• Percival Puggina
  • 21/09/2022
  • Compartilhe:

Recordações de certo dia de abril

 

Percival Puggina

         Era o dia 7 de abril e o sol se aninhava no horizonte quando Lula entrou no veículo da Polícia Federal estacionado junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Momentos antes, aquela alma serena e genuflexa, espírito de peregrino, com a pureza da “purinha”, falara à militância ali reunida.

Naquela mesma noite, registrei em breve texto meus sentimentos a respeito daquele instante. Imaginei que havíamos assistido ao ápice de um evento apocalíptico. No entanto, o sol não se fizera mais escuro, a terra não tremera e o véu do templo permanecera incólume. “O sol, a terra e o véu devem ser três incuráveis fascistas”, escrevi, ironizando minhas divagações. E acrescentei: “Enfim presenciamos o fracasso dos falsos profetas e a perda de força dos tutores da História”.

Relendo aquele texto percebo quanto, influenciado pelo clima da hora, fui otimista. Subestimei a força das potências que movem e promovem a impunidade quando digitei, literalmente: “Não há como reescrever – não para esta geração – o que todos testemunhamos. Não há como desgravar, desfilmar, desdizer; e não é possível desmaterializar os fatos”...

Eu estava enganado. A impunidade é uma imposição dos donos do poder para não ficarem amuados, para que se cumpra o anseio de Romero Jucá e a sangria seja estancada. Mais do que isso, aliás: é preciso desmaterializar os fatos, é preciso que alguém como William Bonner afirme: “O senhor nada deve à justiça”.

Sim, tudo isso eles fizeram. No entanto, o maligno plano tem uma falha essencial: os brasileiros sabem que há quatro anos as realizações do governo só têm espaço nas redes sociais, sabem que agem contra Bolsonaro os inconformados donos do poder, as ratazanas habituadas à beira do erário, os signatários de manifestos da USP, os ideólogos da destruição, os ativistas judiciais e os fascinados com os efeitos que a truculência do poder proporciona quando abusado. Os brasileiros sabem que cada conservador e cada liberal deste país é o inimigo que a esquerda mundial quer ver derrotado e destruído nas eleições de outubro.

Esse povo, nos dias que correm, está a dizer a si mesmo: agora isso é comigo; farei minha parte para construir essa vitória. Nós já sabemos do que são capazes.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


Menelau Santos -   23/09/2022 14:18:50

Texto inspirador! Seja abençoado, Professor!

Fabio -   23/09/2022 13:07:50

“Enfim presenciamos o fracasso dos falsos profetas e a perda de força dos tutores da História”. Ainda não, meu caro, ainda não...no manicômio em que se transformou a sociedade "moderna", muitos já não tem noção da normalidade, do certo e errado, do belo e nobre para o despresível...da verdade para a mentira...vivemos imersos nela e assim será até que venha a mãe de todas as reformas, a reforma moral da população. Só se pode colher o que se planta, hoje colhemos o que paulo freire, a teologia da libertação e os engenheiros sociais da usp plantaram...e com amplo apoio de todos os meios de comunicação "oficiais"e até mesmo de parte da elite empresarial e financeria "destepaíssssss".

Maria Cidalia Tojeiro Kok -   21/09/2022 14:05:24

Eu realmente amo os seus textos. Parabéns! É o que eu digo: "falou pouco, mas disse tudo e de forma bela. É poético"

Valterlucio Bessa Campelo -   21/09/2022 13:58:45

O mal não dorme nunca, caro mestre.