O PRIMEIRO MINISTRO BEIJOU A LONA

Percival Puggina

01/02/2021

 

Percival Puggina

 

         Depois de se haver outorgado o título de primeiro ministro de um parlamentarismo branco instituído por ele mesmo, Rodrigo Maia beijou a lona das derrotas. De traidor virou traído. Como seu Botafogo, vai acabar na segunda divisão.

         Acreditou que mesmo perdendo o posto deslizaria para o lado, no mesmo nível em que estava como poder paralelo, a fazer sucessor e continuar exercendo influência. Na semana passada, rodeado por companheiros, “aceitou o convite” para ser candidato do DEM à presidência da República.

Ah, Rodrigo, o poder é uma pipoqueira de ilusões! Mas quando desconecta do calor do poder, pode-se dizer como dizem os de língua espanhola: “Si te he visto, no me acuerdo!”. Agora mesmo, enquanto escrevo este breve necrológio de tuas pretensões, ouço que ameaças desfiliar-te do partido de ontem, sentindo-te traído pelo abandono de teus pares ao Baleia Rossi. Se te viram não se lembram mais de ti. Nem a Globo.

         Leonel Brizola, de quem pouco se pode aprender em política, foi muito exato, no entanto, quando afirmou que “a política ama a traição e abomina o traidor”. E isso torna tudo muito incerto, inclusive estas minhas reflexões do momento.

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Percival Puggina  

           A analogia que há poucos dias fiz entre a eleição presidencial de 2022 e um jogo de xadrez se aplica, também, à escolha dos novos presidentes das casas do Congresso.  Abordarei aqui alguns aspectos do cenário para eleição da Câmara dos Deputados. Às 18 horas desta quinta-feira, o site do Estadão anunciava haver 219 votos definidos para governista Arthur Lira e 129 votos para Baleia Rossi, candidato das oposições que tem – pasmem! – em  Rodrigo Maia, seu principal articulador. O vencedor tem que fazer 257 votos. É pouco provável que alguém alcance esse total na primeira rodada de votação.

         Maia, para reforçar sua própria base no DEM e transferir a totalidade dos votos da bancada para Rossi, apresentou-se recentemente como candidato à presidência da República em 2022. Uau! Junto com o STF, impediu o presidente de governar durante inteiros dois anos. Enquanto fazia isso, exibia-se na armadura pretoriana de defensor das reformas... Estas, porém, dormiam nas gavetas e roncavam nas sessões virtuais. Agora,  o deputado carioca quer eleger alguém para continuar atrapalhando o governo e, supostamente, ajudar suas próprias pretensões eleitorais.

         Não por acaso, estão com Baleia Rossi, o candidato de Maia, as bancadas do PSDB e do PT e a ala canhota da Casa. E não há hoje, no Brasil, em bolsa de apostas, quem ponha fé e dinheiro grosso na possibilidade de o governador paulista chegar à partida final sentado na cadeira oposicionista. Assim, no resumo dessa bufonaria, temos o DEM trabalhando em desfavor das reformas, contra o programa vencedor da eleição de 2018 e prestando obséquio à candidatura de esquerda no pleito de 2022.

         Se o candidato do governo perder, estará selada sua paralisia. E eu não consigo saber em que sentido isso possa servir ao bem do país, ao desenvolvimento econômico, aos segmentos sociais mais carentes de atenção, aos desempregados, aos governadores e prefeitos.

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QUANDO HÁ UMA IMPRENSA QUE SÓ PENSA “NAQUILO”

Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder

26/01/2021

 

Leio no excelente Diário do Poder

“Brasil é o quinto país que mais vacina desde o dia 17, início da imunização”

O país vacinou mais de 700 mi habitantes, em oito dias. No total mundial, desde meados de dezembro, Brasil é o 15º

O Brasil iniciou a imunização contra o coronavírus quase um mês depois dos países da rica Europa, como Dinamarca, Bélgica, Suíça Portugal etc. Mas, desde o dia 17, início da vacinação por aqui, o Brasil já é o 5º país que mais imuniza no mundo. Apenas Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Israel vacinaram mais habitantes, no mesmo período, segundo a plataforma Our World in Data. No total, o Brasil é o 15º país com mais imunizados (mais de 700 mil). EUA estão em 1º, com 21,3 milhões. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Em toda a América do Sul, cerca de um milhão de pessoas foram vacinadas. Desse total, 70% já são brasileiros.

A Argentina, muito elogiada na imprensa brasileira, iniciou a imunização no dia 29 de dezembro. Até ontem, imunizou menos da metade do Brasil.

