Percival Puggina
17/10/2025
Percival Puggina
Neste último dia 15 de outubro, dia dos professores, me veio a ideia de que, aos 80 anos, sou bem mais velho do que haviam sido todos os meus “velhos” mestres.
Cá entre nós, se considerarmos apenas a idade e o consequente acúmulo de perdas, não é uma boa contar 80 anos. Somar setenta, sessenta, cinquenta, era melhor. Quantos amores ficaram pelo caminho! No entanto, antes que o Senhor da vida me chame de ingrato por quanta bondade me concedeu, quero esclarecer meu ponto: se ter 80 anos não é exatamente um canteiro de saudades num jardim de delícias, ter vivido esse tempo todo é uma experiência extraordinária, uma esplêndida graça.
É um aspecto dessa dádiva que tenho em mente, por exemplo, quando se acendiam, anteontem, as luzes para a noite de 15 de outubro de 2025, Dia do Professor. Graças aos meus 80 anos, queridos leitores, os muitos professores que tive durante os anos 50 e 60 do século passado, não haviam sequer ouvido falar em Paulo Freire! Afortunado privilégio! De fato, como a badalada experiência freiriana de alfabetização “express” de Angicos é de 1963 e a “Pedagogia do oprimido” foi publicada em 1968, quando Freire já estava no Chile, os poucos que souberam algo dele eram suficientemente inteligentes como para não lhe dar atenção.
O resultado, meus amigos, é que absolutamente todos os meus muitos professores ao longo da vida eram exatamente isso: professores! Dedicados ao mais intenso uso possível de seu tempo com o toco de giz, conscientes do valor do conhecimento transmitido, ocupavam-se com ensinar! Cobravam dos alunos desempenho compatível com seu próprio empenho. Obtinham disciplina porque impunham respeito. Eram pessoas respeitáveis. Já então, nos anos 60, a política nacional fervia nos corredores, nos grêmios estudantis, nos centros acadêmicos, mas não entrava na sala de aula. Não era assunto dos professores.
Cada um no seu quinhão, eram missionários do conhecimento, da ciência, da ética e da estética. Não vendiam gato por lebre, não desrespeitavam a cultura das famílias, a política tinha seu lugar de estar e a sala de aula não era um desses lugares, não organizavam “coletivos” nem colecionavam “narrativas”. Viam seus alunos como operadores do próprio futuro. Por vezes, penso que anteviam a revolução do trabalho, do talento, do mérito. E o Brasil que nascia das salas de aula era um Brasil melhor! Eu o resumo na pessoa de Elvira Arla Pereira, minha primeira professora no Grupo Escolar Professor Chaves, em Santana do Livramento. Ela tanto amou nossa turma que a tomou como sua nos quatro anos do ensino fundamental, nos distantes anos 50 do século passado.
Minha imensa gratidão aos inesquecíveis mestres daqueles muitos anos e aos que ainda hoje abrem suas salas de aula com os mesmos valores e preservando a dignidade de sua missão.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
12/10/2025
Percival Puggina
Em um dos acontecimentos marcantes destes dias, o ministro Luís Roberto Barroso anunciou, entre lágrimas, que deixaria o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal. Sob sua presidência, a Corte despencou no apreço popular. Não apenas acirrou-se o ativismo. A “vertiginosa ascensão política do Supremo” foi proclamada pelo ministro como um feito da Constituinte de 1988 enquanto, em plena atividade política, negava o ativismo e o protagonismo político do Supremo.
Se apenas a justiça padecesse, a situação já seria seriíssima. Tudo piora, porém, quando, ali em frente, a legítima representação política se ressente das ameaças, das desautorizações e das imposições que cruzam a praça como se Têmis lançasse mísseis sobre as duas cúpulas do parlamento nacional. Não é do bom feitio de um tribunal constitucional derrotar tal ou qual corrente política! Menos ainda corresponde à sua missão derrotar sempre a corrente a que dirige frequentes descomposturas. Se um dia existiram no Brasil, arautos do rei perderam o emprego há muito tempo.
