AINDA SOBRE MARINA SILVA
Percival Puggina


 Desde que comecei a escrever incluo entre meus deveres temáticos denunciar os terríveis malefícios prestados à Igreja Católica pela Teologia da Libertação, essa versão comunista da teologia cristã, que serve ao comunismo e desserve á Igreja. Já levo 29 anos tratando desse lastimável mas necessário tema.

 

 Até hoje, passadas quase três décadas não encontrei motivo para corrigir uma linha sequer do que escrevi a respeito, muitas vezes incluindo no rol das minhas execrações vastos setores da hierarquia da Igreja instalados na CNBB, em alguns de seus órgãos e em setores de sua assessoria. Esses setores, nos primeiros anos, estavam mais preocupados com promover o PT e suas pautas. Agora estão mais preocupados com proteger os efeitos políticos sobre o PT das estripulias que esse partido promove com cotidiana dedicação.

 

 Pois foi nesse azedo e mal coado caldo de cultura, cozido em água benta, que se formou Marina Silva. Quando se sentiu politicamente firme, largou a Igreja Católica, mudou-se para a Assembleia de Deus e para o PV. Depois, largou não sei que mais e se mudou para o projeto da Rede. Mas isso não a fez menos alinhada com as trincheiras de combate às economias livres, ao agronegócio, e ao evangélico domínio do homem sobre os bens da Criação. A ecomania de Marina Silva inverte a ordem natural nesse convívio, submetendo os interesses da humanidade às determinações que o mundo natural lhe propõe. No fundo, vestido com floreios ecológicos, é o velho ódio marxista à propriedade privada dos bens da natureza.

 

  • 16 Agosto 2014

A MORTE E A MORTE DE EDUARDO CAMPOS


 A morte é a mais fatal das fatalidades. Os imensos avanços científicos alongam as expectativas de vida, a ciência acena com ganhos ainda maiores, e as sociedades modernas fornecem algumas razões para que nós nos creiamos senhores de nossas próprias vidas. Até que a morte cancele todas as ilusões a esse respeito. A essa derrota corresponde o triunfo da Esperança naqueles que têm fé.

 

 Dia 13 a morte levou um jovem político de apenas 49 anos, participante da corrida presidencial em curso. Na opinião dos que o conheciam era um homem bom e um governante competente. Poucas horas após sua morte soubemos mais a respeito de suas virtudes do que pudemos conhecer nos longos meses preparatórios ao período de campanha propriamente dito. Eduardo Campos vem recebendo um reconhecimento nacional que lhe faltou em vida.

 

 Em qualquer país do mundo, a morte de um candidato presidencial cobra rigorosas investigações. Quanto mais rigorosa for, maior tributo se estará prestando à sua memória e a seu valor. Nenhuma trilha pode deixar de ser seguida, nenhuma hipótese pode ser afastada e nenhuma urgência tem o direito de acelerar a identificação das causas do lamentável acontecimento.
 

  • 15 Agosto 2014

Tais princípios, não são de direita nem de esquerda. A rigor sequer são filosóficos. Eles correspondem a um modo de ser, a uma forma de agir, a um conjunto de critérios que inspiram decisões. Não há qualquer motivo para que estes princípios não possam ser aceitos por liberais, exceto se o liberal for um revolucionário no sentido sociológico do termo, interessado em uma revolução por liberdades ilimitadas, que não condiz sequer com os muitos e óbvios limites da natureza humana.

São eles:

  • Primeiro, um conservador crê que existe uma ordem moral duradoura.
  • Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade.
  • Terceiro, os conservadores acreditam no que se poderia chamar de princípio do preestabelecimento.
  • Quarto, os conservadores são guiados pelo princípio da prudência.
  • Quinto, os conservadores prestam atenção no princípio da variedade.
  • Sexto, os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.
  • Sétimo, conservadores estão convencidos que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.
  • Oitavo, os conservadores promovem comunidades voluntárias, assim como se opõem ao coletivismo involuntário.
  • Nono, o conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.
  • Décimo, o pensador conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.

