Alex Pipkin, PhD
Quem me conhece, quem acompanha meus textos e reflexões ao longo do tempo, sabe da minha admiração quase reverencial pelo maior de todos: Adam Smith.
Não se trata apenas de respeito intelectual. Trata-se da convicção de que poucas mentes compreenderam tão profundamente a natureza da prosperidade humana quanto aquele filósofo escocês do século XVIII. Hoje, 9 de março de 2026, completam-se exatos 250 anos da publicação de "A Riqueza das Nações" (1776). Mas não estamos aqui para lustrar um busto de mármore.
Precisamos urgentemente resgatar uma “arma”. Em uma era em que o intervencionismo estatal abissal é requentado e servido como "panaceia civilizatória", a voz de Smith ressoa não como um eco do passado, mas como um insulto à arrogância dos planejadores centrais, os coletivistas de hoje.
Smith foi o primeiro a desmascarar o "homem do sistema", esse arquétipo eterno do burocrata que, do alto de sua pretensa iluminação, acredita que pode mover indivíduos como peças inertes em um tabuleiro de xadrez. O que vemos ao nosso redor é, funestamente, a antítese de Smith. Tem-se um emaranhado de privilégios onde grupos de pressão capturam o Estado para sufocar a concorrência sob o manto de um "protecionismo salvador". É o triunfo do compadrio, de relações promíscuas, sobre a competência.
A genialidade de Smith foi admitir o óbvio que o poder insiste em esconder. A prosperidade não é um decreto de cima para baixo; é uma emergência. Ela brota da liberdade do padeiro, do cervejeiro e do açougueiro de perseguirem seus próprios interesses. Essa "mão invisível" é a mais sofisticada rede de cooperação voluntária já descrita. Ao buscar o seu melhor, o indivíduo é compelido pela mecânica das trocas a ser útil ao próximo. Você não janta pela caridade do produtor, mas porque a liberdade dele em buscar o próprio sustento o obriga a servir à sua necessidade.
Smith fulminou as barreiras comerciais e o intervencionismo não por preciosismo técnico, mas por rigor moral. Ele sabia que cada tarifa "protetora" é, na prática, um imposto sobre o cidadão para subsidiar o barão industrial bem conectado. É uma transferência de riqueza da liberdade para o privilégio oficial.
Contudo, o edifício smithiano só para de pé por causa de sua fundação: "Teoria dos Sentimentos Morais" (1759). O mercado não é um vácuo ético, mas um ecossistema de confiança. Sem o "espectador imparcial" que nos governa internamente, a liberdade vira pilhagem.
Dois séculos e meio depois, a lição magna permanece, ou seja, a de que o Estado que se arroga o direito de planejar a vida dos indivíduos acaba apenas distribuindo a miséria comum. Adam Smith continua sendo o único antídoto real contra a engenharia social.
É 2026 e precisamos, cada vez mais, de Smith e das liberdades econômicas e individuais e, claramente, de muito menos "progressismo do atraso". A liberdade não precisa de tutores, apenas de espaço para respirar.
Ao cabo, tudo o mais é ruído; o barulho de quem teme perder o controle da narrativa e o poder de sedução das velhas “novas” ilusões.