• Gilberto Simões Pires
  • 30 Julho 2026

 

Gilberto Simões Pires

ONDA DE INDIGNAÇÃO

Por mais que me esforce, confesso que por força da ONDA DE INDIGNAÇÃO que tomou conta de grande parte da sociedade brasileira contra as barbáries que são cometidas, com o sereno beneplácito das AUTORIDADES ESQUERDISTAS -eleitas e não eleitas-, do nosso empobrecido Brasil, é praticamente impossível ler, ouvir e assistir as centenas de milhares de mensagens que me são enviadas e/ou publicadas nas REDES SOCIAIS.

EDITORIAL DO ESTADÃO

Diante da avalanche interminável de NOTÍCIAS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES INDIGNADAS, o que me resta é selecionar e compartilhar aquilo que me parece mais impactante. É o caso, por exemplo, do que está posto no Editorial do ESTADÃO do dia 26/7, que, para desespero de quem PAGA IMPOSTOS (elevadíssimos), e como tal sustenta os SERVIDORES PÚBLICOS DO NOSSO PAÍS, aponta INFILTRAÇÃO DO PCC NA CÚPULA DA POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO.

A SOBERANA POLÍCIA MILITAR E OPERADORES FINANCEIROS

No editorial, o ESTADÃO, jornal que sempre se mostrou IDEOLOGICAMENTE IDENTIFICADO COM AS CAUSAS DA ESQUERDA, não aguentou e resolveu comentar sobre a Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, que REVELOU SUSPEITAS (??) DE LIGAÇÃO ENTRE INTEGRANTES DO ALTO COMANDO DA -SOBERANA- POLÍCIA MILITAR PAULISTA E OPERADORES FINANCEIROS DO -PCC- PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL. A investigação aponta -possíveis- conexões envolvendo PAGAMENTOS DE PROPINAS E RELAÇÕES COM INTEGRANTES DA FACÇÃO E EXPÕE COMO O PCC LAVA DINHEIRO E RESOLVE SUA QUERELAS POR MEIO DOS CHAMADOS TRIBUNAIS DO CRIME.

O NOSSO PCC, SEGUNDO LULA

Mensagens obtidas pelas autoridades indicam que um dos membros do -NOSSO PCC-, como prefere o presidente LULA, buscava dinheiro “PARA PAGAR A POLÍCIA". Uma planilha típica do esquema de propina conhecido como TICKETAGEM registra pagamento a um coronel identificado como “Patrício”. Um grupo de WhatsApp intitulado “Aniversário General”, com diálogos entre o PCC e a cúpula da PM paulista, sugere um convívio indecente, para dizer o mínimo, entre criminosos e agentes supostamente a serviço da lei. Que tal? 

 

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  • Sérgio J. Kaminski
  • 29 Julho 2026

 

Sérgio J. Kaminski

 

Dias difíceis vivemos nós brasileiros ... Nem todos!

Um vírus, desde muito existente, alojado se encontra nos três poderes da nação brasileira, leia-se Legislativo, Executivo e Judiciário...Se alastra e contamina número maior daqueles que detém o poder adquirido pelo voto ou por nomeações generosas...

O mal cheiroso corporativismo dos "nossos políticos", aliado ao objetivo de reeleição duradoura e ampliação dos privilégios para si e os seus, nos trouxe aos dias tristes que compartilhamos com todo cidadão brasileiro...

Deseducação nas escolas, insegurança, desemprego, desassistência na saúde e caos jurídico em todas as instâncias.

A Praça dos Três Poderes é posse de "autoridades" que exalam o mau cheio da corrupção e desobediência ao galgar os degraus da legislação vigente (deficiente, confusa e inacabada...)

Inoculados com o vírus do "egoísmo corruptivo" acreditam que, vírus que também são, vítimas não serão em um horizonte que se avizinha, levando de roldão todos brasileiros ...

Cicatrizes profundas se avizinham num horizonte logo ali...

A mídia, tida e havida como quarto poder, deveria agir como agente neutro e apolítico, com boa técnica e ética profissional no desempenho do papel de mediadora entre os poderes.

Lamentavelmente a verdade verdadeira é sonegada de modo torpe aos brasileiros.

