E O GOVERNADOR GAÚCHO DIZ QUE O RIO GRANDE É O ESTADO QUE MAIS CRESCE NO PAÍS

Insistente e repetitivamente, como devem ser propagadas as lorotas, o governador Tarso Genro tem afirmado que o Rio Grande do Sul "é o Estado que mais cresce na Federação", ao que aduzia haver o Rio Grande crescido três vezes mais do que o Brasil. É pouco provável que algum gaúcho já não tenha ouvido isso, seja em entrevistas de Sua Excelência, seja durante os programas da coligação governista nos horários destinados à propaganda eleitoral gratuita.

 

Havia um evidente desencontro entre essa propaganda e os fatos conhecidos. O enunciado nas páginas de economia e o anunciado pelo governador jamais se encontravam. Pois eis que hoje, 5 de setembro, manchete de capa do jornal Zero Hora expõe em letras maiúsculas que "PIB gaúcho encolhe apesar da boa safra". A leitura da matéria informa que o crescimento do PIB gaúcho em 2014 deve ser igual ao crescimento do PIB nacional (que ficará na faixa do zero vírgula muito pouca coisa). No segundo trimestre deste ano, comparativamente com o segundo trimestre do ano passado, a agropecuária gaúcha decresceu 6,7%, a produção industrial regrediu 6,3% e o setor de serviços cresceu 0,1%. Alguns setores industriais simplesmente despencaram: veículos automotores (- 17,4%); metalurgia (-22,5%) e construção civil (-8,5%). Assim é a ilha de prosperidade em que vive e a respeito da qual discursa o governador gaúcho.
 

  • 05 Setembro 2014

Pessoas como Roberto Campos deveriam receber, pela dedicação ao interesse público, pelo brilho e lucidez de suas inteligências, um crédito conversível em anos de vida, para melhor uso e fruto, para maior proveito de sua atividade intelectual ao longo do tempo.

Intelectuais com visão de estadista (ou estadistas que também sejam intelectuais), além de raros, costumam receber da história uma justiça demasiadamente tardia. Não foi diferente com Roberto Campos, vilipendiado como Bob Fields pelo que, ao seu tempo, havia de mais retrógrado e burro no Brasil. Impotentes para enfrentá-lo num debate, incapazes de alcançar o nível dos seus chinelos, esses seus aversários, militantes na esquerda brasileira, reservavam para ele a essência de seu mau humor.

A frase que escolhi para lhe prestar esta homenagem é um pitéu. Uma dessas pequenas joias que devem ser lidas com os olhos e saboreadas com o paladar, que é, sim, um atributo das inteligências educadas, dotadas da capacidade de apreciar, com a acuidade dos cinco sentidos, os feitos e confeitos da sabedoria alheia.
 

  • 04 Setembro 2014

TOTALITARISMO E IDOLATRIA
Percival Puggina


 Todos os totalitarismos necessitam de um líder máximo, de um tipo mítico para chamar de seu. As ruas se enchem de imagens desse sujeito, suas frases são repetidas incansavelmente até se transformarem em orações. Imensos outdoors e retratos no interior das residências fazem com que as pessoas submetidas a tais processos psicológicos não mais distingam o sujeito do objeto e tudo vira foco de reverência.

 

 Sempre foi assim, no Ocidente e no Oriente, no Norte e no Sul. Já tivemos um pouco disso com Getúlio, ainda que em grau menor do que aconteceu na Argentina de Perón. Foi assim na Espanha com Franco. Na Itália com Mussolini. Na URSS com Lênin, Stalin e seus sucessores. Na China de Mao. Em Cuba de Fidel. Na Coreia do Norte de Kim Il-Sung. E por aí vai.

 

 O culto da personalidade de algum líder máximo é indicativo do viés totalitário instalado em uma sociedade. Não foi diferente com a mitificação de Che Guevara para a propaganda comunista mundo afora. Não fez menos Chávez com sua imagem e não fazem menos os chavistas após sua morte. A "oração do delegado", à semelhança do Pai Nosso cristão, santifica o criador do comunismo bolivariano e o instala num trono de nuvens.

 

 Fatos assim, evidências desse porte, põem a nu o caráter não democrático da esquerda brasileira que defende, apoia e financia, com dinheiro nosso, as loucuras de um regime que já jogou a economia venezuelana no fundo do poço e dividiu talvez irremediavelmente aquela nação vizinha.

* Na seção de vídeos deste site (www.puggina.org/videos) você pode assistir a recitação desse "pai nosso" chavista.
 

