Terminou ontem uma das mais longas polêmicas da política estadual gaúcha. No dia 28 de abril de 1999, o governador Olívio Dutra encerrou os entendimentos que resultariam na implantação de uma montadora de veículos Ford no Rio Grande do Sul. A decisão favorável sobre o festejado projeto fora tomada no governo anterior. O contrato fora aprovado pela Assembleia Legislativa. Olívio Dutra e seu partido, recém chegados ao Palácio Piratini, tomados por espírito xenófobo, anti-americanista, decidiram renegociar todo o contrato. Olívio fez discurso contra a empresa. Proporcionou prolongados chás de banco a seus diretores. E, deliberadamente, tornou o Estado inadimplente. Após quatro meses disso, a FORD entendeu o recado, recolheu suas tralhas e foi embora. A partir de então, o PT e os porta-vozes do governo passaram a responsabilizar, sucessivamente, pelo ocorrido: 1) a empresa; 2) a crise da indústria automobilística mundial; 3) uma suposta decisão corporativa de levar a montadora para a Argentina; 4) o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que teria concedido vantagens adicionais caso a Ford se radicasse na Bahia. O que os petistas nunca disseram é que, se o governo houvesse cumprido sua parte no contrato, a Ford, por força desse contrato, teria permanecido no Rio Grande do Sul. (segue ao lado)

 

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 O economista e contador Darcy Francisco Carvalho dos Santos, membro, como eu, do Grupo Pensar+, publicou em Zero Hora do dia 19 um artigo que pode ser lido na seção "Autores convidados" deste site. O autor, que acompanha com regularidade e grande conhecimento a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul, afirma: "Seja quem for o próximo governador, terá ele enorme dificuldade para manter a folha de pagamento em dia e cumprir os reajustes salariais já concedidos. Isso sem falar na recuperação dos investimentos e da melhoria dos serviços públicos, sabidamente insuficientes e de baixa qualidade". Passadas apenas 48 horas, Zero Hora desta segunda-feira traz matéria em que colhe a posição dos oito (dos quais quatro são fake) candidatos ao governo gaúcho. Todos prometem mundos e fundos exatamente onde estão os problemas de precariedade dos serviços públicos e as deficiências da infraestrutura estadual. Há, de parte dos candidatos, uma boa pontaria para acertar no alvo das carências. E os fundos de onde virão? Como bem registra a matéria, sobre essa pauta recai o silêncio das mais insuficientes generalidades.


Embora as campanhas eleitorais sejam concebidas para um encontro dos cidadãos com a situação do Estado, repete-se, mais uma vez, diante de nossos olhos e ouvidos cívicos, o velho e surrado distanciamento da realidade, tão próprio da nossa pior tradição republicana. Parece que os eleitores gostam de ser enganados e que os marqueteiros dos candidatos têm plena consciência disso.
 

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No Correio do Povo de hoje, 20 de julho, o colunista Juremir Machado da Silva recorda o quanto era difícil, nos anos 80, quando aluno da PUC/RS, encontrar nas bibliotecas o livro Veias Abertas da América Latina. Esse era o livro mais indicado pelos professores e o mais procurado pelos alunos. E continua muito recomendado, ao que me informam. Malgrado seja um amontoado de asneiras, Veias Abertas se converteu no texto introdutório ideal à doutrinação marxista, objetivo primeiro de grande parte do mundo acadêmico nacional.

Talvez ninguém expresse melhor do que o próprio autor o que acabo de afirmar sobre seu louvado trabalho. No dia 11 de abril passado, Eduardo Galeano, concedeu uma entrevista em Brasília. Ele era o homenageado da 2ª Bienal do Livro e da Leitura e a louvação, por certo, tinha tudo a ver com a popularidade que lhe adveio desse livro (alguém conhece outras obras de Galeano?). Na entrevista, com todas as letras, ele declarou: "As Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu ainda não tinha a formação necessária. Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas é uma etapa superada. Eu não seria capaz de ler de novo esse livro, cairia desmaiado. Para mim essa prosa de esquerda tradicional é chatíssima. O meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro… ‘Tem alguma cama livre?’, perguntaria".