A concertação do caos não irá acontecer com decisões futuras...A oportunidade, mais uma vez, vai estar disponibilizada nas eleições de 4 de outubro. Nossas escolhas não podem uma vez mais serem errôneas!

É preciso que nosso direito sagrado do voto seja usufruído com olhar no futuro do Brasil e dos brasileiros!

Urge eliminarmos a "ratazana" que ocupa por inteiro os rodapés da política brasileira, corrigir a rota com atitudes e navegar solidários e resilientes na busca de dias melhores que todos brasileiros merecem.

Lembrando nosso hino da Proclamação da República, de autoria de José Joaquim Medeiros e Albuquerque/Leopoldo Miguez:

"Seja um pátio de luz desdobrado

Sob a larga amplidão destes céus

Este canto rebel, que o passado

Vem remir dos mais torpes labéus

Seja um hino de glória que fale

De esperança, de um novo porvir!

Com visões de triunfos embale

Quem por ele lutando surgir! 

 

Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!

Das lutas na tempestade

Dá que ouçamos tua voz."

 

 

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  • Claudio Apolinário
  • 29 Julho 2026

 

 

Claudio Apolinario

 

               No Brasil, produzir não é apenas caro. É uma armadilha. E a nova reforma tributária não resolve — apenas reorganiza o peso.

Uma empresa no Brasil gasta, em média, 1.501 horas por ano apenas para calcular, declarar e pagar impostos. Isso não é trabalho produtivo. Não é geração de emprego. Não é inovação. É burocracia pura — tempo e dinheiro consumidos antes de qualquer produto chegar ao mercado.

Para comparar: nos Estados Unidos, uma empresa gasta 175 horas por ano com impostos. Na Suíça, 63 horas. Na média dos países desenvolvidos, 159 horas. O Brasil gasta quase dez vezes mais — e é o primeiro colocado no ranking mundial nesse quesito, segundo o Banco Mundial.

Primeiro do mundo. No ranking errado.

Mas o problema não é só o tempo. É o que esse tempo representa: uma empresa pequena ou média no Brasil precisa de um funcionário quase em tempo integral só para cuidar de obrigações fiscais.

Esse custo da burocracia não aparece como qualidade melhor, não aparece como mais emprego, não aparece como inovação — aparece só como produto mais caro para o consumidor. E o preço mais alto significa menos competitividade, menos vendas, menos empregos.

Quem paga essa conta não é o empresário. É o consumidor.

E o sistema tem uma lógica perversa. Quanto mais uma empresa tenta crescer e se formalizar, mais ela paga. O Simples Nacional foi criado para proteger o pequeno. Mas quem ultrapassa os limites do Simples não encontra um degrau — encontra um abismo. A carga quase dobra de um dia para o outro. O resultado é previsível: empresas que poderiam crescer preferem ficar pequenas ou caminhar na informalidade.

No Brasil, crescer tem um preço alto demais. O sistema pune.

Tem mais um detalhe que pouca gente fala. O Estado é o maior comprador do país. Para uma empresa que quer crescer de verdade, vender para o governo não é apenas uma opção — é muitas vezes a única que permite escala real. Mas entrar nesse jogo exige navegar por um labirinto de documentos, regras e, em muitos casos, conhecer as pessoas certas. Quem conhece o sistema sabe: a licitação nem sempre premia quem produz melhor. Premia quem joga melhor o jogo.

Agora, para completar o quadro, chegou a reforma tributária.

Aprovada em 2023 e regulamentada em 2025, a reforma foi vendida como simplificação. E em parte simplifica — substituir cinco tributos por dois é, na teoria, mais claro. Mas simplificar não é o mesmo que reduzir. E os dados mostram que para muitas empresas, especialmente as pequenas e médias, a reforma significa mais peso, não menos.

O novo imposto criado pode chegar a 28,55% sobre o que as empresas vendem. Se confirmado, o Brasil terá o maior imposto sobre vendas do mundo — superando a Hungria, que hoje lidera com 27%. Uma empresa que hoje paga 3,65% de imposto sobre o que vende passará a pagar 9,25%. Quase três vezes mais. Não tem para onde correr. O preço sobe — e quem paga é, de novo, o consumidor.

A reforma afetará 96% das empresas brasileiras. Não é projeção pessimista. É o que os próprios dados da reforma mostram.

