• Percival Puggina
  • 09/05/2024
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Conversa reservada sobre sigilo

 

Percival Puggina

 

         Escrevo baixinho, quase sussurrando as letras no papel, com todo cuidado para que nada escape pelas margens. Preciso falar muito reservadamente sobre o sigilo que, ele sim, ostensivo e ruidoso, bateu portas e cerrou janelas em nossa vida republicana.

Eu tinha uma ideia diferente sobre como deveria ser a vida numa democracia representativa, de modo especial num período privilegiado em que os meios de comunicação e informação estão na palma da mão dos cidadãos.

A alegada e justa preocupação com o direito dos eleitores à livre opção política e eleitoral tem levado a um impertinente e antinatural controle das opiniões que, por todas as razões, parece descrer das capacidades do eleitor e ser alérgica à liberdade de expressão.

Por exemplo. Foram inseridos no TSE, sem aprovação legal, mecanismos estranhos ao Poder Judiciário e à Justiça Eleitoral. Um deles investiga o que está sendo dito nas redes sociais e o outro delibera sobre o que pode e o que não pode nelas ser publicado. Tudo muito estranho numa época em que, loquazes, ministros do STF replicam com desenvoltura, o vocabulário empregado pelo governo para atacar a oposição.

Ao mesmo tempo em que convivemos com a censura por aleatórios discursos de ódio, desordem informacional, desinformação, desestabilização das instituições e sei lá mais quê, convivemos com sigilos impostos sobre tudo que possa gerar desconforto à oligarquia: agendas, pautas de reuniões entre personalidades dos poderes, viagens, estranhos eventos, jatinhos, inquéritos e processos de cunho político.

Nossa “democracia” está cada dia mais circunspecta e ensimesmada. Calado, o povo observa.

Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 


Menelau Santos -   13/05/2024 00:18:25

Professor, com a devida vênia, a liberdade de expressão nunca esteve tão liberada, mas só pode ser exercida em Londres e em hotéis de luxo.

Rubens -   12/05/2024 14:16:35

Infelizmente não estamos mais em uma democracia. Essa palavra está apenas sendo usada para justificar a censura e disfarçar a ditadura que está sendo implantada.

marisa van de putteObrigada -   11/05/2024 10:37:50

Obrigada por ter recebido a mensagem no meu Email. Como sempre o senhor e conciso. A persiguicao a oposicao e feita com o falso intuito de preservar uma falsa democracia. No Brasil torno-se uma situacao critica por ter um partido arrebatado o STF para agir em beneficio proprio.

judson -   11/05/2024 07:25:42

Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejo e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.

Danubio Edon Franco -   10/05/2024 16:52:42

Eles nem mesmo ficam vermelhos quando pedem a abertura de investigação policial por simples críticas à atuação governamental frente à tragédia que vivenciamos. Tudo aquilo que não lhes agrada é "fake news". O direito de crítica, seja esta correta ou não, está proibido. Enfim, a liberdade de expressão, em todas suas formas, está sufocada. Basta ver a desenvoltura com que se houve o TSE na eleição presidencial de 2022 e assim continua para eleições municipais deste ano. Até mesmo elaboraram um índex do que não pode ser dito. E não se tem notícia que o Congresso Nacional tenha esboçado alguma reação ou assim pretenda. Sem violentar a ordem constitucional, o que eles já fizeram, este é o meio e instrumento para reconstituí-la. Ao povo cabe a resposta nas próximas eleições ou vamos legitimar o comportamento ético e cívico daqueles que pensávamos nos representar. Acho que só nos resta aguardar, mas nunca silenciar. Continuemos, pois, a denunciar os desmandos.

Dagoberto -   10/05/2024 16:33:01

Não tão calado, enquanto houver vozes como a tua, estimado Percival. Nem por muito mais tempo, esperamos nós, os democratas de verdade.

Afonso Pires Faria -   10/05/2024 16:21:42

Parabéns professor. Sei que gostarias de dizer muito mais coisas, mas a nossa democracia pujante recomenda muita cautela.

Carlos -   10/05/2024 15:40:03

Estranhas similitudes com o modus operandi das piores e mais sanguinárias ditaduras da historia mundial...

Gerson Carvalho Novaes -   10/05/2024 15:26:50

A tendência natural de todo imbecil é escravizar. Democracia é algo não natural, mas artificial. A plena liberdade deve ser garantida aos cidadãos pelas mais altas esferas do pensamento. Infelizmente, estamos repletos de imbecis…