• Alex Pipkin, PhD
  • 15/10/2021
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PARA QUE SERVE A UNIVERSIDADE?

 

Alex Pipkin, PhD


Faz pouco tempo, vinha dirigindo pela Av. Nilo Peçanha e quase bati meu carro.

Próximo à universidade, que tem sede em São Leopoldo, há um imenso outdoor da instituição com os seguintes dizeres: “Como minha profissão pode ajudar a reduzir as desigualdades sociais”. Acho que é isso.
Espanto total; fiquei incrédulo.

Sinceramente, não sei mais se é possível vencer as narrativas coletivizantes que vêm sendo implementadas no país.

Primeiro, penso que o papel essencial de cada curso universitário é promover à excelência acadêmica técnica, formando profissionais em suas respectivas áreas de conhecimento e de especialização que possam melhor suprir as necessidades dos indivíduos e dos consumidores. Se assim ocorrer, a sociedade como um todo será beneficiada.

Verdadeiramente os cursos devem buscar alcançar as fronteiras do conhecimento em cada área de especialização, inovando em soluções, em produtos e em serviços para a população em geral.

Em nível individual, um acadêmico dotado das melhores habilidades e competências pode evoluir profissionalmente e, sem dúvida, indiretamente contribuir para o bem comum.

Portanto, objetivamente, a função vital de um curso acadêmico não é "reduzir as desigualdades sociais". Uma coisa são os fatos, outra coisa são as narrativas.

Segundo, o que importa genuinamente não são as alardeadas desigualdades sociais, mas sim a pobreza!

Quando eu leio, vejo e ouço a narrativa da "desigualdade social" me dá uma espécie de arrepio. Na grande maioria das vezes, isso implica na inveja, no ódio e no rancor àqueles que se esforçam, produzem e atingem resultados em várias esferas da vida - para si e para os outros.

Não há, como quase sempre sugerido, um jogo de soma zero, em que para alguns ganharem outros têm que perder. Se um empreendedor inventou algo que beneficiou a todos e ficou bilionário, ótimo. Sua riqueza certamente não afeta a minha vida e não impactará sobre o que eu posso ganhar.

As pessoas são diferentes, dotadas de capacidades e habilidades distintas, com diferentes objetivos e planos de vida.

O que importa de fato, inclusive moralmente, é a pobreza. A falta de recursos para comer, vestir, habitar, estudar e viver dignamente.
O foco, meu juízo, deve estar na erradicação da pobreza. Deve estar na luta por instituições mais inclusivas, a fim de eliminar esse Estado gigantesco e ineficiente no país, e o costumeiro e invencível capitalismo de compadrio tupiniquim.

Pois é, eu conheço a narrativa de uma linha jesuíta com suas retóricas à la "faça o que eu digo, não faça o que eu faço"...

Dia 15 de Outubro é dia do professor. O outdoor que eu colocaria no lugar deste que mencionei, seria exatamente um no sentido de que a universidade - não esquecendo que significa totalidade - teria vinculação com a geração de ideias e conceitos inovadores (em cada curso específico); com a criação de soluções inovadoras que melhorariam suas respectivas áreas do conhecimento, reverberando para toda a sociedade. As pessoas precisam de ideias, de inovação e da criatividade de acadêmicos especialistas. São tais ideias que contribuirão para a redução da pobreza.

É muito triste constatar - como a evidência desse outdoor - que a ideologia coletivista tomou conta das universidades, e a ideologia se baseia em meras crenças e não em evidências que comprovam aquilo que dá certo e que promove o maior progresso e crescimento para todos.