O problema é simples de entender: o Estado brasileiro foi feito para arrecadar, não para produzir. Cada reforma que promete simplificar mantém a arrecadação. Ou aumenta. Cada tentativa de formalizar o mercado cria novas obrigações para quem já estava formalizado. E cada empresa que decide empreender no Brasil descobre, cedo ou tarde, que seu maior sócio não assinou nenhum contrato com ela — mas tem direito a uma fatia garantida de tudo que ela produz.

Esse sócio se chama Estado. E ele nunca perde dinheiro.

O sinal mais claro de que algo está errado não vem de relatório. Vem da fronteira. Mais de 230 empresas brasileiras já produzem no Paraguai. São 25.000 empregos que poderiam estar aqui. O motivo é direto: no Brasil, impostos e encargos trabalhistas juntos podem chegar a 80% do custo de uma fábrica. No Paraguai, esse número é 12%. O Paraguai cobra 10% de imposto sobre o lucro, 10% de imposto de renda e 10% de IVA — e nada mais. Não é que o Paraguai seja extraordinário. É que o Brasil se tornou caro demais para produzir.

Quem quer mudar isso tem uma responsabilidade: parar de votar em quem promete mais Estado como solução e explicar esse problema de forma clara para quem ainda não percebeu: o empresário que paga 80% de encargos; o autônomo que passa meses do ano trabalhando para o governo; o consumidor que paga mais caro porque a cadeia inteira foi tributada antes de chegar até ele.

Mais Estado é exatamente o que criou esse problema. A reforma que o Brasil precisa não começa em Brasília. Começa na decisão de quem vota, de quem se informa, de quem debate, de quem influencia, de quem reivindica, enfim, de quem paga essa conta.

Porque no Brasil, produzir não é apenas caro. É uma armadilha.

*            O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 23 Julho 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

              Estou lendo, entre outras coisas, o livro "Os Tempos Ásperos" de Jorge Amado. Um baita livro, para o meu gosto. Mas não é a respeito desta sua obra que pretendo parlar, mas sim sobre uma declaração proferida pelo autor em uma entrevista onde disse, de forma lacônica, feito pino de patrola, que ideologias, sem exceção, são todas um monte de fezes. Umas fedem mais, outras mais ainda, mas todas elas, juntas ou separadas, são o que são, e ponto final.

Ainda na mesma entrevista, Amado, de uma forma não tão amável, disse com todas as letras que é importante lembrarmos e, se possível for, jamais esquecermos que existem filhos de uma boa mãe de direita, da mesma forma que existem filhos do mesmo naipe de esquerda — e de centro também —, porque, se há uma coisa que é muito bem distribuída neste país, é a canalhice; e se não somos capazes de perceber isso, imagino que está mais do que na hora de revermos alguns conceitos — e preconceitos — que carregamos em nossa algibeira mental.

Sobre esse ponto, meio fora de prumo, há algumas considerações que, há muito, foram feitas por José Ortega y Gasset em um discurso que ele proferiu na Câmara dos Deputados do Chile (Obras Completas — tomo VIII), onde nos chama a atenção para a sutil distinção que há entre aquilo que ele qualificou como sendo as ideias na política e as políticas de ideia.

A primeira dimensão refere-se à importância das ideias na vida política; ideias que podem ser, ao mesmo tempo, faróis que guiam as decisões humanas e âncoras para nos equilibrar diante das tempestades que vez por outra assolam a sociedade. Quanto à segunda, ele nos adverte para o perigo que ronda as sociedades quando, com base em uma ideia iluminadíssima, se procura não apenas corrigir e reformar a sociedade, mas transformá-la de fio a pavio como, aliás, querem porque querem todas as ideologias que, por sua natureza, imaginam ser a salvação da lavoura.

Neste caso, o ser humano, enquanto pessoa que integra uma comunidade, com todas as suas virtudes e defeitos, desaparece; em seu lugar, os indivíduos passam a ser identificados com rótulos ideológicos que os desfiguram e, assim, os desumanizam, esgarçando as relações sociais e, deste modo, inviabilizando a tomada de decisões políticas e mutilando o bem comum. E isso, com o perdão da palavra, vale para todos nós, independentemente do posicionamento político que tenhamos diante dos problemas e mazelas que se fazem presentes em nossa sociedade.

