Em 16 de outubro de 2020

Cuba Castrista - não pode esconder - está em um "período de espera" aguardando o resultado das eleições nos Estados Unidos. Como "cortina de fumaça" dessa espera, ela encheu o noticiário cubano com uma tarefa mais do que necessária: a troca de moedas. O regime aproveita, agora, para divertir o povo sem comida com um jargão monetarista. É sabido que a Cuba de Castro quer que Joe Biden seja o vencedor das eleições. Ele prometeu retornar à política de Obama em relação à ilha e seu vice até prometeu "suspender o embargo". Vamos analisar.

Cuba como tal não está nos planos futuros dos Estados Unidos, ou de Biden, ou de Trump. Essa é uma realidade que os cubanos têm a obrigação de compreender. A partir dessa base, as coisas poderiam se comportar assim: se a vitória fosse de Biden, ele faria uma concessão à esquerda de seu Partido Democrata, que se encarregaria de definir livremente uma política para a ilha. A ditadura se fortaleceria e pouco haveria a fazer. Até agora não há nenhum grupo cubano aconselhando Biden, fora de Bernie Sanders, "o esquadrão" e companhia.

Se Trump fosse eleito, haveria uma política de continuidade com a atual política dos EUA em relação à ilha. Há um plano da direção de Castro nesse sentido. Uma vez que Raúl Castro - gravemente doente - desaparecesse, o plano consistiria em estruturar uma política econômica semelhante à que se fez primeiro na China e depois no Vietnã. A esta política, os EUA de Trump responderiam positivamente, porque as elites bipartidárias norte-americanas preferem para Cuba sua estabilidade político-social, do que a derrota da ditadura. Dessa forma, mantêm uma forte estrutura militar dentro da ilha, que controla o narcotráfico e evita a temida debandada “balseira”.

Com Trump negociando com o regime de Castro tardio e remanescente (após Castro) e resolvido economicamente o café da manhã, almoço e jantar dos cubanos, a luta pela democratização da ilha realmente começaria a médio prazo, com o apoio bipartidário dos EUA. Os Estados Unidos entendem que uma mudança radical de governo agora em Cuba correria o risco de o narcotráfico, que domina o México, cair sobre a ilha de forma irrefreável, muito mais hoje, que os Estados Unidos viram a necessidade de “prender” o ex-ministro e chefe do exército mexicano.

O trânsito descrito seria um pouco diferente se Biden fosse bem-sucedido. O castrismo só iria para o esquema chinês se fosse forçado pelos EUA, depois que Raúl morresse. A equipe que delinearia a política dos EUA em relação a Cuba sob Biden é um marxista, que não veria necessidade de forçar a ilha a ir para o "capitalismo odiado" na economia. Isso seria aproveitado pelo Castrismo para tentar obter empréstimos fáceis (que não pagaria depois) e pelo menos quatro longos anos seriam perdidos para resolver - pelo menos - a alimentação dos cubanos. Democracia e liberdades, aparentemente, seriam apenas a médio e / ou longo prazo. Não é o que eu quero, mas é o que "está" na mesa.

Os artigos deste autor podem ser consultados em http://www.cubalibredigital.com

*Traduzido do espanhol pelo editor do blog Liberais e conservadores – Puggina.org.
 

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AFINAL, QUEM TINHA RAZÃO?

Percival Puggina, com conteúdo de Frontliner

16/10/2020

Leio em Frontliner 11/10/2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os líderes contra confiar nos lockdowns para combater os surtos – após ter dito anteriormente que os países deveriam ter cuidado com a rapidez com que reabrem.

O Dr. David Nabarro, ex-candidato do Reino Unido para chefiar a OMS e atual Enviado Especial para Covid-19 da organização, disse que tais medidas restritivas devem ser tratadas apenas como último recurso.

Em entrevista à Andrew Neil, da revista britânica The Spectator, Nabarro afirmou que a única coisa que os lockdowns conseguiram foi pobreza – sem nenhuma menção ao potencial de vidas salvas.

“Nós, na Organização Mundial da Saúde, não defendemos os lockdowns como o principal meio de controle desse vírus”, disse o Dr. Nabarro.

“A única vez em que acreditamos que um lockdown se justifica é para ganhar tempo para reorganizar, reagrupar, reequilibrar seus recursos, proteger seus profissionais de saúde que estão exaustos, mas, em geral, preferimos não fazer isso”, disse o Enviado Especial da OMS.

