O QUE CUBANOS E BRASILEIROS TEMOS EM COMUM

Percival Puggina

16/07/2021

Percival Puggina

 

Nestes últimos dias, olhamos para a ilha de Cuba com sentimento de solidariedade em relação aos padecimentos a que estão submetidas sucessivas gerações de cubanos, desarmados e impotentes, perante a brutalidade do Estado totalitário, de partido único. Alegramos-nos com as manifestações de rua pedindo liberdade e democracia. Vimos a reação do Estado e ouvimos a proclamação de  Diaz Canel convocando os comunistas “a salir à la calle” porque as ruas são dos comunistas, são da “revolución”.

Como previ, foram momentos excepcionais na longa história destes últimos 62 anos naquele país. Mas não havia como levar a algo dada a disparidade de recursos existente entre a máquina dissuasora do regime e o povo, pobre e desnutrido, que começa a se conscientizar sobre as reais causas de suas descomunais carências.

O que custei a perceber foram as semelhanças entre a situação dos cubanos e a nossa, neste momento peculiar de nossa própria história.

Como eles, temos uma imprensa que vê com um olho só e pensa com um lado só do cérebro, a serviço de uma única causa. Lá, para manter o governo; aqui para derrubar o governo.

Como eles, saímos às ruas. Nossas manifestações, porém, têm levado a nenhum resultado desde 2018. Pregamos no deserto, clamamos aos ventos, protestamos contra poderes que não nos escutam. Como os cubanos, estamos reduzidos à impotência.

Como eles, estamos sob uma ditadura. Enquanto a deles é real, aqui a democracia é uma farsa que nos impõe a ditadura conjunta do STF e do Congresso Nacional. Os dois poderes desprezam a opinião pública e tudo fazem para se preservar sem precisar do povo, sem ouvi-lo, submetendo-o ao tacão de seu querer e de suas próprias conveniências.

Claro, nosso presente é bem melhor do que o deles e nossas perspectivas também. Mas seria imprudente desconhecer que há, aqui, um caminho que leva àquela outra realidade.

Leia mais

 

CubaNet

 

Depois de um domingo de massivos protestos em toda Cuba, nos quais milhares de pessoas em diferentes partes do país expressaram sua insatisfação com a gestão de Miguel Díaz-Canel e pediram liberdade para a ilha, o governante comunista voltou a falar em televisão nacional nesta manhã de segunda-feira.

Presente a imprensa oficial, quadros do Partido Comunista e governantes, Díaz-Canel garantiu que face à grave situação do país é necessário um espaço para prestar contas ao povo e noticiar sobre as tarefas para lidar com a pandemia.

O presidente parabenizou e agradeceu aos cubanos que saíram às ruas neste domingo para enfrentar aqueles que se manifestaram pacificamente por uma mudança na ilha, “em um dos dias mais históricos em defesa da revolução”.

“O povo saiu espontaneamente” para defender a revolução, disse o presidente, referindo-se às turbas organizadas pelo governo que saíram para enfrentar os que protestavam nas ruas. Os manifestantes “tiveram a resposta que mereciam, como tiveram na Venezuela e em outros povos que quiseram atacar”, acrescentou, referindo-se à violência com que enfrentaram um povo desarmado.

Como explicou desde o Palácio da Revolução, em Havana, a intervenção na cadeia nacional esta manhã visa também a  esclarecer uma série de tópicos com as quais se haveria tentado, nas últimas semanas, “impor ações de descrédito à forma clara e transparente com as quais nosso país enfrenta a pandemia, para desacreditar o trabalho do governo e da revolução e para tentar fraturar a unidade de nosso povo ”, disse ele.

No encontro de “prestação de contas” à imprensa oficial e ao povo, os apagões recorrentes que acontecem no país nos últimos meses, foram referidos por Díaz-Canel como a causa do descontentamento popular...

O governante castrista assegurou que, em 2019, quando foram ampliadas medidas restritivas, como a aplicação do Título III da Lei Helms-Burton, imposta pelo governo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, “explicamos à população de forma muito transparente que íamos entrar em um período difícil, onde haveria dificuldades e deficiências econômicas”.

As massivas manifestações que ocorreram neste domingo em Cuba foram reprimidas pelas forças policiais do regime. O que começou como protestos pacíficos exigindo liberdade terminou com agentes de Castro em roupas civis atacando cubanos desarmados.

Díaz-Canel também falou na tarde de 11 de julho e praticamente convocou uma guerra civil após alertar que a Revolução estaria "nas ruas lutando" contra a onda de manifestações desencadeada pela grave crise humanitária no país.

“Há muitos revolucionários nesta cidade que estão dispostos a dar nossas vidas. E isso não é por slogan, é por convicção. Eles têm que passar por cima de nossos cadáveres se quiserem enfrentar a Revolução”, disse o sucessor de Raúl Castro.