COMENTO

Quando há uma imprensa que só pensa em derrubar o governo, com ideia fixa, com metas e estratagemas políticos, a informação verdadeira causa sensação! Produz o efeito de uma abertura da janela para entrada de ar puro. É o que se percebe quando se lê este conteúdo do Diário do Poder. Não é a verdade que escandaliza. O que escandaliza é a omissão da verdade.

Por outro lado, cabe acrescentar que essa velocidade no processo de vacinação alcançado no Brasil se deve à boa estrutura preexistente no país, de longa data. Campanhas de vacinação são rotineiras. Elas não acontecem, nem deixam de acontecer, por causa das redes de TV ou dos grandes jornais. Por mais pensem como Chanteclere, o galo de Edmond Rostand, que o dia nasce porque eles cantam.

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POIS NÃO, SENHORES ASSALTANTES...

Percival Puggina

22/01/2021

 

Percival Puggina

 

            Precisando trocar de carro, fui a uma concessionária informar-me sobre preços e modelos. Lembrando das muitas vezes em que, para essa periódica tarefa, anunciei o meu para venda particular, perguntei ao vendedor como são feitos atualmente esses negócios.

            Eu já havia percebido que os anúncios classificados sumiram dos jornais. Ele me disse que são usados anúncios em sites próprios para isso, mas era perigoso. Na verdade, uma loteria, pois os ladrões se valem dessa ocasião para simplesmente tomar o carro do proprietário (furto ou roubo) na frente de sua casa ou, menos recomendável ainda, ,a “voltinha para testar”.

            Ladrões e assaltantes acabaram com um tipo de transação que serviu ao mercado durante décadas. A sociedade adaptou-se ao que a bandidagem solta determina para suas relações comerciais e comportamentos. Diante de tamanha roubalheira, paga-se um valor absurdo pelo seguro do veículo.Tudo isso, acrescido da elevada carga tributária, afeta as revendas pela redução do comércio e a indústria é levada a reduzir a produção, ampliando o desemprego.

            Fracasso do Estado! A leniência para com esses crimes que integram o cotidiano da vida nacional causa danos que vão muito além do que se vê.

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BIDEN E A FUTURA POLÍTICA DOS EUA EM RELAÇÃO A CUBA

Jorge Hernandez Fonseca

19/01/2021

 

Jorge Hernandez Fonseca

Joseph Biden assumirá o cargo de novo presidente dos Estados Unidos da América. A respeito de Cuba, durante sua campanha à presidência, disse que "retomará a mesma política de Obama para com a ilha". Tem a lógica da continuidade, sabendo que Biden foi o vice-presidente de Obama e como tal apoiou sua retomada com Havana. Vamos analisar.

Há aspectos que o novo presidente deve levar em conta: a abordagem de Obama em relação à Cuba de Fidel e Raúl Castro é universalmente considerada uma tentativa fracassada, por vários motivos. O principal argumento de Obama então era que “a política anterior dos Estados Unidos em relação a Havana não havia alcançado nenhum progresso democrático e que continuar fazendo 'o mesmo' daria 'o mesmo' resultado. Agora devemos dizer, seguindo o mesmo princípio, se Biden faz 'o mesmo' que Obama, dará 'os mesmos' resultados fracassados.

A história de Cuba e dos Estados Unidos está unida pelo próprio nascimento da ilha como República independente, pelo apoio bélico que a América do Norte deu para jogar fora o passado colonial que pesava sobre o nobre povo cubano. Da mesma forma, a Instituição Presidencial dos Estados Unidos que Biden passará a representar, também está associada à liberdade de Cuba no 26º Presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que foi soldado na decisiva batalha pela liberdade do país, no arredores de Santiago de Cuba.

Vivemos nos Estados Unidos. Somos milhões de cubano-americanos tomados como exemplo pelo presidente Obama em seu discurso em Havana, orgulhosos de nosso trabalho neste grande país, onde elegemos 10 congressistas, incluindo 3 senadores, ajudando também a formar uma metrópole no sul da Flórida (Miami). Também por isso queremos ser ouvidos durante a formação e execução da nova política que se propõe a respeito de Cuba.

A Cuba dos Castro foi, por muitos anos, um parasita da ex-União Soviética. Agora é da Venezuela chavista, rompendo-a. Agora pretende parasitar o orçamento norte-americano, fruto em parte de nossos esforços. Nem mesmo a Rússia apoia financeiramente a ilha, porque o castrismo não honrou suas dívidas, como não honrou o Clube de Paris, entre tantos outros exemplos. O sistema cubano não produziu bens ou serviços nestes 62 anos de socialismo cru.