No mês passado, Nabarro disse aos parlamentares do Comitê de Relações Exteriores do Reino Unido que “medidas de contenção” levariam a “grandes aumentos na pobreza, fome, desemprego e assim por diante”. Agora ele alertou a The Spectator para “uma catástrofe global horrível” que está se desenrolando.

Nabarro disse que há danos significativos causados por lockdowns rígidos, com impacto global devastador nos níveis de pobreza, especialmente nas economias mais pobres que estão sendo afetadas indiretamente.

“Basta olhar para o que aconteceu com a indústria do turismo no Caribe, por exemplo, ou no Pacífico porque as pessoas não estão tirando férias”, disse.

“Veja o que aconteceu com os pequenos agricultores em todo o mundo. Veja o que está acontecendo com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Podemos muito bem ter pelo menos o dobro da desnutrição infantil”, destacou Nabarro.

O contexto nos países pobres é muito diferente das nações mais ricas, pois pode levar à fome.

COMENTO

O presidente errou nas suas rotinas de não usar máscara, promover aglomerações, apertar mãos, etc.. Errou ao minimizar os riscos inerentes à transmissão do vírus, ao falar em gripezinha, modalidade em que a Covid-19 se apresenta, mesmo, na maior parte dos casos. Mas acertou ao se opor às rígidas regras impostas e à violência a que estados e municípios submeteram seus cidadãos, seus meios de subsistência, e suas atividades econômicas.

Bolsonaro não tinha informação científica com que se orientar, mas intuiu as catastróficas consequências que adviriam exatamente para essas populações mais pobres a que se refere o Dr. Nabarro. Este, na verdade, reitera a posição assumida por mais de 10 mil cientistas de medicina e saúde pública e 25 mil médicos clínicos que subscrevem a Declaração de Great Barrington (1) reproduzida aqui no dia 09/10 (2).

     (1) https://gbdeclaration.org/declaracao-de-great-barrington/ 
    (2) http://www.puggina.org/fique-sabendo/declaracao-de-great-barrington/6786

 

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ELES NÃO SE COMUNICAM, NÓS NOS TRUMBICAMOS

Percival Puggina

12/10/2020

 

 A inacreditável soltura de André do Rap, líder do PCC, por ordem do ministro Marco Aurélio Mello, sinaliza mais um passo em direção ao fim do mundo. A ordem foi revogada, é verdade, pelo novo presidente do STF, ministro Luiz Fux, mas era tarde demais. O criminoso já batera asas e voara.

 Os dois ministros não rasgaram seda e partiram para o bate-boca. Neste exato momento, leio em OAntagonista que o traficante Gilcimar de Abreu, o Pooker, pediu ao ministro Marco Aurélio um novo canetaço, em extensão à ordem concedida a favor do coleguinha André do Rap. O que este tem que o Pooker não tem?

Não preciso esperar a decisão para diagnosticar, no episódio, além da óbvia artimanha inscrita na Lei Anticrime tornando obrigatória a revisão trimestral da necessidade da manutenção das prisões preventivas, inclusive de réus condenados (!) em segunda instância, um gravíssimo problema de comunicação.

Certas decisões judiciais parecem exaradas desde aqueles mosteiros construídos em condições quase impossíveis, no alto de penhascos, na Europa medieval. Eles começaram a surgir na Alta Idade Média por inspiração de Santo Antão do Egito e, posteriormente, sob a regra de São Bento de Núrsia.

Autoridades cujo importante e oneroso trabalho é pago pela sociedade parecem incapazes de iniciativas que envolvam pedir esclarecimentos ao pessoal da planície, lá embaixo, antes de decidir contra o evidente interesse da população (não carcerária)...
 

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DECLARAÇÃO DE GREAT BARRINGTON

Milhares de cientistas, clínicos e cidadãos

09/10/2020

Como epidemiologistas de doenças infecciosas e cientistas da saúde pública, temos sérias preocupações sobre os impactos prejudiciais para a saúde física e mental das políticas prevalecentes da COVID-19, e recomendamos uma abordagem a que chamamos Protecção Focalizada.

Viemos tanto da esquerda como da direita, e de todo o mundo, e temos dedicado as nossas carreiras à protecção das pessoas. As actuais políticas de confinamento estão a produzir efeitos devastadores na saúde pública a curto e longo prazo. Os resultados (para citar alguns) incluem taxas mais baixas de vacinação infantil, agravamento dos prognósticos das doenças cardiovasculares, menos exames oncológicos e deterioração da saúde mental – levando a um maior excesso de mortalidade nos próximos anos, com a classe trabalhadora e os membros mais jovens da sociedade a carregar um fardo mais pesado. Manter os alunos fora da escola é uma grave injustiça.

