• Percival Puggina
  • 02/08/2020
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STF, SENADO E ÁLCOOL GEL

 

 Muito leitores me escrevem expressando desânimo em suas manifestações. Dizem-se desiludidos, desesperançados. Estão deixando cair os braços. O que fazer? O Brasil melhor, que buscaram nas mobilizações desde 2013 e redundaram na vitória de conservadores e liberais em 2018, enfrenta terríveis resistências. Elas são políticas. Elas são ideológicas. Elas são poderosas. O que fazer?

 O desalento dos vitoriosos fornece adrenalina pura à veia dos derrotados! É exatamente o que sempre buscam. Todos os totalitários, em suas experiências históricas, cuidaram de submeter os inconformados e, para tanto, o caminho não sangrento (o sangue corre mais tarde) é o roubo da esperança. É o roubo daquela joia preciosa a que se refere um personagem de Bernard Bro em Contra toda a Esperança.

A primeira grande frustração que sucedeu à vitória eleitoral de 2018 veio com a percepção de que, apesar de toda a faxina, apesar de muito esfregão, palha de aço, lava-jato e desinfetante, o ganho qualitativo com a renovação da representação política nacional no Congresso não foi suficiente para que as más práticas e os piores interesses perdessem vitalidade. O governo não podia contar sequer com metade do partido do presidente. Os outros dois blocos eram formados pelas oposições e pelo centrão. Ou seja, Bolsonaro tinha umas poucas dezenas entre os 594 membros do parlamento. Matéria de GauchaZH de 5 de fevereiro deste ano informa que durante 2019 o governo enviou 48 Medidas Provisórias ao Congresso e apenas 11 destas se converteram em lei.

Com uma plataforma conservadora e liberal, o governo tinha contra si praticamente toda a extrema imprensa e a totalidade do Supremo Tribunal Federal. Este último trata o governo como potência inimiga e assumiu um protagonismo político percebido como tirano. O STF é totalmente avesso à agenda conservadora e liberal e barra iniciativas caras aos eleitores do presidente, mas não condizentes com o petismo enraizado na maioria de seus membros.

O que fazer, e fazer logo?

De momento, no curto prazo, sem possibilidade de ir às ruas e sob forte repressão à liberdade de opinião, é urgentíssimo fazer andar os pedidos de impeachment de membros do STF entregues à leitura das traças nas gavetas do senador Davi Alcolumbre. Isso está no tabuleiro das iniciativas viáveis. São apenas três senadores por estado! Cada um deles, independentemente do partido a que esteja filiado deve passar a receber irresistível “pressão das bases”. Há que romper o circuito fechado “álcool gel”, onde as mãos se esterilizam reciprocamente nas relações entre o Senado e o STF.

Estou falando de usar toda a forma de contato civilizado possível para mostrar a cada senador, que sua cadeira é muito mais instável do que lhe pode estar parecendo. A renovação de seu mandato, sonho comum a todos, depende de agir tendo em vista o bem do Brasil, a decisão democrática das urnas, o respeito à Constituição, o Estado de direito. A proteção de maus magistrados, de maus colegas e más legendas não faz parte desse conjunto e será muito mal acolhida nas inexoráveis cabines de votação de 2024 e 2028. Nesse sentido, mobilize em seu município associações, sindicatos, meios de comunicação, lideranças políticas e todas as legítimas energias locais para cobrarem posição dos três senadores de seu Estado. Não esmoreça, não há impeachment sem apoio popular.

O êxito dessa campanha, que precisa de todos, abrirá portas para profundas transformações na cena institucional brasileira.


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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 


DELMAR ANTONIO WILDNER -   03/08/2020 23:47:40

Seja candidato Percival!!!

Menelau Santos -   03/08/2020 17:42:29

Por falar em ironia, recordemos o clássico do Soderbergh.

Menelau Santos -   03/08/2020 15:30:32

A situação do STF é tão terrível que às vezes o humor é a saída. Em sua inusitada atuação internacional, antevejo possíveis decisões: > Mandar o Governo Italiano desentortar a Torre de Pisa. > Mandar o Governo Inglês acertar o Big Ben com o horário de Brasília. > Proibir o acesso à Torre Eiffel até atingir a fase amarela. > Proibir o derretimento das geleiras polares.