Díaz-Canel assegurou que “já existem massas revolucionárias nas ruas de Havana enfrentando elementos contra-revolucionários”. E acrescentou: “Separamos os revolucionários que podem estar confusos. Separamos os habitantes de Cuba que podem ter certas preocupações, mas não vamos admitir que qualquer mercenário contra-revolucionário vendido ao governo dos Estados Unidos, vendido ao império ... vá desestabilizar nosso país ”.

*   https://www.cubanet.org/noticias/diaz-canel-agradece-a-los-represores-en-una-de-las-jornadas-mas-historicas-en-defensa-de-la-revolucion/

Leia mais

NÃO VAI RESOLVER, MAS BEM BOLADO FOI

Percival Puggina, com conteúdo Terça Livre

12/07/2021

 

Leio no Terça Livre

Advogado pede prisão de Alexandre de Moraes em flagrante por crime de tortura

O advogado Paulo Faria entrou com uma Representação Criminal nesse sábado (10) com pedido de prisão em flagrante por crime inafiançável de tortura contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes é acusado de desrespeito à imunidade parlamentar, impedimento do pagamento de fiança e outros crimes contra o deputado federal Daniel Silveira.

“O recebimento e processamento da presente representação, em ação penal pública incondicionada, […] especialmente para denunciar o cometimento continuado e ininterrupto do crime de tortura praticado pelo Representado, Alexandre de Moraes, ministro do STF, contra Daniel Lúcio da Silveira, deputado federal que se encontra preso ilegalmente, e torturado desde 16/02/2021, e diante da condição flagrante delito por crime inafiançável do agente público mencionado, […] pugna-se pela decretação imediata de sua prisão”, escreveu o advogado na ação.

Entre as acusações encontra-se o impedimento do pagamento da fiança de R$ 100 mil. A conta para o pagamento informada pelo ministro da Suprema Corte foi excluída antes da transferência ser realizada. Uma outra acusação contra o togado foi a rejeição da imunidade parlamentar de Daniel Silveira.

Paulo Faria também informou o encaminhamento da Representação Criminal para a Corte Interamericana e para a Procuradoria Geral da República (PGR).

Comento

Se discordo do comportamento do deputado Daniel Silveira, discordo muito mais das atitudes do ministro Alexandre de Moraes. Sei que ele, também para isso está se lixando, mas a mim é importante dizer: o ministro é mais irascível e atrabiliário do que o parlamentar. Por uma razão simples: a atitude do deputado voltou-se contra uma pessoa que virou seu verdugo; a atitude do ministro é uma violência contra a sociedade e contra os direitos de um cidadão investido de mandato parlamentar. Digo o mesmo, aliás, da homologação proporcionada pela maioria do Pleno do STF e pela maioria do Câmara dos Deputados. 

Leia mais

COVID-19 É CATÁSTROFE EM CUBA

CubaNet

09/07/2021

Triste situação de um povo que se obriga a pedir socorro internacional por conta própria. E lá não tem CPI contra governo...

CubaNet

 

A Fundação para os Direitos Humanos em Cuba (FHRC) fez um apelo de emergência ao Departamento de Estado dos Estados Unidos diante da catástrofe da COVID-19 na ilha, na qual pede a doação de medicamentos e alimentos no valor de até US $ 10 milhões.

O FHRC denunciou que Cuba é o quinto país do hemisfério e o 15º do planeta em níveis de contágio devido à atual pandemia global, e que o coronavírus “agravou os problemas nacionais e levou o país a uma crise humanitária extrema”.

É por isso que a Fundação reitera o pedido emergencial, feito pela primeira vez na semana passada, e explica que a doação “deve ser distribuída de forma direta e verificável aos setores mais vulneráveis ??do povo cubano através das diferentes denominações. Religiosas e sem nenhuma discriminação em razão de raça, credo, ideologia, gênero ou orientação sexual ”.

“Consideramos que o governo cubano tem a obrigação ética de aceitar esta ajuda humanitária emergencial e cumprir as normas internacionais que se exigem nestes casos: as doações são gratuitas e nas mesmas condições devem ser entregues às vítimas que também têm o direito de saber quem os doa ”, acrescenta o FHRC em nota.

Da mesma forma, a Fundação apóia “as iniciativas de médicos cubanos e suas organizações no exterior que se ofereceram para ir assistir seus colegas, hoje sobrecarregados pelo fluxo constante de infectados pela pandemia e pelos milhares de pacientes que os procuram. Outras doenças graves também demandam assistência em meio a esta crise humanitária ”.

O FHRC exige das autoridades do regime autorização para que voos humanitários e transportes navais possam entrar na Ilha, e sua carga, devidamente vistoriada, fique isenta de taxas alfandegárias.

“É imprescindível transferir com urgência para a ilha remédios, alimentos e mais pessoal de saúde cubano que, embora hoje vivam no exterior, estão dispostos a realizar trabalhos sanitários voluntariamente em sua pátria durante esta emergência humanitária”, explica o documento.