Ocorreu-me outro dia a seguinte indagação: qual a semelhança entre um DCE de esquerda e a atual composição do STF? A resposta me veio da antiga parábola do Boneco de Sal. Procure-a por aí, é altamente educativa. Em síntese, o boneco de sal quis conhecer o mar, mas esse conhecimento só aconteceu quando perdeu a própria individualidade desintegrando-se, mar adentro, na natureza daquele que o desafiava a esse conhecimento. É o que fazem os coletivismos com suas exacerbações e comandos. Nos “coletivos” de esquerda, como tantos DCEs, sindicatos, organismos e movimentos sociais, ocorre essa desintegração das individualidades. As perdas pessoais se tornam visíveis ao longo do processo, percebidas pelos pais, pelos antigos amigos e por todos que conheceram cada um, antes dessa destruição. Nos “coletivos”, os membros cometem excessos que não cometeriam antes, assumindo o aspecto comum, açulado, de matilha, contra quem julgam merecer seu incivilizado repúdio.
No STF, o “coletivo” se chama “colegialidade”. A colegialidade sobresta convicções anteriores, contrasta textos antigos produzidos para as bibliotecas acadêmicas, faz de conta que não lembra os apropriados e próprios comentários à Constituição, lidos e relidos por estudantes e – quem sabe? – até por militantes de ... DCEs.
Por essas e outras, creio que deveria haver uma bacia de Pilatos na saída de certos plenários e de certas “plenárias”. Por essas e por outras, enfim, recuso qualquer coletivo que se oponha à natureza única e insubstituível, da pessoa humana, criada num ato de bondade divina. Bondade, aliás, desse mesmo Deus que é juiz no tribunal da eternidade e permite a seus filhos viver com Ele, sem Ele ou contra Ele, o imenso dom da liberdade.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
05/10/2025
Percival Puggina
O Brasil é um país grande, populoso e diversificado, num berço esplêndido. Ou seja, o Brasil é lento. Nossas tolices são mansas e nossos hábitos comandam nossas percepções. Até o futebol brasileiro perde agilidade; nossos craques passam mais tempo recuando a bola e pensando no que fazer do que fazendo. Regiões inteiras se acomodam até ao petismo estrutural – “As coisas, aqui, são assim”, explicam, quando perguntados sobre tão sinistra conformidade com o infortúnio. Não se espere deste canto do planeta qualquer manobra brusca, salto ágil, pirueta genial, compreensão abrupta de problemas e soluções institucionais.
Foi essa característica que tornou possível a gradual construção e adaptação social ao controle que a maioria dos ministros do STF passou a exercer sobre a política. Contra a opinião de um punhado de bravos, a maioria do Congresso, em quietude pastoril, submeteu-se ao esvaziamento das próprias prerrogativas, às decisões furiosas de quem pensa com o fígado, à hipertrofia do STF, a atrofia do Legislativo e ao absenteísmo de um governo eventual, mas turista em modo contínuo. A indignidade dos meios pelos quais se foi afirmando a submissão do parlamento a uma democracia ao jeito do Supremo só encontra expressão nas redes sociais e em umas poucas vozes no Congresso Nacional.
Uso a palavra governo para facilitar a compreensão. O Palácio do Planalto, sabemos todos, está formalmente ocupado por um grupo político cuja principal prova de existência é fornecida quando, alinhada sobre um palco, racha os dedos aplaudindo e rindo feliz com a cesta básica de tolices que Lula costuma fornecer.
Não, não estou exagerando nem depreciando o presidente. Foi ele que em meio à maior crise instalada nas relações internacionais do Brasil desde 1822 gravou um vídeo oferecendo jabuticabas a Donald Trump e reduzindo as dificuldades de nossa diplomacia às proporções de um jogo de truco. Semanas depois, quando o mundo todo agiu com pressa, disse que estava com a agenda lotada, sem tempo para conversar com o presidente americano. Essa miséria intelectual só poderia dar no que deu. Assim como muitos bispos medievais dormiam com a chave do portão da cidade embaixo do travesseiro, a economia dorme embaixo do travesseiro de Lula.