E tem outra. Quando enxergamos a vida apenas através destes filtros, além de não resolvermos problemas candentes em nossa sociedade, conseguimos a façanha de piorá-los de uma forma como nunca se viu antes na história do nosso país.

E em meio a todo esse angu encaroçado, um bom exemplo desse triste entrevero é o estado lamentável em que se encontra a educação como um todo. Qualquer um, com um mínimo de bom senso, reconhece o estado caótico a que chegamos; porém, na hora de enfrentar os fatos, muitos os encaram — parcial ou totalmente — através de um filtro ideológico que os distorce, tornando a sua resolução uma quimera.

Pais, professores e burocratas; políticos, sociedade e grande mídia; intelectuais, comentaristas e palpiteiros: todos temos nossa cota de responsabilidade diante deste caos e, se não nos vemos como corresponsáveis no quadro, como parte do problema, dificilmente teremos, um dia, a autoridade necessária para caminhar rumo a uma solução. E, se insistirmos nesse passo ideologicamente marcado, continuaremos assim, feito cachorro que caiu da mudança — da mudança que jamais virá.

*                   O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café e autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

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  • Claudio Apolinário
  • 23 Julho 2026


Claudio Apolinario

               Ela acorda cedo, trabalha, cria os filhos e ainda transmite valores. O debate a usa como bandeira — mas raramente a escuta.

Existe uma pessoa que o debate político raramente cita pelo nome certo.

Não é a mulher vítima — essa aparece o tempo todo. Não é a mulher empoderada — essa também tem espaço. A que o debate esqueceu é outra: a mulher comum, trabalhadora, mãe, que acorda cedo, leva filho para escola, trabalha o dia inteiro, em casa ou fora de casa, faz o jantar e ainda encontra energia para transmitir valores antes de dormir.

Essa mulher tem muitos rostos. É a mãe solo que faz sozinha o que deveria ser feito a dois. É a esposa que dá suporte ao marido quando ele precisa — e que o homem sábio reconhece como sua maior força. É a avó que transmite o que os pais não tiveram tempo de ensinar. É a profissional que não abre mão da família nem da carreira. É a mulher de fé que ancora os valores da casa na comunidade.

São perfis diferentes. Mas há algo em comum: todas constroem. Todas transmitem. Todas sustentam algo maior do que si mesmas — valores inegociáveis.

Essa mulher sustenta o Brasil. Os dados confirmam.

Em 2024, pela primeira vez na história, as mulheres ultrapassaram os homens como responsáveis pelos lares brasileiros. São 51,7% dos domicílios, segundo dados da FGV com base na PNAD Contínua do IBGE. Em 2012, esse percentual era de 35,7%. Em doze anos, crescimento de 87%.

São 41,3 milhões de mulheres chefiando lares no Brasil.

Dentro desse número, há um dado que incomoda: 7,8 milhões são mães solo — criando filhos sozinhas, sem cônjuge, encontrando na fé e na comunidade o suporte que o Estado raramente oferece. Esse número cresceu 17,8% em dez anos. E não para de crescer.

Esse dado não é conquista. É sintoma. É o retrato de um país onde homens desaparecem e mulheres ficam — não por escolha, mas porque não têm outra opção.

E enquanto carrega esse peso, ela ainda é a principal transmissora de valores para os filhos.

O Censo 2022 do IBGE mostrou que as mulheres são maioria em praticamente todas as religiões no Brasil. Entre os católicos, 51% são mulheres. Entre os evangélicos, 55,4%. Entre os espíritas, 60,6%. Apenas entre os sem religião os homens são maioria — 56,2%. Entre as que professam uma fé, cuidar da família vai além do sustento — é também ser a principal escola de caráter que os filhos vão ter.

É ela quem ensina a criança o que é certo e o que é errado antes que qualquer escola tente fazer isso. É ela quem estabelece os primeiros limites. Os primeiros exemplos. As primeiras consequências. Quando o pai não está, essa responsabilidade recai inteiramente sobre ela. A geração que o Brasil vai ter em 20 anos depende, em grande parte, do que essas mulheres estão ensinando hoje.

Isso não é detalhe. É estrutura.

Em qualquer sociedade que resistiu ao colapso moral, as mulheres foram uma linha essencial de defesa. Mantiveram viva a fé. Formaram os filhos. Mantiveram a comunidade unida quando tudo ao redor se desmanchava.

