• Percival Puggina
  • 29/09/2021
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“A ECONOMIA A GENTE VÊ DEPOIS”

 

Percival Puggina

 

         Quando o presidente advertia para as consequências da paralisação da economia com os lockdowns, o “fecha tudo” e o “fique em casa”, a resposta que obtinha da oposição, das demais instituições de Estado e de entes da Federação (na voz de governadores e prefeitos), era a frase que dá título a este artigo: “A economia a gente vê depois”.

Duas perguntas, contudo, ficavam no ar. A gente, quem? Depois, quando? Tenho certeza de que todos os que repetiam essa bobagem, se tivessem botões dos antigos, bons de conversa, confessariam a eles que, no caso, “a gente” seria o Bolsonaro e “o quando” seria o mais tarde possível, para seu maior desgaste político.

O presidente teria que produzir a mágica de que àquilo não se seguisse um corolário de desemprego, queda da atividade econômica, escassez e alta de preços. O inesperado dessas estratégias típicas de nossa subpolítica é que o fim do mês chega, inexoravelmente, aos dois lados do tabuleiro. Chega para os prós e para os contras. E, com ele, o supermercado, o aluguel, a conta de luz. Aliás, quando me lembro de tudo que foi feito pela esquerda (partidos, ONGs, MP) para impedir o funcionamento na região amazônica de hidrelétricas capazes de atender durante décadas a elevação da demanda nacional, meu único consolo é saber que a conta de energia que escasseia e encarece chega para os autores e para as vítimas daquela imprudência (bilhões de reais foram mumificados lá).

Não existe vacina contra o analfabetismo econômico. Dele só vamos tomando consciência na CTI das crises.

Também o aumento dos preços chega para todos. Como lembrou com precisão o amigo Gilberto Simões Pires em recente artigo, essa é a conta do “fecha tudo e fica em casa”. As pessoas pararam de trabalhar, mas continuaram consumindo. As vendas pela internet dispararam até a escassez se instalar, pois quem podia e sabia produzir estava em casa. Os preços subiram por total desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Fenômeno mundial que, agora, se transforma em arma política dos intelectualmente desonestos e tiro no pé dos que imaginavam possível decidir sobre questões nacionais desconhecendo rudimentos de Economia. São vítimas do mal que fizeram.

A alta de preços é, por tais motivos, um problema mundial. Nesse particular, nossa posição é até mesmo privilegiada, pois somos um país fornecedor de commodities, com destaque à produção de alimentos. Lá fora, o aumento de preços de gêneros alimentícios é muito superior ao que temos aqui.

Desde o começo da pandemia, a tônica dos raros bons conselheiros clamava contra o “faça-se de tudo para que as pessoas fiquem em casa” e invertia a perspectiva: “Faça-se de tudo para que as pessoas possam trabalhar com a máxima segurança possível”.

A linha de frente do retrocesso e do analfabetismo funcional, os agentes do desemprego, os promotores de falências, os cientistas de redação, os pensadores de fone de ouvido, os noviços no claustro das narrativas têm que cumprir sua desatinada missão. Agora, apresentam como obra alheia as consequências da miséria a que deram causa.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


Luiz Guilherme Winther de Castro -   05/10/2021 22:24:57

Doutor Percival Puggina Li seu artigo sobre ver a economia depois, a grande bobagem que inimigos do presidente diziam. Eles sim, foram os verdadeiros culpados de tantas mortes. Ótimo artigo. Saiu na coluna Opinião do jornal diário Folha da Manhã, de Passos, MG. Sei que o senhor tem contato com a professora e doutora Maria Lucia Victor Barbosa. Acontece que eu também tinha e nos nossos últimos contatos ela me disse que iria tratar de uma doença. Não consegui mais contato com ela. Há poucos meses recebi um texto dela. Tentei responder e reatar o contato, mas, não obtive sucesso. O senhor teria notícias dela para me repassar? Ficarei muito grato. Eu também escrevo na coluna Dia a Dia, aos domingos, no jornal citado, mas, não falo de política. Vez ou outra envio uma carta para a coluna "Do Leitor", aí sim, defendendo o nosso capitão. Gosto mundo de usar uma figura de linguagem conhecida como "ironia". Afinal, não dá para sequer dialogar com esquerdistas. Caso possa me informar sobre a professora Maria Lucia, meu e-mail é: luizguilhermewintherdecastro@hotmail.com

Odilon Toledo -   05/10/2021 14:47:23

Perfeito o comentário do Marciano Lang Fraga. Fomos vítimas, mais uma vez, daqueles que nada produzem, que da segurança do emprego vitalício ou do home office decidiram que o país deveria parar. Curiosamente, não ousaram confinar os motoboys, os caixas dos supermercados e farmácias, os trens e ônibus que transportam seus empregados (e suas lagostas, seus vinhos...), revelando, com essa cegueira seletiva, que seu interesse não era propriamente a saúde dos brasileiros, o controle da pandemia, e sim a destruição do presidente eleito pelos cristãos e conservadores - por isso mesmo promovido pela mídia e pela "resistência" a inimigo do Brasil. A prova da má-fé aparece agora, no acobertamento dos próprios erros, cinicamente atribuídos a quem os previu e tentou evitá-los. Muitos vêm escrevendo que o Brasil precisa de uma pacificação, de encontrar um centro moderado. É o que desejo, também. Mas isso não acontecerá enquanto a política da má-fé continuar pautando extensos setores da oposição, da autodeclarada "resistência", da universidade e da mídia. Para aplaudir a paz são necessárias duas mãos. Desarmadas.