Manter estas medidas em vigor até que uma vacina esteja disponível causará danos irreparáveis, com os mais desfavorecidos a serem desproporcionadamente prejudicados.

Felizmente, a nossa compreensão do vírus está a crescer. Sabemos que a vulnerabilidade à morte da COVID-19 é mil vezes maior nos idosos e doentes do que nos jovens. De facto, para as crianças, a COVID-19 é menos perigosa do que muitos outras doenças, incluindo a gripe.

À medida que a imunidade se desenvolve na população, o risco de infecção para todos – incluindo os vulneráveis – diminui. Sabemos que todas as populações acabarão por atingir a imunidade de grupo – ou seja, o ponto em que a taxa de novas infecções é estável – e que isto pode ser assistido por (mas não depende de) uma vacina. O nosso objectivo deve ser, portanto, minimizar a mortalidade e os danos sociais até atingirmos a imunidade de grupo.

Uma abordagem mais compassiva que equilibra os riscos e benefícios de alcançar a imunidade de grupo, é permitir que aqueles que estão em risco mínimo de morte vivam normalmente a sua vida para construir imunidade ao vírus através da infecção natural, ao mesmo tempo que protege melhor aqueles que estão em maior risco. Chamamos a isto Protecção Focalizada.

A adopção de medidas para proteger os vulneráveis deve ser o objectivo central das respostas de saúde pública à COVID-19. A título de exemplo, os lares devem utilizar pessoal com imunidade adquirida e realizar testes PCR frequentes a outro pessoal e a todos os visitantes. A rotação do pessoal deve ser minimizada. Os reformados que vivem em casa devem mandar entregar alimentos e outros bens essenciais ao seu domicílio. Quando possível, devem encontrar-se com membros da família no exterior e não no interior. Uma lista abrangente e detalhada de medidas, incluindo abordagens a famílias de várias gerações, pode ser implementada, e está bem dentro do âmbito e da capacidade dos profissionais de saúde pública.

Aqueles que não são vulneráveis devem ser imediatamente autorizados a retomar a vida normal. Medidas simples de higiene, tais como a lavagem das mãos e a permanência em casa quando estão doentes devem ser praticadas por todos para reduzir o limiar de imunidade de grupo. As escolas e universidades devem estar abertas ao ensino presencial. As actividades extracurriculares, como o desporto, devem ser retomadas. Os jovens adultos de baixo risco devem trabalhar normalmente, e não a partir de casa. Restaurantes e outras empresas devem ser abertos. As artes, música, desporto e outras actividades culturais devem ser retomadas. As pessoas que estão mais em risco podem participar se o desejarem, enquanto a sociedade como um todo goza da protecção conferida aos vulneráveis por aqueles que acumularam imunidade de grupo.


Dr. Martin Kulldorff, professor of medicine at Harvard University, a biostatistician, and epidemiologist with expertise in detecting and monitoring of infectious disease outbreaks and vaccine safety evaluations.
Dr. Sunetra Gupta, professor at Oxford University, an epidemiologist with expertise in immunology, vaccine development, and mathematical modeling of infectious diseases.
Dr. Jay Bhattacharya, professor at Stanford University Medical School, a physician, epidemiologist, health economist, and public health policy expert focusing on infectious diseases.


*Original em inglês em https://gbdeclaration.org/ (merece uma visita).
 

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O RENDA CIDADÃ E O FIQUE EM CASA

Percival Puggina

02/10/2020

 

Afirmou-se insistentemente nos últimos dias que o governo Bolsonaro estava preparando uma pedalada fiscal para custear o programa Renda Brasil, um programa de renda mínima que, com o advento da pandemia, pulou de R$ 29,5 bi para R$ 55 bi. A pandemia, porém, não afetou apenas o emprego e o salário dos mais desfavorecidos. Ele atingiu, também, o caixa das empresas e o caixa do governo. Só não afetou o emprego e o salário de servidores protegidos pelo guarda-chuva do Estado.