O Brasil não é diferente.

E aqui está o ponto que o debate precisa encarar: essa mulher está exausta.

Ela não precisa de mais um discurso bonito. A que está sozinha precisa que a comunidade ao redor a reconheça e caminhe com ela — a Igreja, os vizinhos, a família próxima. A que tem um companheiro precisa que ele apareça de verdade, não apenas fisicamente. Todas precisam que a escola ensine os valores que elas transmitem em casa em vez de contradizê-los. O que essa mulher precisa não vem de Brasília. Vem de cada um de nós.

Um lado do debate a trata como vítima. Outro a ignora. Outro a usa. Os três erram.

A mulher brasileira não é vítima. É quem, dia após dia, sem holofote e sem aplauso, constrói o que este país mais precisa — uma família de cada vez, um filho de cada vez, um valor transmitido de cada vez.

O Brasil que ainda existe passa por ela.

E o Brasil que queremos construir depende de reconhecê-la — não como símbolo, mas como pessoa real, com peso real nas costas, que merece mais do que palavras.

*         O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 23 Julho 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

                 A reação anunciada pelo presidente Lula às tarifas impostas pelo governo Trump desperta uma questão que transcende divergências ideológicas: é do interesse do Brasil responder com novas barreiras comerciais ou concentrar seus esforços na negociação?

A retaliação — mesmo quando apresentada como reciprocidade — costuma ser entendida como demonstração de firmeza e defesa da soberania nacional. Politicamente, essa postura pode produzir dividendos internos, especialmente eleitorais, junto a públicos menos informados. Economicamente, porém, seus benefícios são altamente discutíveis.

Quando um país impõe tarifas sobre produtos estrangeiros, a primeira consequência é dificultar as exportações do parceiro comercial. Mas a resposta tarifária não elimina esse prejuízo nem recupera os mercados perdidos; apenas cria um novo foco de perdas, agora também para aquele que retaliou.

O Brasil importa dos Estados Unidos equipamentos industriais, componentes eletrônicos, produtos químicos, medicamentos, máquinas agrícolas, instrumentos médicos e diversas tecnologias indispensáveis à economia nacional. Muitos desses bens não competem com a indústria brasileira; ao contrário, aumentam sua produtividade. Tarifá-los significa elevar custos para empresas nacionais, reduzir investimentos que geariam mais empregos  e, inevitavelmente, pressionar preços ao consumidor.

Argumenta-se que a retaliação serviria para pressionar Washington a rever sua decisão. Essa hipótese, entretanto, parece pouco convincente diante da assimetria existente entre as duas economias. Em grande parte dos produtos exportados pelo Brasil, os importadores americanos dispõem de fornecedores alternativos. Já o Brasil dificilmente substituirá, em prazo curto e sem custos significativos, muitos dos insumos e tecnologias provenientes dos Estados Unidos.

Há ainda um aspecto frequentemente negligenciado. Guerras comerciais raramente permanecem estritamente econômicas. À medida que cada governo transforma a disputa em questão de prestígio nacional, torna-se politicamente mais difícil qualquer recuo. O conflito deixa de ser orientado por cálculos de custo e benefício para ser alimentado por discursos de afirmação, orgulho e demonstração de força. O resultado costuma ser a escalada do desentendimento, não sua solução.

Isso não significa aceitar passivamente medidas consideradas injustas. O Brasil dispõe de instrumentos mais eficazes e menos custosos: negociação diplomática, utilização dos mecanismos de solução de controvérsias previstos no comércio internacional, mobilização dos setores empresariais americanos interessados na manutenção do comércio bilateral e diversificação gradual de seus mercados de exportação.

Nenhuma dessas alternativas produz manchetes tão impactantes quanto anunciar uma retaliação. Mas todas parecem mais compatíveis com os interesses permanentes do país.

O verdadeiro objetivo da política comercial não deveria ser punir o parceiro, mas preservar a competitividade da economia nacional. Quando uma resposta provoca mais danos internos do que externos, ela deixa de ser instrumento de defesa para transformar-se em fator adicional de prejuízo.

Em relações econômicas marcadas por forte interdependência e por evidente assimetria de poder, a prudência não é sinal de fraqueza. É, muitas vezes, a forma mais inteligente de defender os interesses nacionais.

*                  O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil

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