 

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 Saudável informação! Nos últimos dias, chegam notícias de que, no Rio de Janeiro, as instituições resolveram agir contra os aprendizes de terroristas que vêm infernizando, com atos de violência, o ambiente urbano das grandes metrópoles brasileiras. No Rio, ao menos, parece que a omissão oficial chegou ao fim.

 O leitor destas linhas sabe como se desenvolvem tais ações. Sabe que esses tipos com rostos encobertos cometem crimes. O fato de serem motivados por ideais políticos não minimiza os malefícios que causam nem reduzem a natureza dos mesmos. Ao contrário, agrava-os. Se fora do poder agem assim, como se conduzirão se tiverem acesso ao poder que buscam? São muito mais perigosos do que bandidos comuns, os militantes da violência política.

Mas se sabemos tudo isso, pode acontecer que não estejamos atentos para o fato de que esses "vândalos" (como querem alguns que parecem confundi-los com meros rabiscadores de muros), ou "ativistas" (como pretendem outros, benevolentes), estão integrados em um projeto político. Recebem recursos de alguma fonte. São remunerados para o que fazem. E tudo leva a crer que estejam ligados a um ou mais partidos políticos. Também essa investigação é necessária e urgente. Há uma eleição no horizonte de curto prazo e os eleitores precisam saber quais os partidos que agem nos bastidores da violência.
 

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 Os que nos querem convencer de que as idéias marxistas funcionam fazem bom uso da insistente repetição dos seus chavões. Um deles afirma que “as desigualdades sociais são fruto desse modelo concentrador que aí está”. Ou seja, elas decorreriam da economia de mercado, do direito à propriedade privada, da liberdade de empreender. Apontam a miséria da África e da América do Sul como resultado desse “modelo” explorador e desumano. Repita-se isso até a exaustão e você não duvidará de que os africanos eram ricos, prósperos, poderosos e bem nutridos até a chegada das desgraças ocidentais e que norte-americanos, europeus, japoneses, canadenses e australianos vivem às custas das esplêndidas riquezas sul-americanas.

 Para que a culpa possa ser atribuída “a esse modelo que aí está”, é preciso jamais mencionar a concentração de riqueza do antigo Egito, de certas dinastias chinesas, do Indostão, do Império Romano, dos barões medievais, dos comerciantes venezianos e genoveses, dos banqueiros surgidos no Renascimento. É preciso esquecer que a fome era endêmica na Europa em pleno período colonial e assim permaneceu até meados do século passado. E é preciso, principalmente, jogar nas sombras da ignorância dois fatos essenciais: 1º) que foi precisamente sob o regime das economias de mercado e com o surgimento das democracias constitucionais que a renda passou a ser distribuída com mais justiça entre os cidadãos; e 2º) que o sistema que mais radical e insistentemente se opõe “a esse modelo que aí está” somente gerou opressão, corrupção, genocídio e miséria. Mas essas são coisas que ninguém diz e ninguém repete.

 Na história, nenhum regime tirou tantos pobres da pobreza extrema quanto o explorador capitalismo chinês.
 

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Os setores esclarecidos da sociedade, inteirados da malignidade do decreto dos sovietes, aguardavam sua revogação na sessão do dia 15. Era necessário, em primeiro lugar, aprovar proposta para que o Projeto de Decreto Legislativo Nº 1.491 tramitasse em regime de urgência, dispensando a deliberação prévia das comissões técnicas. Com 294 a favor e apenas 54 votos contra, foi aprovado o regime de urgência, por volta das 9 horas da noite.

No entanto, quando todos pensavam que, aprovado o regime de urgência, reconhecida por ampla maioria a urgência da matéria após uma tarde inteira de discussões... sumiu o quorum. "Cadê o quorum que havia aqui? O gato comeu." Esvaziou-se o plenário. E esvaziou-se por longo período. A partir daquele momento, até os primeiros dias subsequentes às eleições do dia 5 de outubro, haverá apenas duas sessões deliberativas nos dias 5 e 6 no mês de agosto. A pressa dos parlamentares de embarcar num voo de volta às suas bases já na quarta-feira tem se sobreposto a qualquer interesse nacional. E note-se: eles chegam em Brasília na segunda-feira à noite, ou na terça-feira pela manhã. É inevitável que falte tempo para o cumprimento das obrigações constitucionais.
 

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