Alex Pipkin, PhD
Há uma verdade incômoda, atribuída a Margaret Thatcher, que funciona como epitáfio de nações desorganizadas; o dinheiro alheio acaba.
Não é provocação; é constatação. O colapso não nasce da falta de boas intenções, mas de um erro elementar sobre a origem da riqueza.
No debate público, insiste-se em apontar o imposto como causa. Não é; o imposto é consequência.
A distorção começa antes, no impulso contínuo de expandir o gasto público como se o recurso fosse impessoal, desvinculado do esforço, do risco e da decisão de quem produz.
O erro se aprofunda quando o Estado passa a tratar o capital privado como um estoque disponível para promessas políticas. Ao ampliar benefícios e distribuir subsídios sem critério de eficácia, desloca-se o eixo da responsabilidade de uma forma perversa.
Quem produz torna-se financiador involuntário de uma ineficiência que não escolheu.
Não se discute a necessidade de amparar quem precisa. O ponto de ruptura está no limite. O que deveria ser suporte transitório consolida-se como estrutura permanente. A exceção, no Brasil, foi elevada à regra. O instrumento de proteção social deixa de corrigir falhas e passa a organizar o sistema.
Dessa escolha emerge uma física econômica que não concede indulgência. O gasto excessivo exige mais arrecadação; a voracidade fiscal sufoca o investimento; a retração do capital drena a base de geração de riqueza e a escassez resultante alimenta novas demandas por gasto.
É um ciclo que consome o chassi para alimentar o motor.
Enquanto a economia real suporta o peso de tributos que alteram decisões e comprimem ambições, a resposta institucional repete o mesmo caminho, preservando privilégios e evitando enfrentar o núcleo do problema. Procrastinar é um dos esportes verde-amarelos favoritos.
Disciplina fiscal não é preferência de economistas; é condição de sobrevivência de qualquer sociedade que pretenda ser livre. Gastar além da capacidade não produz justiça social; corrói as bases que a tornariam possível.
O Brasil não enfrenta um problema de compreensão técnica. Enfrenta um problema de escolha deliberada, confortável e reiterada.
Impostos podem até ser inevitáveis, mas a recusa em aceitar limites é a conta que nunca perdoa.
Resta saber até quando o brasileiro aceitará o destino de Sísifo, aquele de carregar o peso de um Estado que consome o amanhã para custear os erros de ontem.