Joel Robinson -   04/10/2021 10:58:50

Pandora Papers Micheque Micaixa Motociata Desmonte do IPEN, se você precisar de Iodo para quimioterapia não tem mais. Parabéns, ganhou dos petralhas.

Vanderlei Zanetti -   30/09/2021 17:30:53

Se o Brasil tivesse adotado o “lockdown” como estipulado na Argentina, como estaria a nossa situação agora? É fácil deduzir que nossa situação econômica estaria quase que totalmente deteriorada como lá, na Argentina.

Marciano Lang Fraga -   30/09/2021 09:18:45

Excelente artigo, como sempre, mas eu faria um reparo, se me permite: aqueles de defendiam o "fique em casa" e o "fecha tudo" em sua grande maioria não eram responsáveis por produzir nada (políticos, comissionados, funcionários públicos, aposentados e pensionistas) e de certo modo estão mais protegido da inflação pois normalmente essa categorias tem reajustes automáticos e reposição maior. Outra parcela era a mídia militante (maioria), profissionais liberais ou gestores de negócios que conseguiram trabalhar em "home office" sem muito prejuízo. De certo modo pode-se incluir aqui também uma grande parcela da juventude estudantil que também não produz e de certo modo até gostou de umas férias prolongadas. Férias aliás comprovada pela enorme migração observada para a praia, serra ou sítios. Essa pandemia deixo claro o enorme universo (milhões e milhões) de pessoas que vivem à custa do Estado e me fez pensar como seríamos uma nação rica se não tivéssemos que carregar todos os dias esse peso enorme nas costas

Luiz R. Vilela -   30/09/2021 08:55:35

Pois é! Tem aquela do assessor do Bill Clinton, que já dizia:"É a economia, estúpido". Pois Bem! A economia no Brasil da pandemia, foi reduzida a um penduricalho da vida nacional. A estupidez, sob a proteção dos também desentendidos na matéria, ministros do supremo, criaram o monstro que agora devora grande parte da economia nacional. O que me deixa admirado, é que a maioria dos políticos e também "juristas" nunca administraram sequer uma bodega que vendesse um copo de cachaça para alguém, inclusive tem alguns que se sabe que na sua própria casa, a administração é da mulher. Ai vem eles, cheio de poses e teorias, administrar o que é de todos, Só colhem desastres. É um desatino sob qualquer circunstância, entregar o pais e principalmente a economia a pessoas tão despreparadas. É apostar no erro. Agora vem a "ladainha", a culpa é do Bolsonaro, que a bem da verdade, foi peremptoriamente desautorizado pelo STF, ficou "pendurado no pincel", mas para não fugir do script, é o suspeito de sempre. E agora José? Os responsáveis pela tragédia, já pensam em candidaturas nas próximas eleições, e como Marias Antonietas, respondem ao povo, não tem pão, comam brioches.

Ademir -   30/09/2021 06:28:10

Excelente...verdades postas...no Brasil há necessidade de se mudar para representantes nas casas legislatovas que visem o presente e futuro desses país.

Rosinha Cristina Leoni -   30/09/2021 04:39:53

Como sempre,análise perfeita.Quiseram atingir o Presidente mas esqueceram que ninguém escaparia das consequências do fecha tudo... Voilà!

Menelau Santos -   29/09/2021 23:59:16

Fui testemunha de muitas ironias, uma delas, de que o governo deveria parar de pagar juros para banqueiros para dar dinheiro para o povo em casa, pois a "direita" adora banqueiro. Aquelas marmitas requentadas que a esquerda vive lançando mão nas vacas magras dos argumentos

Oscar Antonio Lorenzini -   29/09/2021 22:05:57

Há se tivessemos 100 Percivais , como seria bom, claro objetivo. Parabens

Luiz Eduardo Paes Leme -   29/09/2021 19:50:56

A economia não para. O mundo não para. As exigências aumentam cada vez mais. Com a paralização só aumenta a burrice. Veja o nosso estado de São Paulo.

Roberto -   29/09/2021 18:18:09

Aguardo sua indicação para à academia brasileira de letras.

Maria de Lourdes Baptista de Bonis -   29/09/2021 16:35:09

Parabéns ao Professor que ele é... gosto dos comentários que nos explica mtas coisas! Obrigada.

OS CAÇA-FANTASMAS