Só das combatidas redes sociais vem o necessário jornalismo, obediente ao irônico preceito de Millôr Fernandes, para quem “jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”. Jornalismo só pode ser feito por quem não é cortesão, por quem não faz questão de ter acesso aos privilégios palacianos das Versalhes do poder.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
01/10/2025
Percival Puggina
Tenho assistido a canais do YouTube que exibem e comentam trechos de matérias divulgadas por veículos da mídia oficialista. Firmou-se em mim a convicção de que os membros desse que chamo “Consórcio Goebbels” pretendem proporcionar a seus leitores e espectadores a mesma mercadoria, linguagem e chavões que os partidos de esquerda disponibilizam à militância. São tão rasgadamente governistas, esses veículos, tão jungidos ao STF, que parecem trazer no pescoço coleira e guia. De contrapeso, ainda empurram um pacote de conteúdos que funciona como arsenal bélico esquerdista da guerra cultural. Neste particular, com qualidade técnica de fazer inveja ao jornalismo de Havana, cumprem papel semelhante ao dos cubanos Granma e Cuba Visión.
Enquanto transcorre a crise de relações entre Brasil e Estados Unidos, repórteres e comentaristas convidados se empenham em responsabilizar por toda a encrenca um deputado federal e mais dois ou três jornalistas brasileiros exilados. É como se o desinteresse da máquina do Estado brasileiro, as fanfarronadas de Lula e a hipertrofia do poder do Supremo nada tivessem a ver com a crise. Para o jornalismo oficialista em que a velha imprensa se autodestrói, nada seria mais perfeito que uma nação formada, exclusivamente, por falantes radicais de esquerda, onde toda divergência, além de amaldiçoada e investigada, estivesse censurada ou de tornozeleira, ou presa ou multada. Nossos pesares institucionais são bem conhecidos. Mesmo assim, os donos do poder posam para fotos, entrevistas e homenagens midiáticas como socorristas do “Estado Democrático de Direito”. Arre!
A sociedade custeia um governo inteiro, do presidente ao servente; ninguém vê, mas se reconhece a existência pelo estrago que faz com o dinheiro alheio. A sociedade paga as duas casas do Congresso, dos dois ditadores que as presidem aos porteiros; todos existem, mas, sob pressão, estão reduzidos à impotência sempre que se requer o desempenho na representação da cidadania. A nação paga o STF e amplia seus quadros funcionais; mas, como tantos, ali, querem fazer justiça e política, trocam os pés desta pelas mãos daquela. Ou vice-versa.
Recentemente, transcorreu em ato low profile, sem pompa nem circunstância, a posse do ministro Fachin na presidência do STF. Li a íntegra de seu discurso e ele em nada alterou a preocupação que levo para as horas noturnas, quando neurônios inquietos espantam o sono. Embora tenha mencionado a necessidade de contenção, ele foi abundante ao demarcar o amplo espaço da vida social que vê sob zelo da Justiça. Movido por provável idealismo hegeliano discorreu sobre tudo que precisa de cuidados para configurar o jardim do paraíso bem aqui, na Pindorama nacional, um país a cada dia mais empobrecido pelo Estado. E abriu uma avenida para atividades paralelas às do Congresso Nacional.
Nada li sobre o retorno do STF ao leito da normalidade institucional, fim do ativismo e descarte da insaciável esponja de prerrogativas. Não serve à nação, pelo bom caminho da democracia e do Estado de Direito, um Congresso sequelado por constantes ameaças reais, prováveis ou improváveis emitidas pelo poder togado. Não servem à liberdade os atos de censura, a justiça raivosa, o fim do mundo de tantos inquéritos e um Supremo que anuncia como vai reagir se tal ou qual decisão for tomada pelo Legislativo.
Ante tudo que vivemos, não serve à sociedade um jornalismo de porta-voz, cortesão do poder, que transmite recados e retém, na peneira das inconveniências, os fatos que a nação não deve conhecer. É incrível que tantos profissionais de imprensa não percebam que tal situação fica quilômetros além do ridículo.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
29/09/2025
Percival Puggina
Como se constrói uma “narrativa” ao gosto de quem a queira, usando fatos reais? Conto, aqui, o que aprendi sobre a tal “trama golpista” enquanto revia fotos de 2012 tomadas durante longa viagem pelo interior da França. Naquele ano, ao planejar nossas férias, minha mulher e eu concluímos que a melhor essência daquele país estava em suas pequenas cidades medievais. Identifiquei haver 70 cidades nessa categoria e precisei escolher 25. Solução: descartei todas que não cabiam no meu roteiro. Bingo! A constatação esclareceu um ponto muito importante sobre a trama que teria eclodido em 8 de janeiro de 2023.
