• Percival Puggina
  • 03/03/2021
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UMA DISCRIMINADA, OPRIMIDA E ESQUECIDA MINORIA

 

Percival Puggina

            Que fique claro. Sou contra discriminações e opressões. Não me serve o chapéu do branco machista e preconceituoso. Percebo, porém, que, como quase tudo no Brasil, diferenças e desigualdades vêm sendo politizadas e frequentemente denuncio o quanto isso não contribui para a harmonia social. O discurso usual das diferenças e desigualdades, aliás, age contra o objetivo supostamente integrador, seja criando-as onde não existem, seja acentuando antagonismos existentes.

            Isso não surpreende. As revoluções são feitas assim e os revolucionários sabem como o estopim opera. Para quem quer revolução, reengenharia social, nova ordem mundial, a humanidade inteira sob um único querer e o big brother controlando tudo, o caminho de menor risco e brutalidade é esse. É uma politização demente. Mesmo assim, dela provém a acusação de serem contra as minorias todos aqueles que se opõem à manipulação partidária dessas pautas.

            Trata-se de uma simples relação de causa e efeito que resulta evidente na mera observação de um número infinito de comprovações. Os militantes de quem falo aqui não saem a público para defesa incondicional das minorias que adotam. Quando o fazem, estão a tratar de seus militantes na causa, ou da utilidade de algum acontecimento à causa. Quem pertence à minoria, mas não é, simultaneamente, militante político e não serve ao projeto de poder, é discriminado e tratado como traidor. Minoritário dentro da minoria! Penso que isso mostra como a causa é política e sua benemerência passa longe de uma virtude real. O interesse pelo poder supera o interesse pela causa.

            É pensando nisso que ressalto sua contradição com uma realidade que frequentemente denuncio. Refiro-me à discriminação de um grupo inteiro, comprovadamente discriminado, oprimido, excluído! Refiro-me ao que acontece na Educação brasileira, em geral, e nas universidades federais de modo ainda mais acentuado, com professores, autores, materiais didáticos e, até mesmo em relação a alunos que não sejam de esquerda.

            Não pertencer à fraternidade dos adoradores dos mártires do mensalão e do petrolão, tão injustamente apanhados na rede da Lava Jato, é inaceitável.  Não integrar os quadros dos devotos de San Maduro, San Fidel e San Guevara de la Higuera, transforma qualquer um em objeto de execração. Não ser consagrado à Ordem dos Barbudinhos de Paulo Freire fecha muitas portas.  

Na educação brasileira, ideias divergentes são discriminadas. Vistas em certos casos concretos podem, mesmo, ser indigitadas como fobias que criam ambiente de perigo para quem as pretenda expor. Sobram exemplos e faltam soluções.

            Escreveu-me outro dia um professor de História. É filiado a um partido de esquerda e, eventualmente, diverge de minhas posições num modo cordial. Disse-me que, atuando no magistério, em seu círculo de relações, é raro encontrar algum professor que reconheça viver o povo cubano sob uma ditadura.

***

        Um ambiente tão pouco plural é insalubre, asfixiante à formação da consciência social, política e econômica dos estudantes brasileiros. Seu discernimento é contido como se estudantes cubanos fossem. A Educação de nosso país precisa superar esta fase de hegemonia, esse tempo trevoso em que mergulhou levada pela mão maliciosa de tantos militantes, ativistas, ideólogos que detêm o privilégio da cátedra, da bibliografia e da caneta que dá nota.

            Claro, não vou pedir quotas para professores que não sejam de esquerda, mas que a situação está a sugerir esse tipo de galhofa, lá isso está.

*Publicado originalmente em Conservadores e Liberais, o site de Puggina.org

 

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.


Vanderlino H Ramage -   08/03/2021 17:20:23

quem conhece um pouquinho de história, sabe que isto nos levará ao ponto de ruptura, e aí haverá ranger de dentes

Menelau Santos -   05/03/2021 11:03:32

É isso mesmo Professor. Dei aula por 5 anos em faculdade de humanas. Só se falava de esquerdismo. É é engraçado porque era proibido falar de outra coisa. Quando vc usava uma linguagem diferente os colegas te olhavam de soslaio. E eram os mesmos que hoje vivem a dizer que a idade média foi um tempo de obscurantismo e que a Inquisição Católica condenava à fogueira quem discordava dela.

Antonio de Almeida Ramos -   05/03/2021 04:11:23

Gerações caminham para o totalitarismo, condicionadas pela Escola, que foge das suas tarefas de formar cidadãos para o exercício da democracia, indispensável para o fortalecimento das instituições e do desenvolvimento econômico

Vanderlei -   04/03/2021 15:49:39

Até nos "STATES" este tal de Gramsci já está “andando”, mesmo já tendo morrido, e já faz um bom tempo. Quem quiser saber mais é só ler o livro editado em 2013, “Credenciada para destruir: como e por que a educação se tornou uma arma - Credentialed to Destroy: How and Why Education Became a Weapon”, escrito por por Robin S. Eubanks, disponível na Amazon - EUA, onde é relatado como os esquerdistas, democratas, gradualmente estão controlando os currículos das escolas e universidades americanas

Agnaldo Gonçalves -   04/03/2021 12:19:40

Expôs exatamente como é a nossa realidade conjuntural, nua e crua! Poucos se dignam a tanto! Parabéns!

Fabio -   04/03/2021 09:02:34

Sou de minas, quando da passo aqui para ler seus textos, sempre muito claro e objetivo.

Alexandre -   04/03/2021 06:06:05

Parabéns pela lucidez na exposição dos seus pensamentos.

Jose Roberto de Lima Machado -   03/03/2021 20:32:31

Muito Bom; a esperança sobrevive, no manifesto de um "glóbulo branco professor", sobrevivente e ainda ativo. Ecoando das entranhas, ainda sadia, da envolta e putrefata "Revolução Cultural", dos Socialistas Fabianos. Frios e insensíveis violentadores das "Instituição mãe e da sua filha(educação e cultura) da Nação. Que de tanto abuso e violência nos longo anos de sofrimento, vieram a parir uma geração de imbecis-zumbis e incapazes.

NEIDE PAFECE NARCELLOS -   03/03/2021 17:46:43

Perfeito seu texto.