• Alex Pipkin, PhD
  • 23/09/2025
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Ano Novo Judaico: Reflexão, Renovação e Propósito

 

Alex Pipkin, PhD

       Hoje começa o Ano Novo Judaico — Rosh Hashaná. Shaná Tová a todos. É um dia de introspecção, renovação e reflexão sobre quem somos, nossa memória, nossos valores e nosso compromisso com a dignidade humana. Neste momento de renovação, nenhuma reflexão é mais necessária do que pensar sobre intolerância, liberdade e a força da resistência. Reafirmamos, juntos e individualmente, o propósito do judaísmo: fazer o bem, preservar a vida, transmitir valores que sustentam a humanidade.

Vivemos numa atmosfera saturada de intolerância. Contra ideias divergentes, contra a liberdade de consciência, contra a fé. Uma intolerância que, travestida de virtude, se esconde sob o nome de "politicamente correto", mas cujo objetivo é calar dissidentes, sufocar a verdade e impor um dogma ideológico.

Quando se fala em defesa das minorias, a única minoria sistematicamente desrespeitada, demonizada e apresentada como opressora é a minoria judaica. O mesmo povo que, ao longo da história, foi perseguido, segregado e massacrado, agora ocupa novamente o tribunal da memória distorcida.

Depois do genocídio do Holocausto, em que mais de seis milhões de judeus foram assassinados, vemos novamente judeus sendo mortos, intimidados e espancados, no Oriente Médio e em seus próprios países. Assistimos à inversão moral surreal, onde tribunais e operadores políticos transformam assassinos em vítimas e terroristas em réus respeitáveis, enquanto os verdadeiros agredidos são tratados como algozes. Querem-nos impedir de exercer o direito elementar de defender nosso território, nosso povo. Como se não houvesse lição na história, como se a memória do Holocausto não nos ensinasse que a omissão diante da violência termina sempre em catástrofe. Nós resistiremos, como sempre resistimos. Estamos de pé e ainda mais fortes. Nunca mais significa nunca mais.

O radicalismo contra ideias dissidentes e o antissemitismo contemporâneo são expressões de uma nova religião intolerante. Uma fé secular que se traveste de defesa das minorias e dos direitos humanos, mas que exige conformidade ideológica. O chamado politicamente correto é apenas um verniz. Fala em inclusão, mas opera pela exclusão. Defende diversidade, mas nega voz àqueles que já foram silenciados. É a censura travestida de compaixão, o autoritarismo pintado com as cores da virtude.

Populistas, demagogos e autoritários, de todas as esferas, manipulam essa cultura da virtude para esmagar a dissidência, calar a razão e obscurecer fatos. A censura tornou-se sua arma mais eficaz. O corolário é previsível, resultando em liberdade em declínio, perseguição em expansão, especialmente contra os judeus.

Karl Popper nos advertiu: "A tolerância ilimitada deve levar ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância mesmo aos intolerantes... então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância com eles. Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes".

Não se trata apenas de liberdade de expressão — trata-se da sobrevivência da civilização. Da preservação dos valores que nos definem: dignidade humana, justiça, memória.

Hoje, neste Rosh Hashaná, reafirmo que resistiremos, como sempre resistimos; estaremos aqui sempre defendendo a dignidade humana, brigando pelos valores judaico-cristãos que ergueram a civilização ocidental, lutando por aqueles que tombaram, pelo nosso povo, pela nossa ancestralidade. Reafirmamos o propósito coletivo e individual do judaísmo: fazer o bem, transmitir valores, manter viva a chama da justiça, proteger a memória e a vida. Nós resistiremos. E esta resistência será eterna.

Shaná Tová Umetuká!