  • 03 Setembro 2014

PÂNICO DOS SALÕES ÀS LAVANDERIAS

Ainda há pouco assisti um áudio gravado em 2010 no qual Lula, com aquele jeito repetitivo de se expressar, afirmava que o Brasil tinha interesses em investir no Porto de Cuba, nas estradas de Cuba e na rede hoteleira de Cuba, porque o Brasil tinha interesse em ajudar Cuba a se desenvolver.

Lembrei-me, então, que o Estadão, na edição de ontem, publicou carta de leitor comentando as fortes possibilidades de o PT desembarcar do Palácio do Planalto. E indaga: onde países bolivarianos e assemelhados vão achar uma vaca leiteira do tamanho do Brasil?

Isso é bem verdadeiro no plano externo. Analisemos, agora, o que pode acontecer no âmbito interno. Uma possível derrota do PT representará o caos para muita gente que, há mais de uma década, se encastelou nos compartimentos do poder, prontos para aquela jornada de 20 anos com que sonhava José Dirceu. Tais pessoas têm acesso, gestão e autoridade sobre pesadíssimas fontes de recursos distribuídos ao longo da gigantesca máquina pública do país. E seu prazo de validade pode estar se esgotando dentro de escassos 120 dias. O PT que chegou ao poder era o PT que exsudava idealismo e pureza. O PT que pode estar fazendo as malas, não é bem assim. A incerteza quanto ao futuro ronda os castelos do poder nacional. Das adegas às chaminés. Dos salões às lavanderias.

Ademais, a derrota de Dilma faria minguar os votos petistas e reduziria suas bancadas parlamentares no Congresso e nas Assembleias Legislativas, enquanto a melhor expectativa do partido nas eleições estaduais convergem, hoje, para os governos do Acre e de Minas Gerais.

Está muito mal parada a coisa para o partido de Lula. No entanto, de modo contraditório, nas campanhas eleitorais parlamentares, aqui onde as vejo, em Porto Alegre, chama a atenção o fato de que as mais caras, com maior visibilidade, são, quase todas, de candidatos petistas, justamente o partido que faz vigoroso discurso contra a influência do poder econômico nas eleições.
 

  • 02 Setembro 2014

A CONSTITUINTE EXCLUSIVA DO PT
Percival Puggina

 

 A imagem acima mostra a mobilização que o PT e seus periféricos estarão promovendo ao longo desta semana para colher assinaturas e pressionar o Congresso a convocar uma "Constituinte Exclusiva" voltada para reformar o sistema político.

 Ora, se é o PT que está propondo (com a CNBB e OAB, entre outras 99 organizações e movimentos periféricos ao partido) o tal projeto só terá um beneficiado, o PT, porque não é próprio do PT arrumar a cama alheia.

 Depois, considere-se que é totalmente desnecessário convocar uma Assembleia Nacional Exclusiva quando nossos problemas institucionais podem ser resolvidos com leis ordinárias e umas poucas mudanças em dispositivos constitucionais.

 O PT sabe que sua proposta é um disparate, uma demasia e uma impropriedade jurídica. O que essa coleta de assinatura pretende é promover seus promotores com vistas à eleição do mês que vem.
 

  • 01 Setembro 2014

Se há alguém, ali, cuja vaidade consegue sobressair-se dentre todas, esse é o ministro Marco Aurélio Mello, da foto e frase acima. Imagino o mal-estar que cause entre os demais quando se põe a lecionar-lhes. No plenário ele é o Verbo. Sua excelência sequer fala como as pessoas comuns falam. As palavras lhe saem arquejadas, numa espécie de sopro divino, criador, forma verbal das cintilações do astro rei da constelação. Ante um brilho desses só se chega usando óculos escuros e protetor solar.

Ele sabe que paixão é uma coisa e valor moral é outra. Ele sabe que valer-se dos conceitos de Estado laico e de separação entre Igreja e Estado para enxotar as posições cristãs da sociedade é amordaçar a cidadania de quem as compartilhe. Sabe que se tal argumento for válido, toda condenação ao terrorismo, à tortura, ao assassinato, ao roubo, à calúnia e ao vasto universo das perversidades seria inaceitável pela mesma razão: a moral judaico-cristã também reprova tudo isso. E desde muito antes da Constituição de 1988, ao que me lembro. Até um embrião congelado entende algo tão simples.

A separação entre Igreja e Estado tem sentido superior. Significa autonomias recíprocas. Ora, se não existe a hipótese da ignorância para explicar a frase acima, resta a desonestidade. Ela se expressa como desejo de vencer o debate sem preocupação com a verdade (sofisma), ou de resumir o exercício dos direitos civis à minúscula minoria cuja moral não tem qualquer fundamento.
 

  • 31 Agosto 2014