Organizei, então, uma lista com os principais acontecimentos políticos brasileiros no período entre 1º de janeiro de 2019 e aquela fatídica data (governo Bolsonaro e primeiros 8 dias do governo Lula). Ficou fácil perceber algo muito interessante sobre a narrativa oficial da “Abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado”:
dos inúmeros acontecimentos e tensões políticas do período, os autores da narrativa escolheram os que convinham e descartaram os que não convinham!
Ou seja, com integral apoio da velha imprensa, selecionaram apenas fatos relacionados à direita e ao bolsonarismo. Sequer mencionam a existência do STF, do TSE e de seus ministros!
Tudo se passa como esse poder de Estado, que se assumiu como político e desenvolveu intenso protagonismo, se mantivesse passivo em seu devido lugar de estar, sem ativismo e sem “excepcionalidades” típicas de um regime de exceção.
Para ilustrar, ao final deste artigo, mostro uma lista de acontecimentos relevantes do mencionado período, buscados no Google, Wikipedia e ChatGPT. Uma lista completa seria ainda muito mais extensa.
É interessante perceber que do mesmo modo, pelo viés oposto, excluindo-se da mesma lista de fatos o bolsonarismo e a direita, tem-se a nítida formação de um regime de exceção sob comando do STF. Não por acaso, a partir do 8 de janeiro de 2023, ele apenas ganhou força e o Congresso nada mais decide sem, antes, pedir bênçãos ao Supremo... Tanto uma narrativa quanto a outra peca por excluir as interações e as motivações recíprocas das forças políticas em choque. Pense nisso. Também por isso a anistia é indispensável.
Fatos relevantes do período 2019-2022
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
21/09/2025
Percival Puggina
Manhã de 18 de setembro. Exultante, o ativismo das redações liberava, para entrega, notícia fresquinha como fruta de feira: Hugo Motta confiara o posto de relator da PEC da Anistia à integridade moral do Paulinho da Força. Horas depois, este informava que levaria ao plenário da Câmara um texto previamente submetido ao proverbial zelo humanitário do STF.
Fiquei pensando na maldade de quem acenara esperança a tantos brasileiros. Havia mais de dois anos, por ação de uns poucos, o que era para ser protesto contra o passado recente e o futuro previsível descambou para atos de vandalismo. Pronto! Para padecimento de uns e alegria de outros, o que poderia ser resolvido de um jeito pela primeira instância judicial, absorvido pela Primeira Turma do STF e tratado com uma frieza de arrepiar pinguins, virou instrumento da política e travou o relógio da história. De lá para cá, o episódio ocupa o epicentro de um terremoto político, judicial e institucional com reflexos internacionais.
O destino do grupo de manifestantes em 8 de janeiro de 2023 caíra em mãos que, lhes imputaram, indistintamente, um pacote pronto de crimes impraticáveis por aquele grupo. A exemplo de milhões de brasileiros, habituados à liberdade e à democracia, manifestavam-se contra o futuro previsível e a sanha liberticida por vir. E ela veio, arrastando o eixo do poder para o formidável e sem precedentes protagonismo político do STF.
Desde então, no peito e na voz de milhões de brasileiros arde um clamor por justiça que só pode ser mitigado pela Anistia. O recente e minucioso voto do ministro Fux, em boa parte, refletiu esse sentimento. No entanto, em virtude do deslocamento do eixo do poder político para o STF, tendo o fígado razões que a Razão desconhece, conteúdos legislativos de natureza política, como a Anistia, só são tolerados se previamente abençoados pelo Supremo.
Em recente artigo, o amigo santa-mariense Valdemar Munaro, professor de Filosofia, explicou aquela votação com base na crítica que vem fazendo em sucessivos textos, ao idealismo de Hegel: “Se o ministro Fux refletiu sobre o que viu, os demais ministros, refletiram sobre o que pensaram. No primeiro caso, a realidade dos fatos orientou o pensamento, no segundo, o pensamento orientou os fatos da realidade”. E nasceu a tão reiterada “narrativa”.
