originalmente em sensoincomum.org)
O apresentador Rodrigo Hilbert terá de depor por exibir o abatimento de uma ovelha. E se fosse um aborto? Ou o amor de Lula por cabritas?
O apresentador de programas de culinária Rodrigo Hilbert será intimado a prestar depoimento na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, para se explicar por ter cometido o hediondo crime de… abater uma ovelha em seu programa, que, segundo o Estadão, “mostrava a realidade dos produtores rurais em Santa Catarina”.
A situação transita perigosamente entre a comicidade e a morbidez totalitária, ainda mais em se tratando de um programa que mostra, justamente, a realidade dos produtores rurais. Afinal, quanto ainda podemos punir as pessoas por se apegarem à realidade, ao invés de viver em um safe space protegido por uma bolha de vácuo?
O caso de Rodrigo Hilbert parece alguma piada a ser comentada rapidamente na internet, mas reflete uma tendência muito maior e perigosa no Brasil e no mundo: a proibição do que possa ser “ofensivo”. Como se estar ofendido fosse sinônimo de estar certo. Ou, ainda pior, de estar sofrendo uma injustiça – basta pensar no que qualquer político diz ao ser pego com a boca na botija para entender o tamanho do problema.
A idéia de levar às autoridades (gerando jurisprudência e, posteriormente, costumes e leis) qualquer “ofensa” esconde ainda um perigo ainda maior, e nem por isso mais lento: a contemporânea proibição de falar a verdade. Rodrigo Hilbert, ao mostrar justamente a realidade da vida e do trabalho de produtores rurais, que alimentam o país inteiro e põem mistura no prato de cada pobre que pode comer um bife no país. Como alguém precisa depor por mostrar como se abate uma ovelha?
O apresentador foi denunciado por uma ONG de defesa de “direitos dos animais”. Uma petição na internet pediu o cancelamento do programa, sob esta justificativa (e esta é uma citação verdadeira):
“Porque ele assassinou ao vivo uma ovelha filhote, assassinou sorrindo, mostrando como é psicopata, monstruoso. Relatos de crianças que assistiram e não param de chorar, e perderam o apetite, e adultos também.”
Alguém precisa estar realmente doente para chamar um abate de “assassinato”, ou achar que tornar um animal em alimento é psicopatia. Estas pessoas não teriam a comida que receberam amorosamente da vovó e a capacidade de fazer sinapses tão longes de um silogismo se seus antepassados não tivessem comido ovelhas abatidas e muita proteína animal em um mundo selvagem e hostil. E alimentar famílias certamente é um motivo para sorrir. Votar em quem faz suruba financeira com dinheiro alheio via Friboi e JBS é que não é.
E adultos chorando por que Rodrigo Hilbert mostrou como se mata uma ovelha antes de se ter costelinha no supermercado? Já sugerimos aqui neste Senso Incomum na época da transmissão: que tal filmar um aborto? Podemos apostar de 10 contra 1 que os hipersensíveis que mandarão o apresentador para a delegacia por fazer o que é preciso ser feito para alimentar este país certamente são favoráveis ao aborto. Vamos filmar um aborto para ver se as criancinhas e adultos sorriem? Ou isso não seria “psicopatia”?
Pessoas apregoam o aborto livremente, e ninguém é obrigado a depor em delegacias por psicopatia. Para não falar em Maria do Rosário. Bastaria um único vídeo mostrando um aborto, ainda que indiretamente, e a discussão acabaria no país. Ou mesmo os vídeos da Planned Parenthood, a instituição à qual Hillary Clinton prometia mais verbas do pagador de impostos americanos em seus debates, cujos funcionários negociavam abertamente partes de fetos abortados.
Mas se a ONG de “direitos dos animais” quer fazer Rodrigo Hilbert ir à delegacia por transformar uma ovelha em alimento, desfrutado por 99% dos brasileiros, poderia exigir que um outro cidadão tenha de enfrentar a força da lei pelos maus tratos aos animais. Trata-se de Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista à Playboy em 1979 defendeu alguns hábitos sexuais que não citou em suas campanhas by Duda Mendonça:
Playboy – Com que idade você teve sua primeira experiência sexual?
Lula – Com 16 anos.
Playboy – Foi com mulher ou com homem
Lula (surpreso) – Com mulher, claro! Mas, naquele tempo, a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…
Hoje, só a surpresa em dizer que não é gay é que causaria asco à militância. Provavelmente sua defesa apaixonada, romântica e de bom selvagem pelo “mundo mais livre” da bestialidade fosse chamada de “transespecismo” ou algum outro nome acadêmico chic do gênero. E os críticos seriam pechados como transespeciofóbicos. Com hashtag e tudo.
Basta cotejá-la a uma notícia também curiosa: um restaurante vegano espanhol proibiu uma mãe de amamentar o filho com uma mamadeira por ser um produto de origem animal. Novamente, é o tipo de notícia na qual os Social Justice Warriors (SJW) não podem pensar por muito tempo ou tentar extrair um princípio, ou terão de escolher entre feministas e vegans, e sua noção de justiça é apenas a de que ambos estão sempre certos.