 

  • 13 Agosto 2014

OS MEDÍOCRES

 Em "O homem medíocre", afirma José Ingenieros: “A sociedade proclama: ‘Não faças mal e serás honesto’. Mas o talento moral tem outras exigências: ‘Persegue a perfeição e serás virtuoso’. A honestidade está ao alcance de todos; a virtude é uma escolha de poucos. O homem honesto suporta o jugo a que o prendem seus cúmplices; o virtuoso se eleva sobre eles com um golpe de asa”.

 São palavras que queimam a palha da mediocridade e incendeiam a alma dos que buscam a virtude porque é nela, e não na simples honestidade, que se medem os valores da aristocracia moral. Infelizmente, a leitura de “O homem medíocre” nos expõe duas alarmantes realidades nacionais: 1º) não estamos sob o comando dos virtuosos, nem dos honestos, mas dos impostores, ou seja, dos sepulcros caiados de que trata o Evangelho; e 2º) até a medíocre honestidade se faz, a cada dia, mais e mais rara, a ponto de ansiarmos por ela como se fosse um bem em si mesma.
 

  • 11 Agosto 2014

FELIZ DIA DOS PAIS

Reproduzo trecho de um artigo que escrevi em 1997. Faço como homenagem a todos os pais, neste Dia dos Pais. De modo especial, penso naqueles que, como eu, já não o tem ao alcance do abraço ou do telefone.

 Muitas vezes, nos últimos anos, me surpreendo usando a expressão "lá em casa" para me referir àquela habitação, já vazia e triste, porto seguro e generoso de onde parti para o oceano da vida. Outras tantas vezes tenho pensado que “preciso consultar o pai”, no impulso comum de quem sempre contou com o sábio conselho do velho marujo.

 É provável que os leitores o conhecessem como figura pública, dezesseis anos deputado, dedicado às questões sociais, simples qual os homens da terra, cujas mãos ásperas e encardidas como raízes, ele apertava com afeto e admiração. E ao mesmo tempo economista estudioso, tão disposto e hábil no debate sério e produtivo quanto avesso às discussões estéreis sempre comuns no cotidiano parlamentar. Outros talvez guardem dele a imagem do cristão convicto, diariamente presente na missa da Igreja Santa Terezinha, que fazia das encíclicas de João XXIII luzeiros de suas idéias e sinuelos de suas ações.

 Eu o recordo, principalmente, como pai de muita ação, não muitas palavras, e ao mesmo tempo enciclopédia de vida, dicionário de valores, cuja adesão existencial ao bem educava sem nada precisar dizer, mestre que era na insuperável arte do exemplo. Pai de sete filhos, repartia-se - inteiro em cada lugar - entre a família, a Assembléia e as estradas de barro, pedra e pó.

  Nesse dia, leitor amigo, penso de modo especial em você, que também não pode mais abraçar seu pai. A melhor mensagem que lhe posso transmitir foi a que recebi de um fraterno companheiro, via Internet, quando o meu velhinho morreu. “Sem os limites do frágil corpo, sua alma, em liberdade, alçou vôo para muito alto, para a morada do Pai de todos os homens!”
 

  • 10 Agosto 2014

 Outro dia, em um programa de debates na tevê, discutia-se a tolerância estatal com relação a invasões de propriedade. Como de hábito, invocava-se contra esse direito a assertiva constitucional segundo a qual "a propriedade atenderá sua função social". É impressionante o uso abusivo desse preceito! Em vista dele, invasores contumazes - das propriedades alheias uns (MST, MTST etc), e das prescrições constitucionais outros (juristas de formação marxista) - conceberam a tese estapafúrdia de que na ausência da prova sobre o cumprimento da função social, decairia o proprietário de seu direito, consagrando-se o do invasor. Uma aberração própria dessa conhecida e desastrosa ideologia.

A função social é atributo do direito de propriedade e não pode ser utilizada para destruí-lo. Ela está expressa no texto constitucional para autorizar o legislador a orientar o direito de propriedade no sentido do bem comum. Formula, pois, um necessário princípio de direito público e não uma regra para autorizar invasões. E menos ainda para fazer cessar o direito à propriedade!

Retornando a um pedal já repisado aqui: quem quer construir "um outro mundo possível" precisa destruir as bases do mundo que aí está. E o direito de propriedade é uma dessas bases.
 

  • 09 Agosto 2014