A essa perspicaz observação pode-se acrescentar, também, com a mesma base de observação, que vivemos no Brasil uma distopia real e uma utopia fajuta: a primeira reflete a opressão política pelas mãos da maioria da Corte; a segunda explica o modo grandiloquente como a Corte fala sobre o que vem fazendo.
Raciocínio semelhante nos leva, por fim, ao caso Tagliaferro. Se o STF, o governo e o Consórcio Goebbels de Comunicação não pensam sobre Tagliaferro, tampouco suas denúncias cabem no âmbito das coisas pensáveis... Não, não são sequer descartadas; elas, simplesmente, não existem. Putz!
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras
Percival Puggina
18/09/2025
Percival Puggina
O ambiente político brasileiro está irrespirável! E não foi o polo da direita que deu causa ao fenômeno, já comum a todo o Ocidente. A forte polarização se impôs por justíssima causa quando o extremismo esquerdista, de corpo inteiro, passou a arremeter contra os valores da civilização.
Entre as vítimas, está a juventude submetida à ditadura ideológica nas salas de aula e à tirania da informação que carrega os estigmas da submissão aos “editores da nação”. A primeira faz o que temos visto, em dimensão prática, no comportamento de matilha dos novos cidadãos; a segunda se permite escrutinar, no cardápio dos fatos diários, com a conveniente harmonização facial, a notícia que pode chegar ao conhecimento do povo.
De um lado, você tem:
a) organizações empresariais e instituições públicas dedicadas a uma suposta autenticação dos fatos mediante fact-check;
b) o silêncio submisso ante escancarada lawfare (a lei como arma da guerra ao inimigo);
c) a sumária adoção da cancel culture (cultura de cancelamento), significando o expurgo de toda divergência, promovido pela esquerda sempre que majoritária;
d) a tolerância ao discurso de ódio que diz combater o hate speech (discurso de ódio) alheio;
e) a normalização dos vazamentos possibilitados por fishing expeditions (pescaria probatória);
f) a distribuição de rótulos como os de fake news, misinformation, e informational disorder.
Em língua inglesa, juntas, essas expressões importadas pela esquerda exprimem conceitos e condutas que, em muitos casos, corrompem a aplicação do Direito, a política e o convívio social. Sinto muito, rapaziada, não foram vocês das “ciências humanas” em nossas universidades que inventaram essas práticas. É dos primeiros anos do século passado, tempo de seus tataravôs, que lhes vem os exemplos de cancelamento, desumanização da divergência, pensamento único, estado opressor e jornalismo submisso proporcionados pelos comunistas no contexto da Revolução Russa. Ponto. Sempre acompanhados do Gulag. Ou da Papuda.
De outro lado, para confrontar e criticar o desastre de um jornalismo cujo símbolo é o Consórcio Goebbels de Comunicação, milhões se valem dos novos canais viabilizados pelas redes sociais e pelas modernas tecnologias. São iniciativas brilhantes, que alcançam fantástico sucesso pelo simples fato de corresponderem ao desejo da sociedade por uma informação livre, plural e destemida.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
12/09/2025
Percival Puggina
Seria um exagero dizer que fiquei escandalizado com a agressão ao Dr. Jeffrey Chiquini na Faculdade de Direito da UFPR. Tais cenas são cada vez mais comuns. O jovem advogado alcançou rapidamente o patamar das figuras intoleráveis aos ambientes acadêmicos que os coletivos juvenis, sempre pela esquerda, constroem à sua imagem e semelhança. Para saber o quanto esses jovens são “progressistas”, basta vê-los e, em muitos casos, observar a ruína dos espaços sob seu domínio. A civilização leva um tombo a cada geração dessa turma.
Há que ser justo na avaliação. Antes de começarem a desumanizar seus desafetos para justificar tudo que contra eles fazem, os jovens desses coletivos desumanizam a si mesmos... Como na fábula do boneco de sal que quis conhecer o mar, sua natureza como pessoa é dissipada no coletivo porque essa é a natureza dos coletivos. Eles sentenciam de morte as individualidades e, com ela, se vão: a) a efetiva natureza do ser humano, b) um atributo vital de sua dignidade e c) o fundamento de seus direitos.