Manoel Luiz Candemil -   03/08/2020 12:16:46

O Congresso e o STF estão agindo com profundo desrespeito ao resultado da última eleição, que colocou Bolsonaro na Presidência da República. Como será que pensam quanto às próximas eleições? Vão pedir ou impor a presença dos eleitores para votar? Haverá sentido ao Presidente do TSE em, através dos meios de comunicação, estimular o comparecimento do eleitor às urnas? Ou pretendem implantar um totalitarismo sem eleições?

Sidney Alves de Oliveira -   03/08/2020 11:30:41

Eeee muito Poder nas mais desses CARAS que se sentam em cima das Propostas e as apresentam qdo querem ...; algo deveria ser feito p MUDAR isso

EDISON BECKER FILHO -   03/08/2020 10:35:09

Concordo plenamente, mas também defendo que o politico bom é o que não foi reeleito. Isto tem que acontecer. Temos que dar um basta. Agora é interessante como quem é contra este governo tem se posicionado. Não só todas as demonstrações de autoritarismo de nosso STF, mas em geral. Começaram a circular nas redes sociais opiniões sobre questões que levaram a eleição de nosso presidente. No tocante a valores vindos da família, estimulados pelas escolas, enfim um universo pelo bem. Primeiro exemplo contra é o de Maia convidando Felipe Neto para ajudar na Fake News, segundo é a Natura e Thammy Miranda para homenagear o dia dos pais. Quanto mais tentarmos combater isto mais eles vão estimular. Parece-me que devemos usar psicologia infantil. Fazer o inverso para conquistar. Acredito que combater aquilo que queremos preservar na forma tradicional como temos feito é dar munição ao inimigo e isto eles tem demonstrado diariamente. A solução está no voto e somente com ele conseguiremos triunfar. Enquanto não renovarmos só nos resta pressionar constantemente. Seja no Senado contra o STF seja na Câmara para que as mudanças pretendidas pelo Executivo sejam aprovadas.

Luiz R. Vilela -   03/08/2020 09:30:23

A política no Brasil é "sui generis", dependendo de quem seja o vencedor, tem que se compor com o derrotado, ou sua vitória se assemelha a do rei grego Pirro, que declarou após uma batalha, que mais uma vitória destas, estaria acabado, ou seja, ganha mas não leva. No Brasil, quando se trata da administração pública, progressistas e conservadores, parecem ter a mesma cara. Os hábitos são comuns as duas corrente ideológicas, praticas idênticas e ambas as correntes se valem dos "suspeitos de sempre", o centrão. Os partidos chamados de centro, estão sempre em cima do muro, descem para o lado onde as árvores mais frutificam, ou seja, agregam a sua força, sempre de olho na famosa frase de São Francisco de Assis, é dando que se recebe. Bolsonaro esperneou o que deu, mas sucumbiu, sem centrão, sem governo. Agora ouve-se novamente que voltaram as baterias contra a operação lava jato, e que estaria em estágio de desmonte. Não é difícil imaginar o porque, a maioria dos "enrolados" só da o devido apoio se tiver a segurança que ficará a salvo da rebordosa. A "oposição", já esta começando a se preocupar, pesquisas dizem que Bolsonaro vence em qualquer situação uma nova eleição presidencial, até a CNBB e o tal clero progressista, já começaram a emitir notas com acusações contra o presidente, acusações infundadas, até porque o destino das críticas deveriam ser direcionadas ao STF, que é o autor da façanha de proibir o governo de governar. A pandemia segundo os ministros, é estadual e municipal, o governo federal, é apenas o pagador da conta. Esta muito difícil deste Brasil ser consertado pela política, o povo não tem ajudado o suficiente.

João Jesuino Demilio -   03/08/2020 04:44:44

Caro Amigo Percival Porque nunca fala no voto revogatório ou voto com recall? Não acredita nele? Eu sempre acreditei..Acho que um dos remédios para a democracia é o poder nunca sair da mão do eleitor..O poder que elege deve ser o mesmo poder que retira o mandato...Claro que antes o voto distrital puro.