Além de exigir dispêndio com a lei por simplesmente filmar a realidade, proibir cada vez menos lentamente que se fale a verdade e criar busílis com algo inócuo (e mesmo necessário) em um país com problema de fome e 60 mil homicídios por ano (boa parte deles graças às políticas de Lula), a hipersensibilidade seletiva de nossos Social Justice Warriors só mostra o quanto estão afastados justamente da realidade que Rodrigo Hilbert mostrou in true colours. E do que preocupa de fato o brasileiro de carne e osso, assassinado por psicopatas e com horror ao genocídio infantil do aborto.
De fato, parece que o único jeito de lidar com ovelhas sem “ofender” nenhuma ONG na qual ninguém votou para definir o que deve ser proibido e o que deve ser livre é se as comermos vivas. Com amor e camisinha.
O PT mente com tamanha determinação e energia que, mesmo sendo o principal responsável pela crise econômica, política e moral que o País hoje enfrenta, consegue aparecer, pasme o leitor, como a vanguarda da luta contra um governo em cuja testa pregou o estigma de “corrupto” e “inimigo do trabalhador”. Se há algo que o governo de Michel Temer poderia aprender com os aguerridos petistas, é justamente o vigor com que eles se dedicam à tarefa de fazer prevalecer sua versão dos fatos, mesmo que esta, no caso petista, contrarie frontalmente a realidade. Tivesse metade dessa garra ao defender as reformas que encaminhou e ao denunciar o descalabro que herdou da trágica era lulopetista, certamente o presidente Temer estaria em melhor situação.
É certo que a mentira frequenta certos círculos políticos, mas, numa época em que, infelizmente, a verdade aparenta importar cada vez menos, o PT parece ter entendido muito bem o poder do discurso que seja apenas “lógico”, isto é, que faça “sentido”, embora não guarde relação nenhuma com a realidade. Se é de uma batalha que se trata, travada entre a realidade e a “pós-verdade” – termo que designa as circunstâncias em que as crenças pessoais são mais importantes do que os fatos objetivos –, o PT está claramente muito mais bem preparado para ela do que seus adversários.
Para um partido que foi dado como praticamente aniquilado depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff e da grande derrota nas eleições municipais de 2016, o PT ainda consegue atrapalhar, e muito, o necessário debate nacional. Basta que seu chefão, Lula da Silva, empunhe um microfone para que os grandes dilemas e desafios nacionais se reduzam a um confronto pueril entre o bem – representado pelos petistas, naturalmente – e o mal, encarnado no “resto”, em especial nos “golpistas” alinhados a Temer, na mídia e nos empresários gananciosos.
É claro que, deflagrada nesses termos, tal batalha exige muito mais do lado de quem precisa governar, isto é, lidar com os fatos da vida real, do que daqueles que não têm nenhuma responsabilidade. Enquanto Lula da Silva grita por aí que “voltou a ter criança pedindo esmola” e que “nós sabemos como fazer a economia crescer, como criar emprego, como aumentar salário”, o presidente Temer e sua competente equipe econômica precisam articular politicamente apoio a medidas de austeridade que são, por sua própria natureza, impopulares. Não é difícil imaginar quem sairá mais lanhado desse embate.
Queixar-se de que Lula está a desferir golpes abaixo da linha da cintura e tentar desmentir cada uma de suas patranhas, como se a verdade pudesse dessa maneira prevalecer, é justamente o que o demiurgo petista pretende. Os petistas em geral, e Lula em particular, têm certeza de que uma parte do eleitorado prefere acreditar nas suas mentiras delirantes, pois elas são um confortável refúgio ante o desafio de reconstruir o País à custa do sacrifício de todos. É perda de tempo, portanto, chamar os petistas à responsabilidade, porque eles nunca se dispuseram a colaborar efetivamente para a melhora da vida nacional, dado que estão preocupados apenas com seu projeto de poder, que está na gênese de toda essa crise.
O governo Temer faria melhor se viesse a público com a mesma determinação de seus tinhosos adversários petistas e defendesse de forma mais enfática as reformas econômicas de que o País tanto necessita. Também faria melhor se demonstrasse, ao mesmo tempo, o mal que o PT causou ao Brasil. Em situações normais não é elegante que um governante fique a justificar suas dificuldades citando a “herança maldita” de seu antecessor, mas definitivamente não vivemos tempos normais.
Nada garante que essa estratégia assegurará um triunfo completo sobre as mentiras de Lula e sua turma, mas pelo menos arregimentará, para o governo, um apoio mais vibrante do Brasil decente, que sabe muito bem o que o PT fez ao País e o que é preciso fazer para sair da crise.
(Publicado originamente em blog.kanitz.com.br)
Não existe restrições nem cortes para pesquisas no Brasil para vocês terem de ir para as ruas em protesto.
Os recursos para financiar pesquisas é praticamente ilimitado.
Chama-se Venture Capital.