É nesse leito do manicômio humano que nascem os totalitarismos. A negação de tais direitos moveu o dedo do sniper que matou Charlie Kirk e foi ela que comandou o show de estupidez no prédio histórico da UFPR e na praça Santos Andrade da progressista e moderna capital do Paraná. Aliás, que o digam os alijados e amargurados pais daqueles rapazes e moças.
Pelo mal que representa para cada um deles e para a sociedade, eu não naturalizo o processo de desumanização a que foram submetidos e do qual aparentam ser o produto acabado. Certa feita, observando uma anterior geração de jovens naquela aparência de zumbis raivosos, me perguntei se seria razoável afirmar que ficaram assim por conta própria. Seriam eles produtos de um profundo processo de reflexão pessoal sobre temas essenciais da existência humana? Teriam ficado assim, queimando pestanas diante de bons livros de sã filosofia? Concluí que havia mais jeito de terem ficado assim queimando baseados... Eles não saberiam sequer iniciar uma operação mental que processasse tais reflexões.
Isso significa afirmar algo grave: alguém fez isso com eles, contra eles, de caso pensado. O processo mental lhes foi posto e imposto. Os jovens capturados para o coletivo, ignorantes e intolerantes ante o saber superior, pagarão com alto custo existencial a destruição de suas mentes por ideias corrosivas de neurônios. As cenas, dentro e fora da UFPR, falaram por si. Foi uma cena de estupidez “multitudinária”.
Caiu-me, então, a ficha. Onde estariam os autores daquele desastre da universidade como instituição da universalidade e do conhecimento plural? Onde estariam os desumanizadores daqueles alunos? De hábito, longe da cena. Pergunto: por que não se expõem, habitualmente, ao mesmo ridículo, os gestores, os mestres, os doutores velhacos? Por que não se unem, solidários, aos jovens e tristes frutos de sua velhacaria política e ideológica?
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
11/09/2025
Percival Puggina
Na mesma proporção e frequência com que estelionatários do mundo do crime investem diariamente sobre milhões de brasileiros, estelionatários da política agem tentando nos convencer sobre quanto há de certo no erro, de bem no mal e de verdade na mentira.
Na política, uma narrativa justaposta a cada fato ou uma interpretação enganosa para cada acontecimento realiza esse mesmo feito. Sempre há uma organização pretendendo enganá-lo, manipulando a informação que você recebe. Aqueles que hoje sofismam, retorcem, torturam e ocultam a verdade têm mestres que viveram na antiguidade clássica e desenvolveram a arte da retórica como técnica da persuasão útil a picaretas da internet e a políticos inescrupulosos. Tais artes são usadas inclusive por quem faz política sem voto na mídia, no ambiente cultural, nas salas de aula e nas instituições do Estado.
Quem consegue exercer, imune a qualquer controle, um poder do tipo “todos devem obediência incondicional ao que mandamos” jamais abre mão desse poder. Aquele ou aqueles que o tenham conseguido se tornam, eles mesmos, por motivos de segurança, mais e mais dependentes do poder de que dispõem. Por isso, regimes de exceção não se transformam para melhor, mas para pior. Não são experimentos de curto prazo. Valem-se das manhas da retórica para iludir as massas e aprofundar o controle social.
Exemplifico: o que diz, hoje, a retórica do regime em nosso país? Diz que defende nossa “soberania” enquanto o Brasil é levado para a não desejada integração aos inimigos do Ocidente, à Legião do Mal, que reúne todos os ditadores do inferno totalitário, visíveis em recente evento militar chinês.
A garbosa defesa da soberania é o gato vendido como lebre; é o equivalente político do telefonema criminoso aplicando um golpe, é a honra nacional anunciada a baixo custo para conquistar a vítima. Fosse anúncio honesto, diria que a opção brasileira não é escolher entre Brasil e EUA, mas escolher, para o Brasil, o bloco do Ocidente, com EUA e União Europeia em vez de unir nosso país aos inimigos do Ocidente, com China, Rússia, Irã e demais povos submetidos à Legião do Mal. Infelizmente, essa última é a desastrada escolha que o regime está fazendo para preservar a si mesmo mediante terríveis custos para a nação.
O regime fez uma opção que o “aqueça neste inverno e tudo mais vá pro inferno”.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.