Direitos humanos e liberdade econômica devem ser as chaves para as discussões com a ditadura cubana. Não ceda a nada se o regime castrista não der sinais concretos de passos rumo à prosperidade de seu povo e/ou à eliminação da rígida repressão às liberdades de seu povo. O recente episódio contra o Grupo San Isidro, que gerou um protesto espontâneo de centenas de intelectuais e artistas, não deve se repetir, assim como não deve se repetir arrastando Senhoras de Branco pelas ruas e um longo et cetera autoritário..

A ditadura castrista vive um momento de extrema fragilidade da ordem econômica, política e social. Qualquer apoio direto ou indireto resultará em vários anos adicionais de ditadura. A inteligência empregada nesta abordagem dependerá da liberdade de Cuba.

*    18 de janeiro de 2020

**   Tradução do editor do site

*** Os artigos deste autor podem ser consultados em http://www.cubalibredigital.com

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A NOVELA FORD - SUBSÍDIOS

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

13/01/2021

 

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

O CASO FORD

Dentre várias NOVELAS que competem no dia a dia com a VACINAÇÃO contra o CORONAVÍRUS, uma que ganhou grande notoriedade e interesse geral foi a notícia do ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES INDUSTRIAIS DA FORD no Brasil. Como a decisão tomada pelo board da tradicional multinacional do setor automobilístico pegou todos de SURPRESA. A partir daí o interesse dos brasileiros se voltou para a descoberta dos REAIS MOTIVOS que levaram a montadora a desistir de produzir veículos no Brasil. 

CONSUMIDOR

Pois, antes de tudo é preciso lembrar que quem sustenta a produção e/ou a comercialização de qualquer produto ou serviço é o CONSUMIDOR. Quem não consegue seduzir constantemente aqueles que estão no outro lado do balcão sabe, perfeitamente, que terá enorme dificuldade para se manter por muito tempo no SOBERANO MERCADO. Se um ou outro CONSUMIDOR se mostra mais ou menos desatento, o fato é que a maioria, dentro de um setor onde a concorrência é grande, sabe muito bem o que quer.  

SUBSÍDIO FISCAL

Vale lembrar que ao longo do governo FHC várias empresas foram seduzidas, pela via TRIBUTÁRIA, a trocar de Estado para sediar novas plantas industriais. Assim, os governantes estaduais que mais concediam subsídios acabavam premiados com a instalação de unidades fabris. Vejam, por exemplo, que o setor coureiro-calçadista migrou em cheio para estados no nordeste e montadoras de veículos abriram fábricas no PR, RS, BA, etc., todas movidas pelo fantástico combustível do SUBSÍDIO FISCAL, que nada mais é do que vantagens financeiras concedidas pelo governo com o propósito de obter resultados econômicos mais vantajosos.  Pois, da mesma forma como fizeram os governantes estaduais, a Argentina e o Uruguai fizeram com o Brasil.

NENHUM SUBSÍDIO AO COMPRADOR

O que chama a atenção, ainda que não tenha sido devidamente explorado, é que até hoje NENHUM SUBSÍDIO foi dado ao CONSUMIDOR. Ao contrário, no caso de veículos (para ficar somente dentro do tema NOVELA DA FORD), o maior prejudicado é o COMPRADOR, que paga por DOIS VEÍCULOS e RECEBE APENAS UM.  

SEM IMPOSTOS MENORES PARA O CONSUMIDOR

Mesmo que os motivos da saída da Ford não estejam ligados à economia de subsídios fiscais, o fato é que de 2003 a 2018, segundo dados oficiais, a União deixou de arrecadar R$ 40 bilhões em impostos ao conceder benefícios fiscais ao setor automotivo. Mais: em 2019 foram R$ 6,6 bilhões e em 2020, até novembro, foram R$ 2,4 bilhões. No entanto, uma coisa é MAIS DO QUE CERTA: os CONSUMIDORES NÃO FORAM BENEFICIADOS COM IMPOSTOS MENORES. De novo: se tivéssemos uma CARGA TRIBUTÁRIA parecida com a de outros países, o consumo de automóveis, e tudo mais, seria simplesmente fantástico. Sem medo de errar, isto por si só garantiria a existência de mil montadoras no Brasil. 

DOIS POR UM

Resumindo: se o CUSTO BRASIL é um grande impeditivo para o nosso crescimento e desenvolvimento, mais ainda é ruim para os CONSUMIDORES brasileiros, que pagam, indistintamente, o preço de DOIS PRODUTOS para poderem levar UM PARA SUAS CASAS.E nem assim os nossos maus congressistas se interessam pelas REFORMAS -TRIBUTÁRIA E ADMINISTRATIVA-.

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