Obstruir esta tentativa de ajuda humanitária “constituiria um crime contra a humanidade”, disse o FHRC, que pede viabilizar e apoiar “o fluxo solidário de recursos materiais e humanos que os cubanos que vivem no exterior podem movimentar neste momento. Que alcancem e apoiem os cidadãos na concretização desta corrente cívica e solidária com todos e para o bem de todos ”.

https://s3.eu-central-1.amazonaws.com/qurium/cubanet.org/noticias-fhrc-pide-a-eeuu-canal-de-ayuda-humanitaria-ante-catastrofe-de-la-covid- 19-in-cuba.html

Leia mais

MACRON: “A ESQUERDA ESTÁ ARRUINANDO A FRANÇA”

Percival Puggina, com conteúdo Revista Oeste

09/07/2021

 

Leio na excelente Revista Oeste

 

Em entrevista à revista Elle, o presidente da França, Emmanuel Macron, acusou os militantes de esquerda de dividir o país e impedir minorias étnicas de subir na escala social. Segundo ele, “as dificuldades sociais não são estruturadas apenas por gênero e cor da pele, mas também pela desigualdade social”.

A declaração parece indicar a opção de Macron por um candidato de centro nas eleições presidenciais de abril próximo. “O risco é [a França] virar uma sociedade de vitimização absoluta”, continuou. “Se a voz da vítima se sobrepuser a todas as outras, você não estará mais numa sociedade de justiça, mas de vingança.”

 

Comento

O presidente francês só é um tipo popular, cá no Brasil, entre aqueles que, entre outras coisas, estão a fazer exatamente aquilo que ele condena... Adicionalmente, esses grupos políticos contam com Macron como um de seus porta-vozes na maledicência ao Brasil e a seu governo.

É bom ficarmos sabendo disso através da Revista Oeste. A afirmação mostra o quanto esse discurso que Macron passa a condenar está caracterizando a ação política da esquerda no Ocidente. É um discurso que estimula o binômio culpa-vingança. É o clássico dividir para conquistar. É a semeadura da discórdia. É o plantio de ventos para a colheita de tempestades.

Por outro lado, não se pode desconhecer que o presidente francês é inequivocamente um político de esquerda e, como tal, pode estar construindo uma estratégia das tesouras para derrotar a direita e a centro-direita francesa nas próximas eleições. Nisso o Brasil de PSDB e PT tem muito a ensinar.

Leia mais

CHINA COMUNISTA: O MAIOR POLUIDOR CLIMÁTICO DO PLANETA CONTINUA POLUINDO

Judith Bergman, para Gatestone Institute

05/07/2021

 

por Judith Bergman  

  • Se a China levasse a sério a redução das emissões, tal intenção teria ficado clara em seu novo plano de cinco anos para o quinquênio de 2021/2025, lançado em março. Este plano, no entanto, foi caracterizado por conter "pouco mais do que vagos compromissos para lidar com as emissões de dióxido de carbono".
  • Conforme escreveu o Wall Street Journal em editorial de fevereiro, iniciativas como esta explicam porque "Pequim gosta de Biden e de Paris". Eles permitem que a China, nas palavras do editorial, "nade de braçada quanto à emissão de carbono", o que significa irrestrito crescimento econômico na hora em que a China procura se tornar a potência hegemônica tanto econômica quanto tecnológica do planeta.
  • Quanto custará o cumprimento das promessas climáticas do presidente Biden e qual será o benefício real e para quem e quanto de vantagem isso realmente dará à China?
  • Justamente quando a China está, obviamente, dizendo uma coisa e fazendo outra e, escancaradamente não cumprindo sua parte nos compromissos mundiais de reduzir as emissões de CO2, como era de se esperar da segunda maior economia do planeta, ampliar as promessas climáticas dos Estados Unidos manda todos os sinais errados. O que a China e outros veem é que não importa o que se faça, mesmo que ela engane o mundo e continue seu comportamento predatório, os EUA estão dispostos a reduzir sua própria competitividade, desenrolar para a China um espesso tapete vermelho para ela se tornar a superpotência hegemônica do mundo, que é o papel que ela deseja desempenhar.

Em 2020 a China Comunista desenvolveu mais de três vezes o potencial adicional de energia proveniente do carvão do que a soma de todos os demais países do mundo juntos, ou seja: o equivalente a mais de uma grande usina de carvão por semana, de acordo com o relatório da Global Energy Monitor. Foto: usina a carvão de propriedade do Estado em Huainan, província Anhui, China. (Foto by Kevin Frayer/Getty Images)

Em 2020 a China Comunista desenvolveu mais de três vezes o potencial adicional de energia proveniente do carvão do que a soma de todos os demais países do mundo juntos, ou seja: o equivalente a mais de uma grande usina de carvão por semana, de acordo com o relatório divulgado em abril pela Global Energy Monitor.

Também em 2020 as emissões chinesas de CO2 aumentaram 1,5%, enquanto as da maioria dos outros países diminuíram. Muito embora em 2020 o restante dos países tenha recuado no tocante ao uso do carvão, este recuo foi eclipsado pelas novas usinas de carvão da China.

  • Publicado originalmente em Gatestone Institute, em 04 de julho de 2021
Leia mais