• Paulo Moura
  • 20/04/2015
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MOVIMENTO PRÓ-IMPEACHMENT: ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS?


As manifestações que ocorreram nos dias 15 de março e 12 de abril passados levaram milhões de brasileiros às ruas para protestar contra a corrupção e a favor do impeachment de Dilma. O povo mandou um recado claro ao PT, ao governo e a todo o sistema político.

A tentativa do PT, do governo e da mídia chapa branca de desqualificar o movimento alegando que no dia 12 havia menos manifestantes é absolutamente irrelevante. As pesquisas confirmam que os índices de insatisfação do povo com o governo, seu apoio às manifestações e ao impeachment de Dilma não diminuiu. Qualquer ator político com mais de dois neurônios entre as orelhas reconhece essa realidade.

No artigo “O caminho para o impeachment”, afirmei: “Para que um processo de impeachment seja instaurado e levado a cabo, é preciso, em primeiro lugar, que existam condições políticas. E o primeiro pré-requisito é o clamor popular. Dia 15 de março comprovará, com multidões nas ruas, que o clamor popular existe e é crescente. Essa será a primeira de uma longa jornada de manifestações que aquecerão o caldeirão da opinião pública até o Congresso se dobrar à vontade das ruas. Em segundo lugar, é preciso que as elites políticas da nação concluam que Dilma não tem mais condições de governar e entrem em acordo em torno da decisão de remover a petista do poder pela via democrática, como ocorreu com Collor. Conversas e acordos entre líderes das Forças Armadas, líderes dos principais partidos, líderes empresariais, líderes religiosos e de organizações socialmente relevantes devem preceder à decisão coletiva de instaurar o processo de impeachment. Feito isso, é preciso ir aos fundamentos jurídicos do processo em busca dos argumentos que serão esgrimidos para legitimar a cassação de Dilma obedecendo o que a lei prevê para casos como esse. Os que dizem que o impeachment não se aplica difundem a falsa afirmação de que não haveria provas contra Dilma, dando a entender que ela teria que ser flagrada roubando para ter o mandato cassado.”

Esse roteiro segue válido e o curso dos acontecimentos evolui na direção apontada nesse artigo de 14 de março passado. As condições para um processo de impeachment estão dadas.

O povo nas ruas, as pesquisas, a evolução da Operação Lava Jato e a profusão de CPIs no Congresso (Petrolão, BNDES, Fundos de Pensão, etc.) em curso ou por serem instaladas, bem como a construção de inúmeros pareceres jurídicos encomendados por agentes políticos ou produzidos pelos advogados que protocolaram pedidos de impeachment no Congresso se encarregará de produzir o argumento para que, no momento certo, o PMDB aceite a abertura do processo.

Da mesma forma, a prosseguir o curso dos acontecimentos dessa forma, dificilmente o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, terá como se negar a investigar a participação (ou omissão) de Dilma nas falcatruas perpetradas pelo PT em seu projeto de perpetuação no poder.

Dilma Rousseff, definitivamente, jamais poderá ser acusada de falta de coragem e de temer viver perigosamente. Prova disso foi a escolha de seu ex-tesoureiro de campanha para a Secretaria de Comunicação do governo.

Da mesma forma, Dilma confirmou sua vocação para a vida perigosa ao entregar a articulação política do seu governo a Michel Temer (PMDB). É bem verdade que o fez contrariada e premida pelas circunstâncias decorrentes de seus próprios erros. Mas, em política, julga-se os atores pelas atitudes, não pelas palavras.

Esse duplo movimento, entregar a comunicação ao PT e a articulação ao PMDB, criou nos comentaristas da mídia a falsa sensação de que Dilma estaria ganhando fôlego para recuperar a inciativa e voltar a fazer as peças brancas retomarem a iniciativa no xadrez da política. Ledo engano. Bastou Vaccari Neto, o segundo tesoureiro do PT ser algemado pela PF, dessa vez junto com seus familiares, para que essa percepção se esvaísse.

Fontes bem informadas da imprensa independente sugerem que José Dirceu, aclamado pelos petistas como guerreiro do povo brasileiro, voltará para o xilindró em breve, amanhã talvez, por motivos tão nobres quanto os que levaram Vaccari para trás das grades. E dessa vez, o anistiado e reincidente Zé Dirceu, não será mais réu primário.

Hostilizado pelo PT e pelo PSOL nos eventos que frequenta pelo Brasil discutindo Reforma Política, o deputado Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados, emite claros sinais de que não se sente contemplado pelo fato de o Vice-presidente Michel Temer (PMDB), ser nomeado articulador político.

Da mesma forma, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB), contrariado pela nomeação de Henrique Alves (PMDB), para o Ministério do Turismo em detrimento de seu apaniguado (quem era mesmo?), recusa cargos no governo, segue defendendo a redução dos ministérios e sinaliza que a nomeação do advogado do MST, Luiz Fachin, para a vaga no STF, não obedecerá o script do Planalto.

Definitivamente o PMDB na oposição é muito mais divertido do que no governo.

Para complicar ainda mais a vida de Dilma e do PT, os movimentos de rua; Revoltados On Line, Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL), evoluíram nas formas de ação e assumiram o risco de uma Marcha para Brasília, a pé, de São Paulo até a capital do Brasil, ao término da qual pretendem acampar na frente do Congresso até que Renan Calheiros abra o processo de impeachment ou que Rodrigo Janot admita investigar Dilma Rousseff.

Por fim, a conjuntura econômica caminha a passos rápidos em direção a Agosto, o mês do cachorro louco; o mês do suicídio de Getúlio Vargas.

Recessão, inflação acima de 8% ao ano, fim do seguro desemprego para quem forçou a demissão em fevereiro para fugir da nova regra e viver às nossas custas até julho e terá que buscar emprego em seis meses, sugerem que todos os ingredientes da cena política e econômica conspiram para que o processo de impeachment de Dilma floresça na primavera de 2015.

Amém.

http://professorpaulomoura.com.br/