Existem milhares de investidores, eu inclusive, que estamos dispostos a financiar projetos de pesquisa que tenham potencial em ajudar a humanidade.
Tem todos os tipos de financiadores, para cada estágio, chamado de Mezanino, Second round, Financiamento original, Private Equity, etc.
Nunca fui abordado por professores de RDIDP, dedicação integral a docência e pesquisa, para discutir formas de transformar essas pesquisas em produtos para a população que paga o ICMS da USP.
Fui professor por 30 anos na Faculdade de Economia e Administração, mas nunca fui procurado pelos professores da Química, Física, Engenharia, Psicologia, Ciências Sociais com uma ideia nova e como conseguir recursos para financiá-la.
Zero.
Fomos invadidos sim, várias vezes pelo alunos da FFLCH, a mando de seus professores, que nos acusam até hoje de sermos Produtivistas, e não eternos Críticos da Sociedade como eles.
Nunca vi um Congresso patrocinado pela USP falar bem de Venture Capital nem convidando todos para um USP Day.
Fernando Henrique Cardoso, ao contrário, criou aquele famoso Seminário Karl Marx, disseminando o ódio aos Engenheiros Têxteis de 1879.
Aqueles que inventaram os teares mecânicos que aumentaram dramaticamente a produtividade do Proletariado.
Razão pela qual temos hoje camisetas por R$ 2,00 e de sobra, dinheiro para contratar professores da USP.
O Estado não pode financiar pesquisas científicas porque o Estado não é uma pessoa física capaz de avaliar que pesquisas darão certo e que pesquisas darão errado.
Funcionários públicos sempre lidam com o dinheiro dos outros, e por ética administrativa não podem assumir os enormes riscos envolvidos em financiar as suas pesquisas.
O Brasil mudou, mas vocês ainda não perceberam?
Acorda, Brasil.
Em 22/04/2017
A notícia saiu no bem informado Site Diário do Poder. Um diretor da estatal venezuelana PDVSA (a Petrobras de lá), passou por Paris como um sheik. Na capital francesa, alheio à miséria que infelicita a Venezuela, hospedou se no hotel Four Seasons George V e, só em vinhos finos, gastou
uma obscenidade.
Em um canto da adega do hotel, aberta a visitação, ficaram dezenas de garrafas vazias de Petrus, um dos vinhos mais caros do mundo, todas esvaziadas pelo marajá bolivariano. A garrafa de Petrus custa no mínimo US$4 mil (equivalentes a R$13 mil). Mas ele entornou o que havia de mais caro: uma garrafa de Petrus magnum de R$120 mil. E, a julgar pela quantidade, não terá bebido sozinho: entre as garrafas vazias havia várias magnum (1,5 litro).
Que há de estranho? Nada. Em todos (TODOS!) os países em que se esboçou o socialismo é igual: luxo, ostentação, esbanjamento (do dinheiro dos outros!), eis a conduta típica da elite burocrática do socialismo. Nada de inusitado há, pois, em que um apaniguado do regime chavista haja
optado por hospedar-se no George V, cuja adega é tida por uma das mais completas do mundo, com mais de 50 mil garrafas consideradas "preciosidades".
Mas quem é o indigitado socialista? Por ora, ninguém saberá seu nome. O atencioso funcionário do Four Seasons George V conta a história, mas não revela quem é o privilegiado. A menos que o acaso favoreça a sagacidade
de algum jornalista, o nome desse agente da revolução bolivariana permanecerá como segredo do regime.
Aliás, o jornalista que desvendar a treta correrá o risco de levar uns tabefes. Em junho de 2015, o repórter Yasar Anter, da agência Dogan, flagrou Antonio Castro Soto del Valle (filho do ditador cubano Fidel Castro, socialista icônico) gozando férias como um potentado - alheio à
pobreza de seu país. Em Bodrum, na Turquia, aonde chegou em um iate alugado em Mykonos (charmosa ilha grega), Castro pagou, para seus 12 acompanhantes, cinco suítes de um resort cuja diária custava US$ 1 mil. Por causa do flagrante, o repórter acabou tomando porradas de um guarda-costas daquele príncipe da revolução cubana.
Afinal, o que é que vale, o socialismo real ou o do devaneio dos militantes? Até hoje, em todos os lugares, o socialismo manteve um padrão: liberdade de imprensa inexistente, poder concentrado nas mãos do partido único, população empobrecida, uma elite improdutiva que vive do bom e do melhor, e repressão violenta a quem questiona os abusos do regime. Daí, fica difícil saber se é sincera ou cínica uma declaração como, por exemplo, a da ex-deputada Luciana Genro, que diz que o socialismo não deu certo até hoje porque, segundo ela, "os outros" não entenderam o que Marx falou, mas vai dar certo quando o seu partido (Psol) assumir o poder. Ora, uma cinquentona com discurso de colegial...
* Psicólogo e Bacharel em Direito.
Postado por Jorge Serrão no Alerta Total
http://www.alertatotal.net/2017/06/socialismo-real.html