Isso nos leva a buscar a causa maior desse imenso baque na economia. Será fácil encontrá-la. Ela está ali, enfiada como pulga incômoda, entre as costuras políticas e ideológicas que criaram o “fique em casa”, impedindo as pessoas de trabalhar como medida para reduzir a disseminação do novo coronavírus. O apoio dado a Mandetta foi varrido, em alguma silenciosa e escura madrugada, para a vala do esquecimento. A recomendação para só buscar hospital quem tivesse febre e tosse, idem. A total desatenção ao tratamento precoce, idem, idem.

Pois bem, o Brasil seguiu a receita imposta pelo STF e por prefeitos e governadores. O resultado foi aquele que a imprensa, com muita razão, contando o número de mortos, sem mencionar os curados sequelados, caracteriza como um genocídio... Se não funcionou para evitar um grande número perdas, funcionou para suprimir as possibilidades de sobrevivência pelo trabalho para quase 10 milhões de brasileiros, expandindo a lista dos dependentes do erário, elevando o déficit fiscal pelas duas pontas – a da receita que cai e a da despesa que se eleva.

Até agora, nenhum dos patrocinadores desses erros monumentais bateu no próprio peito. Ficavam com a cara do ator britânico Peter Sellers quando derrubava uma pilha de pratos e olhava para o estrago como se nada tivesse a ver com aquilo.
  

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O ORATÓRIO DO LEBLON

Percival Puggina

01/10/2020

 Resumindo o fato, uma comunidade religiosa do Leblon pediu autorização à prefeitura do Rio de Janeiro para construir, na praça Milton Campos, um oratório com imagem de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. A autorização foi concedida pelo órgão competente.

 Trata-se de uma construção singela, ocupando menos de um metro quadrado. Pelo jeito, no entanto, a iniciativa bateu na má interpretação que muitos se empenham em difundir sobre a laicidade do Estado inserida na Constituição. Bateu, também, naquela alergia que alguns têm à religiosidade popular e aos símbolos que a representam com abundância nos espaços públicos e na formação da nação brasileira.

Entre os incomodados, o Ministério Público do Rio de Janeiro que resolveu ingressar com Ação Civil Pública para obrigar o município a não autorizar construção de oratórios e a remover os existentes, sob pena de multa diária de R$ 20 mil em qualquer dos casos. Eles ofenderiam a laicidade do Estado.

Ao indeferir a ação, o juiz Sérgio Roberto Emilio Louzada da 2ª Vara da Fazenda Pública mostrou que a laicidade do Estado, consagrada na Constituição, deve ser interpretada como um binômio de proibições. Num sentido, assegura a independência do Estado em relação às religiões e seus preceitos (protegendo o Estado) e, noutro, protege os indivíduos e as confissões religiosas de interferências estatais.

Na sentença, o juiz expressa seu desagrado com a pretensão do promotor:

"Melhor serviço público estaria prestando S.Exª., data vênia, se dedicasse tanto empenho a retirar das praças públicas a crescente população de rua que vive em condições precárias sem que os poderes públicos pareçam com isso se importar; ou, mesmo, cuidando S.Exª. de zelar pelo paisagismo urbanístico das comunidades carentes que socadas nas favelas do Estado sem as mínimas condições de dignidade humana, contribuem mesmo involuntariamente para o crescimento desordenado da cidade que se debruça em precipícios desprovidos de serviços públicos essenciais, transformando a urbe no caos que conhecemos e convivemos como meros espectadores de tragédias anunciadas.”

O MP recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça. E não levou. O acórdão da 7ª Câmara Cível confirmou a decisão do magistrado do 1º grau. Existem símbolos de outras religiões em espaços públicos da cidade. Eles são cristãos, judaicos, ciganos, entre possivelmente outros. Nas palavras do relator, destacando apenas algumas linhas de seu extenso acórdão: 

“(...) a imponderada pretensão do Ministério Público, além de frontalmente contrária à Constituição Federal, ignora consequências gravíssimas para a ordem jurídica e social, atentando contra o próprio interesse da população, na medida em que a retirada dos oratórios religiosos impediria a busca e conforto espiritual em praças públicas pelos religiosos, especialmente para a população de rua, além de gerar alto custo para o erário municipal para a remoção, bem como incerteza quanto à sua destinação, com risco de danos e destruição. O Ministério Público, infelizmente, não quis se ocupar dessas questões.”

Mais adiante, aduz:

"A pretexto de defender a laicidade do Estado, o pedido autoral pretende, em verdade, impedir a liberdade religiosa em locais públicos (...)”.

 

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